Almandrade
"É considerado imprudente para um artista plástico escrever,
pois perde seu tempo; é considerado precipitado escrever sobre arte,
pois perde status como artista."
George Rickey
Quando se fala em artes plásticas no Brasil, o Construtivismo é logo lembrado como um
protagonista da vanguarda brasileira. É bom frisar arte construtiva em oposição a arte
abstrata: Porque nada é mais concreto nem mais real do que uma linha, uma cor, uma
superfície... uma mulher, uma árvore, uma vaca são concretos no estado natural, mas, no contexto
da pintura, são abstratos, ilusórios, vagos, especulativos enquanto um plano é um plano, uma
linha é uma linha, nem mais nem menos, (Theo Van Doesburg). A abstração geométrica é
representação da natureza, ainda que alterada, enquanto que o construtivismo não representa
nada.

Naum Gabo: "Cabeça N° 2" (1916)
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O termo CONSTRUTIVISMO (construtivo), segundo George Rickey, define uma arte não
figurativa, metódica e racional. Foi usado pela primeira vez para designar trabalhos abstratos
geométricos dos artistas russos: Tatlin, Malevitch, El Lissitzky, Rodchenko, Naum Gabo, Antoine
Pevner e Kandinsky. Os artistas russos conheciam bem Cézanne, o Cubismo e o Futurismo. O
ambiente cultural da Rússia era favorável a uma arte nova, não figurativa com princípios
rigorosos. Nas palavras do artista Naum Gabo que também deu uma grande contribuição teórica ao
movimento: ... ao criarmos coisas, tiramos... tudo o que lhes é acidental e local deixando
apenas o ritmo constante das forças nelas presentes. Uma arte que declarava sua coerência com a
era científica. As esculturas e objetos construtivistas eram construídos e não esculpidos ou
fundidos como a escultura tradicional, assim como as pinturas de um Mondrian eram construídas
de linhas horizontais e verticais.

Malevitch: "Supremus n° 58" (1916)
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No fim do século XIX , artistas isoladamente em regiões diferentes buscavam uma arte sem
tema, constituídas de formas não conhecidas. Daí a imagem construtiva aparecer em países
distintos e em grupos isolados, como nomes e ideologias diferentes. Malevitch e o SUPREMATISMO,
por exemplo: "Tentando desesperadamente livrar a arte do mundo representacional procurei refúgio
na forma do quadrado". Na Rússia surgiram outros movimentos ou escolas. Dois anos depois de
iniciada as aventuras das vanguardas russas, Piet Mondrian, pintor holandês depois de passar
pelo cubismo, se dedicou a construir uma pintura com traços horizontais e verticais, usando as
cores primárias e mais o preto e o cinza e chamou sua arte de NEOPLASTICISMO. Mondrian funda
com Theo Van Doesburg o grupo DE STIJL e publica uma revista com o mesmo nome para divulgar as
idéias do grupo.
Enquanto o construtivismo e o suprematismo eram divulgados na Rússia, seus artistas e suas
idéias chegaram a Alemanha e foram recebidos na Bauhaus, escola de arte, design e arquitetura;
Mondrian, morando em Paris era uma referência da chamada arte não figurativa. Doesburg ,
parceiro de Mondrian, grande orador, viajava pela Europa divulgando as idéias do
Neoplasticismo, impressionando arquitetos como: Lê Corbusier e Walter Gropius, diretor da
Bauhaus na Alemanha. Assim o construtivismo chegou a Paris , Londres, Berlim, se tornou
homogêneo, as semelhanças superaram as diferenças, passou a designar pinturas e esculturas dos
diversos grupos e se expandiu absorvendo idéias do Suprematismo e do Neoplasticismo. O triunfo
da revolução russa acabou frustrando a esperada idade de ouro para os artistas construtivistas.
Termina assim a fase russa do construtivismo. Os artistas foram obrigados a se retratar ou
abandonar o País, os que ficaram como Malevitch, morreram na obscuridade.
A BAUHAUS, iniciada em 1919 sob a direção do arquiteto Walter Gropius absorveu as idéias
construtivas, publicou ensaios de Mondrian e Malevitch e fundiu as duas principais ramificações
do construtivismo, uma proveniente da Holanda e a outra da Rússia. Através da Bauhaus, as idéias
construtivistas foram propagadas mundialmente como um idioma visual racional coerente com o
mundo tecnológico. Fechada a Bauhaus pelo Nazismo, muitos professores partiram para outros
países como os EUA, difundindo no ocidente os princípios da Bauhaus, contribuindo de forma
decisiva para o Construtivismo se tornar internacional e no final dos anos 30 já era uma escola
internacional. Com a ameaça da segunda guerra muitos artistas, arquitetos e professores foram
para Londres e para os EUA que se constituiu na época, um solo fértil para o desenvolvimento
das idéias construtivas. Porém, Max Bill, artista construtivo, formado em arquitetura pela
Bauhaus, premiado na Bienal de São Paulo em 1951, exerceu uma forte influência na arte aqui no
Brasil que já havia manifestado interesse pelos postulados racionalistas da arte concreta,
através da arquitetura moderna que começou a se destacar no país, a partir da década de 30.
Os trabalhos dos primeiros artistas construtivos nas suas diferentes origens estabeleceram a
base através da qual surgiram e se desenvolveram tendências não figurativas, racionais,
principalmente entre 1957 e 1967, quando houve um surto de arte construtiva, na Europa, Estados
Unidos, América do Sul e Japão. A Arte Concreta ganhou novos rumos com as novas tecnologias de
construção e de transformação da imagem, o isolamento da luz para ser empregada como material
artístico, princípios matemáticos aplicados à estética construtiva, a exploração dos efeitos
óticos, o uso do movimento que levou à arte cinética. A utilização de outros suportes que
chegaram quase a abolir a diferença entre pintura e escultura. O domínio de novas técnicas foi
um fator determinante nos desdobramentos da arte construtiva, que não negou os princípios dos
seus pioneiros.
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