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18.07.2004
A Cultura e o Planejamento da Cidade
Almandrade
A produção cultural, o planejamento urbano que estamos presenciando e consumindo, chamam a
atenção para uma época de políticos, burocratas e empresários à frente dos destinos da cidade.
Se o planejamento foi levado a condição de aspirina para resolver um mal incurável: a desordem
urbana; a cultura foi transformada em divertimento descartável para uma população urbana que
corre desesperada atrás do um ócio. A revolução industrial criou uma obsessão de progresso, mas
em relação ao pensar, não avançou o homem, ao contrário; reduziu sua capacidade de reflexão,
criando um tipo sociedade que privilegia o consumo e despreza as idéias. Paradoxalmente, o
aumento da informação resultou na diminuição do repertório.
A prática de um conhecimento quando subordinada a interesses que negam o princípio desse
conhecimento é também a negação da cidadania. A arquitetura, o desenho da cidade e dos objetos
deixam de ser dispositivos de acomodação do homem com o meio ambiente onde vive; e passam a ser
o exercício burocrático de desenhar o território, de adaptar a cidade para a razão perversa de
uma sociedade, que nega todos os valores em nome de um crescimento econômico e da concentração
de renda que fazem o cotidiano da vida moderna. Na produção da cidade a atividade intelectual
foi excluída e substituída por uma relação de trocas e favores. Nesse ambiente urbano, com uma
baixa qualidade de vida e um estado de regressão cultural, a festa é sempre o alvo das
denominadas políticas culturais que desconhecem o processo de suas práticas e as questões mais
evidentes, como: as transformações das linguagens artísticas e suas leituras.
O que os administradores da cultura não entendem é que as artes têm suas próprias
materialidades, não são campo de pouso para outras políticas, nem mesmo as ditas culturas que
ignoram problemas acerca do moderno e do contemporâneo, a origem, a história dessas linguagens
e a lógica de suas revoluções. Enquanto artistas, arquitetos, intelectuais, produtores de bens
artísticos, mesmo excluídos do processo de decisão, temos o compromisso de resgatar a reflexão
sobre as práticas culturais e a imagem da cidade.
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