God’s Army / The Prophecy,
EUA, 1995.
Com ELIAS KOTEAS, CHRISTOPHER WALKEN, VIRGINIA MADSEN,
ERIC STOLTZ, VIGGO MORTENSEN, AMANDA PLUMMER, MORIAH SHINING DOVE SNYDER, ADAM GOLDBERG,
STEVE HYTNER, J. C. QUINN, EMMAH SHENAH, ALBERT NELSON, SHAWN NELSON, EMILY CONFORTO.
Música: DAVID C. WILLIAMS, DENNIS MICHAEL TENNEY.
Fotografia: RICHARD CLABAUGH, BRUCE DOUGLAS JOHNSON.
Co-produção: RAQUEL CABALES MAXWELL.
Montagem: SONNY BASKIN.
Desenho de produção: CLARK HUNTER.
Produção executiva: W. K. BORDER, DON PHILLIPS.
Produção: JOEL SOISSON.
Escrito e dirigido por GREGORY WIDEN.
Estréia no RJ:
Sinopse e comentário.
Suspense sobrenatural. Ex-sacristão que abandonou a Igreja depois de
perder a fé, o policial Thomas Dagget se vê envolvido num estranho caso ao ser procurado por um
certo Simon, que demonstra conhecer seu passado para logo depois desaparecer. Em seguida, a
descoberta de uma Bíblia antiga, contendo trechos não revelados do Apocalipse de São João
(relatando uma segunda guerra entre os anjos contra a decisão de Deus em dar uma alma aos
homens), entre os pertences de um morto cujo organismo não condiz com o de um ser humano,
acabará levando-o até a cidadezinha de Chimney Rock, no Arizona, local da recente morte de um
coronel associado a experiências brutais e crimes de canibalismo. Enquanto conhece Kathleen, a
professora local preocupada com a inexplicável moléstia que atingiu uma de suas alunas, Dagget
virá a saber que a guerra anunciada na Bíblia de São João não apenas é real, mas que seu
principal artífice, o arcanjo Gabriel, está entre os homens em busca da mais cruel das almas
para utilizá-la como arma num conflito que poderá transformar o paraíso num segundo inferno.
Já se disse que não há fonte melhor do que a Bíblia para histórias de
terror. Estão aí para provar filmes como A Profecia e agora este Anjos Rebeldes,
que foram buscar no livro sagrado não apenas elementos para uma trama criativa e densa, mas
também poderosos personagens como o arcanjo Gabriel (interpretado com cinismo, e algum desleixo,
pelo ótimo Christopher Walken) e o próprio Lúcifer, o anjo caído, o diabo, o demo, o coisa ruim.
O diretor / autor Gregory Widen, que tem currículo pouco recomendável (cometeu algumas das
seqüências de Highlander), não desperdiçou o material que tinha em mãos, embora pelo
resultado a impressão é a de que ele é bom de papel e ruim de câmera. O trabalho de direção em
Anjos Rebeldes é rasteiro e convencional, e parece que se está diante de um telefilme.
Contribui para isso a presença apagada do protagonista Elias Kotea, que em nenhum instante
transmite o conflito de seu personagem, desaparecendo diante dos carismáticos Walken e Eric
Stoltz, e até de Viggo Mortensen, que depois viria a ser o guerreiro-herói de O Senhor dos
Anéis.
Mas o filme termina sendo de algum interesse, com sua parábola sobre até
onde pode chegar o ciúme dos filhos mais velhos (os anjos) em relação ao amor dos pais (Deus)
pelos filhos caçulas (os homens, que Gabriel chama desdenhosamente de "macacos falantes"). É
curiosa também a posição de Deus diante de tal malcriação, pois limita-se a virar as costas aos
anjos ("Ele não fala mais comigo", responde Gabriel, quando Dagget pergunta por que, no lugar de
promover uma guerra, o arcanjo não tentou conversar com Deus). Também não se fica alheio a
seqüências como a do documentário sobre o coronel morto, um verdadeiro diabo, e o violento
encontro entre Lúcifer e Gabriel, bem como suas sinistras figuras de preto. Poderia ser um
grande filme.
(M.L.)
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