Badkonke Sefid,
Irã, 1995.
Com AÏDA MOHAMMADKHANI, MOHSEN KALIFI, FERESHTEH SADR ORFANI,
ANNA BORKOWSKA, MOHAMMAD SHAHANI, MOHAMMED BAKHTIAR, ALIASGHAR SMADI, HAMIDREZA TAHERY,
ASGHAR BARZEGAR, HASAN NEAMATOLAHI, BOSNALI BAHARY.
Fotografia: FARZAD JADAT.
Montagem e desenho de produção: JAFAR PANAHI.
Escrito por ABBAS KIAROSTAMI,
de uma idéia original de JAFAR PANAHI e PARVIZ SHAHBAZI.
Produção: KUROSH MAZKOURI.
Direção: JAFAR PANAHI.
Estréia no RJ:
Sinopse e comentário.
Drama. Faltando pouco mais de uma hora para a passagem de ano, uma
menina tenta convencer a mãe a comprar, para a comemoração, um novo peixe dourado. A mãe se
nega, pois já possuiriam tais peixes em casa. Alegando que o da loja era mais bonito e mais
gordo, a menina implora pela compra, mas a mãe permanece irredutível. A tristeza da menina
comove o irmão, que finalmente convence a mãe a dar o dinheiro para a compra do peixe. Durante
o percurso até a loja, o que seria um ato rotineiro se mostra uma travessia com muitos
obstáculos a superar.
Com um argumento que aparentemente seria incapaz de gerar maiores
reflexões, Jafar Panahi fez uma obra comovente. A partir de fatos e figuras simples, consegue
aflorar a nossa dureza, ao mesmo tempo em que brada aos nossos olhos a sua fé.
A dureza que surge durante o filme não é a dureza de personagens, mas a
dureza dos telespectadores. Panahi brinca conosco. A cada novo obstáculo, a cada novo personagem
que surge, nos inquietamos na cadeira e temos, de imediato, a vontade entrar no filme e gritar:
"Ei, menina, saia daí, que você está correndo perigo"; "Cuidado com esse homem"; e "Como você
tem coragem de tratar uma menininha de sete anos com olhos tão tristes desse jeito?" Até que, a
seguir, Panahi nos mostra o quão traidores nossos olhos podem ser. Da mesma forma, mostra que o
que encanta a um primeiro olhar, pode ser mera ilusão de ótica. Caímos sucessivamente na
armadilha de Panahi.
Não seria uma temeridade dizer que O Balão Branco é um tratado.
Um sensível tratado em forma de obra de arte. O balão branco que tremula solitário no bastão de
um menino é uma simbólica bandeira que pede paz para uma região que há séculos faz de conflitos
sua dolorosa rotina. Talvez mais que uma bandeira que pede paz para uma região, o balão
represente toda esta esfera achatada nos pólos e o desejo de que toda ela viva em paz. Panahi
fez a sua parte mostrando que acredita. Na verdade, o filme bem poderia se chamar "Eu ainda
acredito no ser humano", e, apesar dos preconceitos aos quais sucumbi, eu também.
(Cláudio Beserra)
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