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Bem me Quer, Mal me Quer


À la Folie... Pas du Tout,
França, 2002..


Com AUDREY TATOU, SAMUEL LE BIHAN, ISABELLE CARRÉ, CLÉMENT SIBONY, SOPHIE GUILLEMIN, ERIC SAVIN, MICHÈLE GARAY, ELODIE NAVARRE, CATHERINE CYLER, MATHILDE BLACHE, CHARLES CHEVALIER, MICHAEL MOUROT, YANNICK ALNET.

Música: JÉRÔME COULLET. Fotografia: PIERRE AÏM. Montagem: VÉRONIQUE PARNET. Desenho de produção: JEAN-MARC KERDELHUE. Produção executiva: DOMINIQUE BRUNNER. Produção: CHARLES GASSOT. Escrito por LAETITIA COLOMBANI, CAROLINE THIVEL. Direção: LAETITIA COLOMBANI.

Estréia no RJ: 12.09.2003.






Sinopse e comentário.



    Mulheres apaixonadas. Trabalhando como garçonete para financiar o curso de artes plásticas, a jovem Angélique é apaixonada pelo vizinho da casa à qual foi contratada para tomar conta, enquanto os donos viajam. Loïc Le Garrec, o vizinho, é um cardiologista bem casado, e a gravidez da esposa é vista como mais um impedimento para o obsessivo amor de Angélique, cujo comportamento se tornará cada vez mais bizarro à medida que os desencontros se sucedem.


    Escrito com a pretensão de surpreender quem assiste e exibir a genialidade de quem escreve, o roteiro de Bem me Quer, Mal me Quer de fato revela que seus autores dedicaram-se com afinco a conceber todos os detalhes que nos são omitidos ou sugeridos na primeira metade do filme, para serem explicados na parte posterior, em que a narrativa retorna sob outro ponto de vista. Tudo se torna, então, um quebra-cabeças onde vão se encaixando as peças que faltam para ver a imagem completa.


    Deve-se, no entanto, deixar claro: é um quebra-cabeças de poucas peças. Entusiasmada com a idéia tinha em mãos, a diretora e co-autora Laetitia Colombani deu-se por satisfeita e tocou o filme. Chamou a atriz mais adequada para fazer Angélique (a esquisitinha Audrey Tatou, de O Fabuloso Destino de Amélie Poulan), meteu na narrativa alguns cacoetes moderninhos e televisivos, como a câmera rápida e os "fade ins" e "fade outs" (efeitos em que as figuras vão aparecendo ou desaparecendo), e decorou tudo como se a ação transcorresse num quarto de bebê, de tão combinados estão os elementos de cada cenário.


    A surpresa em ver que não se trata de uma obra explorando a vida da "outra" num relacionamento amoroso, mas de uma abordagem original de uma psicopatologia, não é sustentada porque falta aquilo que seria essencial para que Bem me Quer... funcionasse: a emoção. Na busca quase desesperada em impor um estilo, Laetitia Colombani realizou um filme frio, sem dar a seus personagens a atenção que eles mereciam. Não há dramaticidade, os diálogos são todos superficiais e as seqüências rápidas buscam uma economia e objetividade tão excessivas que se tornam prejudiciais ao desenrolar da história.


    Para chegar aonde pretende, o roteiro toma atalhos perigosos e comete desleixos como não dar vida aos personagens secundários (os amigos de Angélique e a esposa de Loïc estão ali apenas para executar rigorosamente suas funções; não faria diferença se fossem substituídos por chimpanzés amestrados do circo); recorrer a imagens óbvias (como a do bonsai que se deteriora) para ilustrar o estado da protagonista; e, principalmente, forçar a barra em ocasiões como o encontro final entre Angélique e Loïc (ele jamais viraria as costas como fez). Verdade que muitas das coincidências funcionam e são de uma deliciosa ironia, mas esta mesma ironia fracassa no final alegrinho e previsível. Destaque para a trilha sonora. (M.L.)





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