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Os Bons Companheiros


Goodfellas,
EUA, 1990.



Com RAY LIOTTA, ROBERT DE NIRO, JOE PESCI, LORRAINE BRACCO, PAUL SORVINO, FRANK SIVERO, TONY DARROW, MIKE STARR, FRANK VINCENT, CHUCK LOW, FRANK DiLEO, GINA MASTROGIACOMO, CATHERINE SCORSESE, SUZANNE SHEPHERD, DEBI MAZAR, MARGO WINKLER, CHRISTOPHER SERRONE.


Produção executiva: BARBARA DE FINA. Baseado no romance Wiseguy, de NICHOLAS PILEGGI. Roteiro: NICHOLAS PILEGGI & MARTIN SCORSESE. Fotografia: MICHAEL BALLHALS. Montagem: THELMA SCHOONMAKER. Produtor associado: BRUCE PUSTIN. Desenho de produção: KRISTI ZEA. Abertura: ELAINE & SAUL BASS. Produção: IRWIN WINKLER. Direção: MARTIN SCORSESE.

Estréia no RJ:




Sinopse e comentário.



    Filme de gângster. As limitações de uma vida modesta desde cedo fizeram o menino Henry Hill sonhar com o mundo aparentemente fácil e glamuroso do crime, e fazer tudo para estar próximo do gângster Paulie Cicero, o chefão mafioso local. Sem o conhecimento dos pais, Henry acaba indo trabalhar para Paulie fazendo pequenos serviços como entregador, e logo estaria participando da venda de mercadoria roubada, inclusive sendo apresentado a Jimmy Conway, criminoso considerado uma lenda e por quem seria contratado. A vidinha medíocre de até então logo iria ser substituída por privilégios, respeito e o reconhecimento da vizinhança, sem contar com o dinheiro que ia acumulando. Aos 21 anos, Henry era o caçula da quadrilha de Jimmy, que tinha também como membro o temperamental Tommy. E é graças a Tommy que Henry irá conhecer a judia Karen, com quem irá se casar, e de quem a princípio esconderá a verdadeira fonte da riqueza que ostenta. Juntos, os três "bons companheiros" participarão de bem sucedidos assaltos a cargas aéreas, lidarão com os excessos de Tommy e acabarão sendo presos. É nesse instante da vida de Henry que ele começará a lidar com tráfico de drogas, o que continuará fazendo ao sair da cadeia, ainda que sob a proibição do chefão Paulie. As circunstâncias e a cobiça acabarão por fazer com que o grupo vá aos poucos se desmontando, e não tardará o dia em que Henry terá em risco não apenas a própria vida, mas também a de sua esposa.


    O cinema policial contemporâneo deve muito a este filme. De Quentin Tarantino até o brasileiro Cidade de Deus, o espectador irá fatalmente encontrar, na narrativa violenta cujo realismo muitas vezes parece absurdo (e chega mesmo a fazer rir, um riso nervoso de incredulidade e espanto) um pouco de Os Bons Companheiros. Investindo mais uma vez no tema que lhe é caro, a inadequação e a sobrevivência num meio hostil (que tanto pode ser a Jerusalém de A Última Tentação de Cristo, quanto a Nova York de quase todos os filmes do diretor), Martin Scosese confirma sua capacidade em variar de gêneros cinematográficos para perseguir sua paixão / obsessão em focalizar esse relacionamento entre o homem e o meio, e assistir a forma como reage a sociedade a esse conflito. "O estilo de vida reflete o tempo", disse Scorsese à época. E é através do tempo (o filme cobre quase 30 anos da história americana) que se vê o quanto de inocência existe em cada época, e o quanto essa mesma inocência, ao ser perdida, expõe a fragilidade das relações.


    Narrador como poucos, Scorsese sabe como transmitir sensações sem cair nos excessos. Sem qualquer close e numa rápida cena, mostra o interesse de Henry por uma amiga de sua amante, e suas seqüências de explosão jamais duram mais do que o necessário, evitando quaisquer recursos estilísticos. Ao contrário do que vêm fazendo a maioria dos cineastas, Scorsese entende que uma cena é parte de um todo e, contribuindo para o bom funcionamento de um filme, está a ele subordinada. Hoje vê-se diretores bajulados, e com muito tempo de estrada, como Steven Spielberg ou Brian De Palma, construindo filmes em cima de apenas uma ou duas cenas. O que leva-nos a perguntar por que então não passam a dirigir curtas metragens.


    No elenco, embora estejam ótimos os personagens de Ray Liotta (que apareceria melhor ainda em Cop Land, também contracenando com Robert De Niro) e Lorraine Bracco, não há como não destacar a atuação de Joe Pesci. Seu Tommy é engraçado e violento, mas, principalmente, imprevisível. Sempre uma bomba prestes a explodir, Tommy não se furta a, entre uma piadinha e outra, estilhaçar uma garrafa na cabeça de um garçom, ou atirar em outro. A destacar, ainda, a trilha sonora repleta de canções de época (encerrando com o punk Sid Vicious cantando uma versão de My Way), bem como a direção de arte, que acompanha através dos cenários, do figurino, dos carros, a passagem dos anos. A registrar, como curiosidade, a ponta de Samuel L. Jackson como um dos bandidos. (M.L.)










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