Brasil, 2003.
Com LUIZ CARLOS VASCONCELOS, MILTON GONÇALVES,
IVAN DE ALMEIDA, AILTON GRAÇA, MARIA LUISA MENDONÇA, AÍDA LEINER, RODRIGO SANTORO, GERO CAMILO,
LÁZARO RAMOS, CAIO BLAT, WAGNER MOURA, JULIA IANINA, SABRINA GREVE, FLORIANO PEIXOTO,
RICARDO BLAT, VANESSA GERBELLI, LEONA CAVALLI, ANTÔNIO GRASSI, RITA CADILLAC.
Baseado no livro Estação Carandiru,, de DRÁUZIO VARELA.
Montagem: MAURO ALICE.
Música: ANDRÉ ABUJAMRA.
Direção de arte: CLÓVIS BUENO.
Fotografia: WALTER CARVALHO.
Roteiro: VICTOR NAVAS, FERNANDO BONASSI, HECTOR BABENCO.
Produtor associado: DANIEL FILHO.
Co-produção: FLÁVIO R. TAMBELLINI, FABIANO GULLANE.
Produção e direção: HECTOR BABENCO.
Estréia no RJ: 11.04.2003.
Sítio oficial: http://www.carandiru.com.br
Sinopse e comentário.
Drama carcerário. Médico chega ao Presídio do Carandiru, em São
Paulo, para fazer uma campanha de prevenção contra a AIDS junto aos detentos. Essa iniciativa
aproxima-os, criando laços de amizade. A aproximação faz com que os detentos relatem as suas
vidas pré-presídio para o doutor. Além de confidente, ele se torna testemunha de novos fatos que
envolvem a vida dos presos até o dia em que acontece o massacre.
Adaptação do livro Estação Carandiru do Dr. Drauzio Varella,
Carandiru, de Hector Babenco, é um filme essencialmente político. Contando com um elenco
muito bem escolhido, e recheado por novos valores, Babenco faz a denúncia do sistema carcerário
brasileiro e nos leva a pensar se instituições que deveriam recuperar criminosos têm realmente
este fim, e, se têm, certamente não o cumprem.
O maior mérito do filme, além da própria denúncia e do elenco, está no
fato de Babenco não ter se rendido ao uso da violência como espetáculo - algo tão comum em
filmes que abordam tais questões. O foco está sobre as narrativas das vidas dos presos, e mesmo
na cena do massacre, a violência estampada na tela, certamente, é bem menor do que a que
realmente foi empregada pelos policiais. Quem for ao cinema buscando saciar os seus olhos de
violência irá se decepcionar. O filme não se propõe a isso. O seu papel é político, e é maior.
Cumpre-o bem.
Mas o filme peca na tentativa de fazer dos detentos retratados um grupo
quase hermético. Isto parece não ter sido a melhor opção. Não era necessário, pois as histórias
são particulares, mas já que optou-se por isso, parece faltar um elo mais sólido. O pecado
maior reside em que, em determinados momentos e caracterizações, Carandiru não foge ao
óbvio. Dentre esses momentos e caracterizações, a mais gritante é a tentativa de amenização dos
erros dos detentos. O livro e, em conseqüência o filme, se baseia exclusivamente no relato dos
presos, isso talvez explique esse fato. No entanto, como bem frisou um personagem ao ser
perguntado pelo doutor sobre o motivo de estar preso, todos ali se dizem inocentes, e todos
mentem. Não que não possam haver injustiças. Certamente elas ocorrem e, além disso, nenhum ser
humano merece ser mantido naquelas condições, mas essa caracterização faz com que o espectador
se afeiçoe à maioria dos detentos. Personagens que poderiam criar um misto de paixão e repulsa,
criam apenas paixão, ou melhor, compaixão. No fim, o que acontece aos que se mantém vivos e
presos até o dia do massacre e pelos quais criamos afeição, nos remete novamente ao óbvio. Mas,
apesar dos pequenos "senões" o saldo é positivo.
(Cláudio Beserra)
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