Casseta e Planeta A Taça do Mundo É Nossa
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Brasil, 2003.
Com CASSETA & PLANETA (BETO SILVA, BUSSUNDA, CLAUDIO MANOEL,
HELIO DE LA PEñA, HUBERT, MARCELO MADUREIRA, REINALDO), MARIA PAULA, DEBORAH SECCO,
TONI TORNADO, CARLOS ALBERTO TORRES, JAIRZINHO.
Roteiro: CASSETA & PLANETA.
Fotografia: ADRIANO GOLDMAN.
Montagem: SÉRGIO MEKLER.
Direção de arte: GUALTER PUPO.
Trilha sonora: TOM CAPONE, LULA BUARQUE DE HOLLANDA E
CASSETA & PLANETA.
Música incidental: ANDRÉ MORAES.
Produção executiva: RÔMULO MARINHO.
Produtor associado: BRENO SILVEIRA.
Produção: MANFREDO GARMATTER BARRETTO,LEONARDO MONTEIRO DE
BARROS e LULA BUARQUE DE HOLLANDA.
Direção: LULA BUARQUE DE HOLLANDA.
Estréia no RJ: 07.11.2003.
Sinopse e comentário.
Comédia. Brasil, 1970. Ao mesmo tempo em que comemora a vitória do
tricampeonato mundial de futebol, o país amarga um período de violenta ditadura militar.
Reunidos por diferentes razões numa churrascaria, o militante de esquerda Frederico Eugênio, o
cantor Peixoto Carlos e o ecoterrorista Denílson vêem-se envolvidos no atentado contra o general
Miranda Imbirussú, e com isso tornam-se perseguidos pela polícia. Ao mesmo tempo em que procuram
um esconderijo (e seguidos de perto, sem saber, por Lucy Ellen, filha do general, que sentiu-se
atraída por Frederico Eugênio), o trio decide-se pela realização de um grande ato contra a
ditadura: o roubo da Taça Jules Rimet, recém conquistada pela seleção brasileira de futebol.
Quem acompanha a carreira do grupo humorístico Casseta & Planeta sabe
que não é de hoje que eles querem fazer um filme. Agora que a espera chegou ao fim, pode-se
perguntar se valeu a pena. A Taça do Mundo é nossa parte de um fato que realmente
aconteceu (o roubo da taça Jules Rimet) para fazer graça com a história recente do país. A idéia
é ótima e desperta a curiosidade pelo desempenho dos oito humoristas longe dos esquetes curtos e
da tela pequena, e de todos os vícios a esta inerentes.
Pois é aí que começam os problemas. A mudança de veículo não veio
acompanhada da necessária mudança de linguagem, e o que se vê na tela grande em nada difere do
que se veria na pequena. O filme é uma coleção de piadas, algumas ótimas, nem sempre bem
costuradas. O roubo da taça e o período histórico, pouco aproveitados, tornam-se apenas pretexto
para um humor que oscila entre o debochado e o grosseiro, voltado para um público em sua maioria
adolescente. Daí as referências a drogas, gases, sexo, em diálogos carregados de um feroz duplo
sentido. Isso tudo narrado, dirigido e fotografado da maneira mais convencional e televisiva
possível. Não se trata, em nenhum momento, de uma adaptação cinematográfica, mas de TV exibida
em telão. Que, daqui a um ano, será exibida na TV.
Mas A Taça... tem acertos que valem a ida ao cinema. Um deles é
o fato de que o grupo é realmente engraçado, e as caracterizações dos personagens aumentam isso.
Como Peixoto Carlos (ou como o "rei", Roberto), Hubert está hilário cabeludo e vesgo. Hélio de
la Peña faz um viciado que fuma barata, bolsa de palha, sanduíche e o que lhe colocarem à
frente, e a cena em que aparece em transe, com boca cheia de fumaça, é memorável. Marcelo
Madureira começa o filme genial como Dolores, a rigorosíssima esposa do general ("Garçom,
aquela vaca está pingando no meu marido" ), personagem que, como os demais (e como o
roteiro), não recebeu o desenvolvimento que merecia.
Pode-se dizer, assim, que, descontadas as ressalvas, a espera valeu. O
primeiro filme do Casseta e Planeta é divertido (não se pode dizer que seja despretensioso) e,
apesar das musiquinhas e da propaganda do desodorante, não aborrece. Tem momentos antológicos
como a partida de futebol entre militares e sindicalistas, frases que são um achado ("Mataram
minhas galinhas! Será que eles não têm limites?" ) e - que mais se pode esperar de uma
comédia? - faz rir. Quanto à insistente comparação com os ingleses do Monty Python, isso é
coisa de jornalista querendo exibir um conhecimento que não tem. Os dois grupos estão tão
distantes quanto o Brasil está da Inglaterra. Para comentar tal disparate, melhor utilizar um
bordão dos próprios Cassetas: "Ah, fala sério".
(M.L.)
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