Misto de seção de cartas, livro de
recordações, agenda, diário, mural de recados, livro-caixa, manual
do escoteiro, guia de viagem, lista de compras, bloco de anotações,
caderninho de telefones.
"Outra coisa não temos sugerido aos estudantes de comunicações
que nos perguntam: que fazer diante dos monopólios da mídia neste país?
Cotizem-se, lancem seu jornalzinho, abram sua rádio,
montem até sua estaçãozinha comunitária de TV.
Neste novo tempo que se descortina, sigamos a sabedoria dos mais velhos:
abriu uma fresta na porta?, ponha o pé, que pelo menos
fechar ela não fecha mais."
Mylton Severiano, revista Caros Amigos, janeiro de 2003.
No domingo 22 de dezembro de 2002, aos 50 anos de
idade, John Graham Mellor morreu de ataque cardíaco em sua casa em Somerset, no oeste
da Inglaterra. Mas quem é esse cara?
Mais conhecido como Joe Strummer - apelido que recebeu por tocar "ukelele"
(cavaquinho) nas ruas de Londres -, em 1976 ele foi um dos fundadores, e, junto com
Mick Jones, a principal cabeça do grupo punk The Clash.
Na segunda metade dos anos 70, em meio a uma Londres marcada pelo desemprego e pelo
conservadorismo e cuja trilha sonora era baseada no virtuosismo das bandas de rock
progressivo e no discurso politicamente vazio do glam rock. O punk rock surgiu
como um grito de rebeldia, de "basta!" a tudo isto, e tornou-se a voz dos jovens e
dos trabalhadores londrinos. Não foi uma questão apenas de alterar a sonoridade
musical, mas de insatisfação com o contexto político e social. Os jovens que queriam
mudar o mundo, e, dessa vez, o punk era a trilha sonora.
The Clash, nome inspirado na sala de torturas do romance 1984, de George
Orwell, iniciou a sua carreira abrindo os shows do Sex Pistols, em sua primeira
turnê, Anarchy in The U.K. , e gerou um forte impacto em todo o Reino. Mas,
diferentemente de seus compatriotas, o Clash não se limitou a tocar três acordes e à
rebeldia sem causa. Buscando sonoridades além do punk rock, fundiu vários estilos
musicais - reggae, dub, funk pop, ska, jazz, rockabilly e rhythm and blues -, abrindo
o caminho para a new wave; e, com uma mensagem política de esquerda (Strummer havia
sido militante do Partido Comunista), elevou o punk ao cenário principal da música.
Pode parecer contraditório, mas exatamente por não ser um grupo tipicamente punk, por
ser um pouco diferente do que esperavam de um grupo assim, o Clash se tornou a melhor
de todas as bandas de Punk Rock, e uma grande influência para diversos músicos, de
diversos estilos.
Seu primeiro disco, The Clash, de 1977, foi definido pela revista Rolling
Stone como o "disco punk definitivo". Ao mesmo tempo em que era uma crônica daquele
período amargo na Inglaterra, negava ídolos "intocáveis" do rock. Em seu primeiro
single "1977", cantou "No Elvis, no Beatles or Stones!". Em 1978, lançam
Give ´Em Enough Rope. Assim como o primeiro, ainda é um disco preso ao punk
básico, rude e rebelde como o seu visual (calças rasgadas, alfinetes na orelha, o
cabelo espetado), enérgico e direto. Mas, o álbum seguinte, o duplo London
Calling, de 1979, é absolutamente um clássico.
Com uma crítica mais elaborada e repleto de
sonoridades diferentes, London Calling, o disco, tornou-se o maior sucesso
comercial da banda, e London Calling, a música, tornou-se um hino do movimento
punk. Era "Londres Chamando". Impossível não responder.
London Calling é muito ousado. E não falo apenas quanto à sonoridade e à
crítica social e política. Era inconcebível imaginar que uma banda punk pudesse
lançar um álbum duplo. Além disso, a venda do disco ao preço de um álbum simples,
deixava marcada a postura social da banda. London Calling foi eleito, com
justiça, por críticos de todo o mundo como um dos dez mais importantes discos de rock
da história. Simplesmente indispensável.
Não satisfeitos, e alheios às críticas, lançam um álbum triplo, vendido ao preço de
duplo. Sandinista! , de 1980, elevou o experimentalismo ao extremo. Em termos
de sonoridade, foram utilizados "dubs" e instrumentos de sopro. Politicamente,
bastava o título, uma explícita alusão ao movimento guerrilheiro da Nicarágua, para
demonstrar a ousadia, mas eles foram além, e fizeram shows em que a renda era
revertida para o movimento guerrilheiro. Era demais. Na época, o disco foi um
fracasso. Hoje, é um outro clássico.
Em 1982, lançam Combat Rock, que inclui entre as suas músicas, Should I
stay or should I go? , provavelmente o maior sucesso da banda no Brasil, que em
1991 foi usado em um comercial da Levi's, o que ajudou, a torná-la mais conhecida.
Com esse disco, acompanharam o The Who em uma turnê americana. Foram acusados então
de terem se tornado tudo o que negavam. Durante a turnê, eram ininterruptamente
vaiados pelo público. Àquela altura, Mick Jones e Joe Strummer já praticamente não se
falavam, e Jones acabou "saindo" da banda. Anos mais tarde, Strummer confessaria que
teria apunhalado Jones pelas costas.
Em 1986, sem Jones, The Clash lança seu último disco Cut the Crap, que foi
execrado por crítica e público. Um retumbante fracasso. Era o fim do Clash, mas pelas
paredes de Londres ainda era possível ler "Punk's not dead" (o punk não morreu).
Depois do fim da banda, Mick Jones montou o Big Audio Dinamite, bem menos político
que o Clash, e Joe Strummer se envolveu com uma série de projetos, que incluíram uma
passagem pelos Latino Rockabilly War, e uma participação no The Pogues. Participa
ainda, como ator, dos filmes Walker e Straight To Hell, de Alex Cox, e
Mystery Train, de Jim Jarmusch, e supervisiona a trilha sonora do filme Sid
and Nancy. No fim dos anos 1990, montou uma nova banda, The Mescaleros, e, em
novembro passado, tocou em um concerto beneficente com Mick Jones. Era a primeira vez
que se apresentava com seu ex-parceiro em 20 anos.
Atualmente trabalhava com Bono Vox, do U2, e com Dave Stewart, do Eurythmics, em uma
canção em homenagem ao ex-presidente sul-africano Nelson Mandela. A canção chama-se
48864, que era o número de Mandela na prisão, e executada no dia 2 de
fevereiro, num concerto beneficente para as vítimas da AIDS, em Robben Island, local
onde Mandela ficou preso durante o regime do apartheid (doações para
www.mandelasos.com). Strummer deixa mulher, duas filhas e uma enteada.
The Clash não era niilista e rebelde sem causa,
como o Sex Pistols. Eles, e principalmente Strummer, vocalista, guitarrista e
compositor da maioria dos hits da banda, eram idealistas e acreditavam que as artes
eram um caminho para mudar o mundo. Se destacaram pela postura engajada e por suas
letras críticas recheadas de elementos da política de esquerda. Mas não ficavam só na
retórica, organizando shows de rock com propósitos políticos, anti-racismo e
socialmente solidários.
O fato de Joe Strummer ser um filho da classe burguesa londrina (seu pai era um
diplomata) e de ter estudado nas melhores escolas, longe portanto do imaginário
operário, não o impediram de ser, politicamente, o mais engajado de todos. Mesmo após
o fim da banda ele não calou a sua arte da revolta. "Gritar todos sabem, gritar de
forma esteticamente válida é toda uma outra coisa", dizia. (Cláudio
Beserra)
"O Eminem é a cara do Belo."
Cláudio Beserra, por e-mail
O LEITOR SE MANIFESTA:
Atenção, leitor. Se porventura o editor deste sítio vier a aparecer morto
amanhã, no meio da rua, com o corpo crivado de broches do A-Ha e a cabeça atingida por um
objeto contundente (como uma pesada agenda entupida de fotos da banda norueguesa), os
textos a seguir são uma boa dica de quem poderá ser o culpado.
As duas mensagens foram enviadas no final do mês de janeiro desse ano. A segunda, devido ao
tamanho tomamos a liberdade de editar. Mas o leitor pode lê-la na íntegra no sítio do fã-clube da
banda, em www.ahafan.cjb.net. Divirtam-se.
Olá Mauricio
Por que vc não vai fazer piadinha com a sua família ao invés de falar do A-ha??
Se não tem o que falar, simplesmente não abra a boca pra falar #$%&***!!!!!!!!!!
Bem que um amigo meu falou: "cisco só serve pra incomodar mesmo!!" ele está certíssimo, e
olha que esta frase não é piadinha não, é um comentário inteligente....coisa que até agora
não vi em suas palavras!!
Espero que cresça intelecutalmente se deseja continuar a escrever!
Adriana Harket
CANALHICE JORNALÍSTICA REVELANDO AUTO-INSUFICIÊNCIA:
O CASO MAURICIO LIMEIRA...QUEM ???
Dentre todas as baboseiras publicadas pela imprensa nacional sobre o a-ha, especialmente em
2002, a trunfo número um vai para a que Mauricio escreveu (...)
Para entender as ações - e a escrita - de Mauricio é preciso voltar ao passado para explicar o
presente - tudo é consequência.Um dia, Mauricio pulou da cama achando que seria popstar. E foi
à luta : poliu os centavos, formou uma bandinha de garagem, arrumou uns amiguinhos de colégio -
o Bernardo Araújo ( O Globo) , Bruno Agostini (Jornal do Brasil), Massari (MTV), Daniel Motta
( Revista Zero) e ficaram sob supervisão de Cláudia Assef (Folha de São Paulo). Mas não tardou
para que os vizinhos começassem a berrar insistentemente : " Cala essa porcaria!" .E mais :
"Cala ou chamaremos a polícia!!!" Dia após dia, a cada tentativa de seguir carreira, os
protestos continuavam , e não deu mais.A "porcaria" eram os vocais de Mauricio que, covarde,
não teve peito para seguir na luta. Abaixou a cabeça e...calou, como ordenaram os vizinhos.
Foi o fim precoce de um sonho. Como passou muito tempo deprimido, o pai, em apoio, poliu mais
centavos e pagou ao pobre Mauricio um cursinho pré-vestibular : " meu filho, tente ser...
jornalista". E Mauricio animou-se com a idéia.Conseguiu a pontuação mínima para passar
arrastado numa faculdade paga do Rio. Quando foi trabalhar, um tio amigo de um redator de
jornal, pediu que apoiassem Mauricio, pois este tinha tendência a ficar tristinho quando não
conseguia seus intentos. Só que , o que ninguém sabia, era que Mauricio ainda queria ser
popstar...Mas este segredo, estava guardado com ele, ninguém mais sabia.
(...)
Na noite de 16 de agosto de 2002, Mauricio, a mando do chefe da redação, tinha que cobrir o
show carioca do a-ha. (...) Espumava de ódio ao perceber que o norueguês Morten ( a Noruega
fica no norte da Europa, Mauricio, não na Argentina...nem pra geografia, cara?) era extamente o
que ele , Mauricio, remoía em suas entranhas : "É isso, é isso, é isso que eu queria ser! Era
esse talento que era para ser meu... são esses agudos, esses graves, esse visual, essa vibração
da platéia, essas pessoas todas à minha volta, me assediando,gritando por mim...Era isso que eu
queria!
(...)
Sentiu-se ameaçado mais uma vez com Morten Harket , tendo a necessidade de transferir aos outros
fãs homens presentes no show um possível homossexualismo seu reprimido que acabou escancarado
quando Mauricio imaginou todos aqueles homens em assédios a Morten. Menos ele, pois Mauricio
era o único macho do lugar.Mas foi Morten Harket quem fez assumidamente quatro filhos !!! E
Mauricio sentiu-se down com isso também: era agora menos homem ,pois não fez nenhum.
Todo o espumar de desgostos, ódio e raiva ainda não eram suficientes. Mauricio reuniu todas as
suas "forças" e , já em casa, diante do computador,deu lugar a toda baixaria, canalhice e
mau-caratismo que pudese dar - resultando mais uma vez na mediocridade tão comuns aos
incompetentes.
(...)
Se toda uma brutalidade não consegue ser contida ao simples mencionar do show sobre uma
banda - e nem vem mais ao caso aí que banda seja - meu caro, o caminho para de repente dar um
tiro em alguém é muito estreito.É assim, do nada, do que seria uma noite de alegria que as
tragédias ocorrem.
(...)
E o que fica para cada fã do a-ha que a ler é o sentimento de pena. Nas profundezas do que
escreve, existe uma pessoa profundamente infeliz , que sequer sabe lidar com suas revoltas
pois, repito, a forma brutal como o a-ha e seus fãs são atingidos, excede ao que é normal.
Ninguém precisa ser profissional de saúde para constatar isso. Em 16 anos de acompanhamento da
banda a cada passo, mesmo dentre as críticas mais fortes, jamais vi tamanha brutalidade.A
escrita jorra os venenos internos ,mas isso tem retorno . E começa ao constatar que o próprio
texto de Mauricio não passou de uma fraude. Mauricio e todos que seguem essa linha expõe-se ao
ridículo, demonstrando como um ser humano pode chegar a ser insignificante em certas
circunstâncias. Só. E para a auto- depreciação humana de Mauricio & Co., apenas um sentimento
igualmente miserável : pena.
(...)
Patricia Cezar, em respeito ao a-ha , seu público brasileiro e internacional.
A imagem abaixo foi encaminhada pela leitora Malu Barros, de Santo André, SP. Alguém precisa
apresentar o cirurgião da Kelly Key pro Michael Jackson.