Misto de seção de cartas, livro de
recordações, agenda, diário, mural de recados, livro-caixa, manual
do escoteiro, guia de viagem, lista de compras, bloco de anotações,
caderninho de telefones.
O fim das ideologias foi decretado nos bunkers
acadêmicos há alguns anos, mas as ideologias aí estão, firmes, intactas. E
profundamente sectárias. Impenetráveis à argumentação contrária ou à possibilidade
de resultantes. E não poderia ser diferente: quanto maior a complexidade dos
fenômenos, mais necessárias as simplificações e reduções; quanto mais intensa a
aparelhagem da comunicação, maior a quantidade dos sacos de areia e mais sólidas as
trincheiras intelectuais.
Alberto Dines, no Observatório da Imprensa.
Desacreditada depois que os Estados Unidos
invadiram o Iraque à sua revelia, a ONU cada vez mais parece uma instituição fadada
à tornar-se um enfeite internacional. Coincidência ou não, é sob seu patrocínio que
ocorre, no Centro Cultural da Justiça Federal, no Rio de Janeiro, a exposição
Faces das Nações Unidas, com trabalhos realizados pelo fotógrafo indiano
(residente nos EUA) John Isaac.
Por quase 30 anos (de 1969 a 1998) Isaac percorreu todos os continentes do planeta a
serviço da ONU, capturando com sua câmera desde sensíveis flagrantes do cotidiano de
civilizações distantes, até dolorosos registros dos efeitos da guerra e da miséria em
países desenvolvidos.
Nas quase 50 fotos que compõem a exposição, vê-se desde o sorriso de uma mãe tuaregue
em Mali, até a chocante visão de um menino iraniano que perdeu os membros enquanto
jogava futebol na escola, num campo que havia sido minado quando o Irã foi invadido
pelo Iraque. Imagens cruas, objetivas, com os "modelos" posando para a câmera, de uma
lado, e paisagens belíssimas de outro. Até crianças numa favela carioca Isaac foi
fotografar.
A mostra tem por objetivo "provocar a cumplicidade" e despertar no público algum
sentimento participativo, unindo a estranheza e a identificação com esses povos aos
quais estamos, afinal, unidos. Ficará em cartaz até 11 de maio.
Walter Matthau não morreu. Ele é o Saddam Hussein. E ele e o
George Bush formam um estranho casal.
Marcos André Tavares, por telefone.
E já que falamos em fotografia, é do americano Richard
Avedon a provocante imagem ao lado. Avedon é um dos mais reverenciados
fotógrafos de moda do mundo, embora seus trabalhos variem de um retrato de
Marilyn Monroe à queda do Muro de Berlim. Ele também inspirou o personagem Dick
Avery, que Fred Astaire interpretou no filme Cinderela em Paris, de Stanley
Donen. Em abril, Avedon completou 80 anos de vida.
Ele era o mais carismático e engraçado membro de um quarteto que tinha ainda Renato Aragão (o
Didi), Manfried Santana (o Dedé), e Mauro Gonçalves (o Zacarias). Antônio Carlos Bernardes
Gomes, o Mussum, nasceu no Rio de Janeiro, estudou em colégio interno, foi torneiro
mecânico, militar, e quando fazia parte do grupo musical Os Originais do Samba, foi
convidado pelo amigo Dedé para ingressar nos Trapalhões, onde ficou até morrer.
Mussum era uma figuraça, cachaceiro que vivia se entupindo de "mé" (se surgisse hoje, não
ia faltar quem o acusasse de mau exemplo para o público infantil), e que tinha um jeito muito
próprio de falar, terminando tudo com is: "Cacildis!", "É no forévis!". Se estivesse
vivo, teria comemorado, no dia 7 de abril, 62 anos de idade. Tá fazendo uma falta danada.
O LEITOR SE MANIFESTA:
CAPITALISMO
Encaminhado pela leitora Lídia Roque, do Rio de Janeiro - RJ
CAPITALISMO
IDEAL:
Você tem duas vacas.
Vende uma e compra um touro.
Eles se multiplicam e a economia cresce.
Você vende o rebanho e aposenta-se, rico!
CAPITALISMO
AMERICANO:
Você tem duas vacas.
Vende uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas.
Fica surpreso quando ela morre.
CAPITALISMO
FRANCÊS:
Você
tem duas vacas. Entra em greve porque quer três.
CAPITALISMO
CANADENSE:
Você
tem duas vacas.
Usa o modelo do capitalismo americano.
As vacas morrem.
Você acusa o protecionismo brasileiro.
Adota medidas protecionistas para ter as três vacas do capitalismo
francês.
CAPITALISMO
JAPONÊS:
Você
tem duas vacas.
Redesenha para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal
e produzam 20 vezes mais leite.
Depois cria desenhinhos de vacas chamados "Vaquimon" e os
vende para o mundo inteiro.
CAPITALISMO
ITALIANO:
Você
tem duas vacas.
Uma delas é sua mãe, a outra é sua sogra, maledetto!!!
CAPITALISMO
ENRON :
Você tem duas vacas.
Vende três para a sua companhia de capital aberto usando garantias
de crédito emitidas por seu cunhado. Depois faz uma troca de
dívidas por ações por meio de uma oferta geral
associada, de forma que você consegue todas as quatro vacas de
volta, com isenção fiscal para cinco vacas. Os direitos
do leite das seis vacas são transferidos para uma companhia das
Ilhas Cayman, da qual o sócio majoritário é secretamente
o dono. Ele vende os direitos das sete vacas novamente para a sua companhia.
O relatório anual diz que a companhia possui oito vacas, com
uma opção para mais uma. Você vende uma vaca para
comprar um novo presidente dos Estados Unidos e fica com nove vacas.
Ninguém fornece balanço das operações e
o público compra o seu esterco.
CAPITALISMO
BRITÂNICO:
Você
tem duas vacas.
As duas são loucas.
CAPITALISMO
HOLANDÊS:
Você
tem duas vacas.
Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.
CAPITALISMO
ALEMÃO:
Você tem duas vacas.
Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade
e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa.
Mas o que você queria mesmo era criar porcos.
CAPITALISMO
RUSSO:
Você
tem duas vacas.
Conta-as e vê que tem cinco.
Conta de novo e vê que tem 42.
Conta de novo e vê que tem 12 vacas.
Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.
CAPITALISMO
SUÍÇO:
Você
tem 500 vacas, mas nenhuma é sua.
Você cobra para guardar a vaca dos outros.
CAPITALISMO
ESPANHOL:
Você
tem muito orgulho de ter duas vacas.
CAPITALISMO
PORTUGUÊS:
Você
tem duas vacas.
E reclama porque seu rebanho não cresce...
CAPITALISMO
CHINÊS:
Você
tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas.
Você se gaba de ter pleno emprego e alta produtividade.
E prende o ativista que divulgou os números.
CAPITALISMO
HINDU:
Você
tem duas vacas.
Ai de quem tocar nelas.
CAPITALISMO
ARGENTINO:
Você
tem duas vacas.
Você se esforça para ensinar as vacas mugirem em inglês.
As vacas morrem.
Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano do FMI.
CAPITALISMO
BRASILEIRO:
Você tem duas vacas.
Uma delas é roubada.
O governo cria a CCPV - Contribuição Compulsóriapela
Posse de Vaca.
Um fiscal vem e te autua porque, embora você tenha recolhido corretamente
a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas e não
pelo de vacas reais. A Receita Federal, por meio de dados também
presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro e botões,
presumia que você tivesse 200 vacas e, para se livrar da encrenca,
você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo...
Alguém deveria fazer uma pesquisa pra ver qual a celebridade é mais esculhambada pela
mídia. Duvidamos que o vencedor fosse outro que não o nosso mascotinho favorito, que nas
horas vagas é também presidente dos Estados Unidos. O leitor carioca Aloísio Santos achou
essa brincadeira abaixo e nos enviou.