Misto de seção de cartas, livro de
recordações, agenda, diário, mural de recados, livro-caixa, manual
do escoteiro, guia de viagem, lista de compras, bloco de anotações,
caderninho de telefones.
Deveria ser permanente a exposição que acontece até 1º de
dezembro no Centro Cultural da Justiça Federal, no centro do Rio de Janeiro. O homenageado,
Alberto Santos-Dumont, é caso raríssimo de brasileiro admirado no mundo todo sem nada
ter a ver com futebol ou música popular. Pelo contrário, foi realizando uma façanha considerada
tecnicamente impossível, a conquista da dirigibilidade dos balões, e tornando-se pioneiro no
vôo de aeronaves mais pesadas do que o ar, que Santos-Dumont colocou todas as letras de seu
nome na história.
Eu naveguei pelo ar: Da conquista da dirigibilidade dos balões ao mais pesado
que o ar - 1898/1910 é o nome da exposição que, com cerca de uma centena de fotos, abrange
o período mais fértil da vida de Santos-Dumont, marcado, de um lado, pela ascensão do primeiro
balão dirigível, o "Brasil", até o sucesso definitivo do "Demoiselle", o aeroplano que sucedeu
o 14-Bis.
Nascido em 1873, em Minas Gerais, Santos-Dumont era
um filho de fazendeiros que leu muito Júlio Verne na infância. Emancipado em 1892, foi estudar
engenharia em Paris, onde, por esporte e diversão, acabou se dedicando ao estudo e à prática do
balonismo. Logo se aprofundaria no projeto de construir uma aeronave que pudesse ser pilotada
sem depender da direção dos ventos, e foi em 1898 que o "Santos-Dumont Nº 1" realizou um vôo de
cinco horas e surpreendeu a população local.
O que veio a seguir foi uma série quase interminável
de experiências, testes, expectativas, concursos, acidentes, quedas e até críticas da sociedade
parisiense à atenção demasiada que a imprensa dava a um brasileiro - o que levou Santos-Dumont
a instalar uma bandeira da França no leme de seu dirigível. Mas os jornais, que acompanhavam de
perto cada nova tentativa, não duvidavam que o sucesso era apenas uma questão de tempo, e, de
fato, quando em 1901 Santos-Dumont conquistou um prêmio de 100.000 francos (quantia doada
integralmente a seus colaboradores e aos pobres) por contornar a Torre Eiffel e retornar ao
ponto de partida no prazo exigido, o brasileiro já era o mais conhecido personagem do início do
século XX, servindo de inspiração para peças, jogos, cartões postais e espetáculos
circenses.
Eram tempos de experimentos aéreos, a maioria
inspirados nos estudos de Leonardo Da Vinci, e Santos-Dumont não ficaria de fora. Seu primeiro
projeto foi o de um aeroplano que, por levantar vôo acoplado ao dirigível Nº 14, chamou-se
14-Bis. E foi com ele que, em 1906, Santos-Dumont realizou, sem o balão acoplado, o vôo
histórico que provou definitivamente que fazer voar um objeto mais pesado do que o ar era
possível. Após o 14-Bis, o brasileiro ainda construiria um Nº 15, apelidado "Demoiselle" pela
população, versão aperfeiçoada e que poderia levar passageiros. Faria tanto sucesso que não
faltaram propostas de comercialização do mesmo e, num gesto surpreendente, Santos-Dumont
colocou o projeto à disposição de quem o desejasse, sem cobrar nada por isso. Foi assim que
começou a indústria da aviação.
À generosidade de Santos-Dumont acrescente-se como
característica principal a obstinação. Desde o início, ele foi financiador, engenheiro,
operário e piloto de seus projetos, e a cada erro não se furtava a retornar à mesa para refazer
e corrigir tudo o que havia feito. A exposição em cartaz mostra tudo isso em imagens belíssimas
restauradas digitalmente, obtendo resultado impressionante, e textos informativos de leitura
fácil e agradável. Mais do que exposição de caráter didático sobre o "Pai da Aviação", Eu
naveguei pelo ar procura, já no título, dar um tom de aventura e encantamento à vida de seu
protagonista. Olhando com os olhos contemporâneos, e tomando como referência brasileiros
ilustres como Serras e Lulas, fica mesmo difícil acreditar que alguém como Santos-Dumont tenha
existido.
"Lula e Serra têm quase o mesmo discurso (...). É como se houvesse um único
candidato, o Surra, a comunhão de Serra com Lula."
Gilberto Dimenstein, na Folha Online, em 07.10.2002.
Peça da exposição Não grito em lugares pequenos, de Ana
González, em cartaz na Galeria de Arte do Ibeu, em Copacabana, Rio de Janeiro.
O LEITOR SE MANIFESTA:
Quem acompanha a Ciscando deve ter percebido coisas novas nessa
página. Uma é a gif animada que a leitora Patrícia Gama-Rosa nos encaminhou, com Stan Laurel &
Oliver Hardy, o Gordo e o Magro, dançando animadamente. A outra é esse louquíssimo script do
relógio, que está acompanhando a seta do seu mouse, e que foi encaminhado pelo colaborador
Rice Araújo. Isso tudo sem contar a estréia do Galvão, cartunista que a partir de hoje
faz parte do Cisco.
Gravação na secretária eletrônica do Instituto de Saúde Mental
Encaminhado pela leitora Rosana Martins, do Rio de Janeiro - RJ
"Obrigado por ligar para o Instituto de Saúde Mental, sua mais saudável
companhia em seus momentos de maior loucura.
Se você é obsessivo e compulsivo, pressione 1, repetidamente.
Se você é dependente, peça a alguém que pressione o 2 por você.
Se tem múltiplas personalidades, pressione o 3, 4, 5, e o 6.
Se você é paranóico, sabemos quem é você, o que faz e o que quer. Espere na
linha enquanto rastreamos sua chamada.
Se você sofre de alucinações, pressione o 7 e sua chamada será transferida
para o Departamento de Elefantes Cor de Rosa.
Se você é esquizofrênico, escute cuidadosamente e uma vozinha lhe dirá que
número pressionar.
Se você é depressivo, não importa que número disque. Ninguém vai responder.
Se você sofre de amnésia, pressione o 8 e diga em voz alta seu
nome,endereço, número da carteira de identidade, data do nascimento, estado
civil e o nome de solteira de sua mãe.
Se você sofre de stress pós-traumático, pressione lentamente a tecla # até
que alguém tenha piedade de você.
Se sofre de indecisão, deixe sua mensagem logo que escute o bip... Ou antes
do bip... Ou depois do bip... Ou durante o bip... De qualquer modo, espere
o bip...
Se sofre de perda de memória para fatos recentes, pressione 9. Se sofre de
perda de memória para fatos recentes, pressione 9. Se sofre de perda de
memória para fatos recentes, pressione 9. Se sofre de perda de memória para
fatos recentes, pressione 9.
Se tem baixa auto-estima, por favor desligue. Nossos operadores estão
ocupados atendendo pessoas importantes."
Tema de diversas mensagens que circulam pela rede, respostas de
alunos em provas são motivo de boas risadas dos internautas. A imagem abaixo nos foi encaminhada
pela leitora Denise Costa, do Rio de Janeiro, RJ.