Misto de seção de cartas, livro de
recordações, agenda, diário, mural de recados, livro-caixa, manual
do escoteiro, guia de viagem, lista de compras, bloco de anotações,
caderninho de telefones.
A cortina subiu e o ator principal, plantado no centro do palco, em pé e de mãos nas cadeiras,
começou o seu monólogo indignado: "Peço desculpas à distinta platéia, mas hoje não haverá
espetáculo, falta um botão neste fraque e o nome desta peça é "Falando com meus botões", assim
podem ir embora, voltem amanhã ou depois e quem sabe a produção já tenha providenciado a reforma
deste terno que, vale a pena lembrar, é um dos meus principais instrumentos de trabalho." Na
coxia o diretor, de queixo caído, não queria acreditar no que estava ouvindo. O contra-regra,
percebendo que a coisa havia degringolado de vez, danou a produzir ruídos muito estranhos. O
iluminador seguiu o exemplo do colega e mergulhou o teatro numa parafernália de luzes em rajadas
de cores e intensidades que nada lembravam a montagem original. O curioso foi que a galera não
arredou pé e deu mostras que estava gostando da encenação. Na saída todos comentavam o show de
sons, clarões e especialmente do brilhante texto. A peça foi violentamente elogiada pela
crítica especializada.
Longe da praia, dos shoppings e do desfile furioso de modismos que caracterizam a
cidade do Rio de Janeiro, o bairro de Santa Teresa é quase uma aberração. Sustentando
um charme amparado na tradição histórica, que o leva a manter bondes vagarosos como
meio de transporte e sobrados de outras eras como moradia, esse lugar irresistível
acabou ganhando também a alcunha de reduto da arte, graças à profusão de artistas
plásticos, poetas, músicos e afins, que lá se instalaram nas últimas décadas.
E foram essses artistas que, reunidos com a comunidade local e apoiados pela prefeitura,
criaram há oito anos o Arte de Portas Abertas, evento que em 2003 completa 13
edições e que pela primeira vez dura um final de semana inteiro (antes era apenas um
dia). Durante esse período 46 ateliês ficam, como o próprio nome diz, de portas abertas
para visitação pública e exposição dos trabalhos de 71 artistas, sem contar com a
participação de mais 14 centros culturais e 25 espaços gastronôicos (números tirados da
revista Programa, do Jornal do Brasil). Impossível não gostar de alguma coisa, tamanha
a diversidade de obras e técnicas: há desde a pintura mais simples e minimalista à
performance mais inusitada, passando pela escultura, fotografia, gravura, arte digital,
colagem, cerâmica, desenho. É arte para todos os gostos, que você confere abaixo.
São imagens perturbadoras, de uma beleza que tanto assusta quanto provoca. A escuridão ao redor
da figura, o peso das sombras e os espectros luminosos que o artista faz surgir no quadro
remetem a arte de Evgen Bavcar ao desbravamento de um novo continente, um trabalho quase
que mais geográfico do que artístico, sendo que a geografia é a de nossos sentidos.
Esloveno mais conhecido do público brasileiro pela participação no documentário Janela da
Alma, Bavcar ficou cego antes de se tornar adolescente. A entrada forçada no novo universo
levou-o a uma busca por conhecimento e a uma determinação em mostrar as pessoas e as coisas por
outro patamar; em "ofuscar", como ele diz, "a idéia clássica de controle do mundo pela visão".
Seu trabalho reúne um pouco de memória, um pouco de tato e um pouco de informações colhidas por
eventuais assistentes, que ele prefere que sejam crianças. O resto ele completa com a
imaginação.
Admirador do Brasil, que vem visitando com freqüência, Bavcar publicou um livro reunindo as
fotos produzidas por aqui Algumas delas você encontra no sítio
no mínimo, de onde tiramos essas duas que
ilustram o texto.
"Deixemos as mulheres bonitas para os homens sem imaginação"
Marcel Proust
Quem entra no Caixote se depara logo com um layout colorido, dinâmico e de muito bom
gosto. A vontade de prosseguir e navegar torna-se inevitável quando o visitante percebe que as
seções, embora mantendo todas uma identidade visual, têm caras diferentes, cada uma mais bonita
do que a outra. Pronto. Quando se dá conta, você já está dentro do Caixote, e sem vontade de
sair.
No ar desde 1997, O Caixote é uma revista eletrônica de literatura, artes, música e
culinária realizada pelos paulistas Liz Mercadante e Marcos Fernandes, e pelo brasiliense Luiz
Carlos Cruvinel. Mesmo feita por puro hobby e lançada "quando dá", já atinge a marca de 500
visitas diárias e bate recordes de livros e músicas baixadas pelos usuários. Quem estiver a
fim de conhecer essa beleza de sítio e se encantar com os talentos ali encaixotados, o endereço
é www.ocaixote.com.br
A brincadeira abaixo nos foi encaminhada pela querida leitora - e, a partir de agora, também
colaboradora - Conceição Assis, do Rio de Janeiro. Nós mudamos um pouco a ordem dos fatores,
mas não alteramos o produto.
Telemarketing - Aproveite para se Vingar
Encaminhado pelo leitor Alexandre Kogut, do Rio de
Janeiro
Quando a pessoa lhe perguntar “como vai?”.responda: "Estou tão feliz que você esteja me
perguntando isso! Hoje em dia ninguém mais se preocupa comigo e preciso tanto conversar com
alguém... Minha artrite está me matando e meu cachorro acaba de morrer. O pior, é o meu médico
que me disse..."
Fale à pessoa para falar MUITO devagar porque você está escrevendo tudo o que ela está
dizendo.
Quando a pessoa disser: "Bom dia, meu nome é Francisco da empresa X", peça-lhe para
soletrar o nome e sobrenome, e o nome da empresa. Faça-o repetir. Pergunte o endereço, faça
soletrar o nome da rua, o CEP. E faça repetir novamente. Peça-lhe o nome do chefe dele, o
número do CGC, etc... Faça pausas longas como se você estivesse escrevendo tudo num papel.
Continue a fazer perguntas pelo tempo que for necessário.
Quando a pessoa se apresentar (ex: "eu sou Júlia"), dê um grito: "Júlia? Oh meu Deus! É
você mesma? Faz tanto tempo que não tenho notícias suas! Como é que você foi na faculdade? Você
não lembra de mim?"
Se uma empresa de telefonia ligar para lhe oferecer descontos nos interurbanos, responda
com voz sinistra: "Não tenho amigos. Ninguém quer ser meu amigo. Ninguém quer falar comigo.
Você quer ser meu amigo? Eu poderia ligar para você... Qual é teu número?"
Se uma administradora de cartão de crédito ligar para lhe oferecer um cartão, responda que
esta oferta caiu do céu, você acabou de pedir concordata e está com um monte de dívidas, seu
cheque especial foi cortado e que finalmente você vai poder fazer as compras de supermercado.
Diga à pessoa: "Nem tente, André, eu já reconheci tua voz! Essa brincadeira é boa, mas
agora não tem mais graça. E como vai a tia Joana?" Não importa o que a pessoa lhe disser,
repita: "Pára com isso, André, você não percebeu que eu já te reconheci?"
Diga à pessoa que você está muito ocupado no momento, mas que lhe dê seu número particular
que você irá ligar mais tarde. A pessoa evidentemente não vai querer lhe dar o número. Responda
então: "Ah, então você não quer ser importunado na sua casa?... Eu também não!"