Misto de seção de cartas, livro de
recordações, agenda, diário, mural de recados, livro-caixa, manual
do escoteiro, guia de viagem, lista de compras, bloco de anotações,
caderninho de telefones.
Já faz tempo que a gaúcha Adriana Calcanhoto deixou de ser uma artista "cult" e entrou para a
constelação da música popular brasileira. Seu nome vem lotando os lugares por onde se apresenta,
e no Rio de Janeiro (cidade que a artista escolheu como casa, e onde diz sentir-se melhor
compreendida) não foi diferente. Com a pomposa casa de espetáculos que atende por Canecão
lotada, Calcanhotto apresentou Cantada, o show que divulga o novo CD que, aliás, chama-se
Cantada.
Há que se gostar muito de um artista para enfrentar o ritual fila / ingresso caro / espera /
frescura do Canecão. Durante os mais de 60 minutos esperando sentado numa mesa com pessoas
desconhecidas (a simpática funcionária que vende os ingressos recomenda chegar uma hora antes
para pegar um lugar bom no balcão nobre), o espectador que porventura não está acompanhado
(coisa rara, mas que existe) pode apreciar as figuras curiosas que transitam/desfilam pelo enorme
ambiente. Das senhoras muito bem arrumadas que se reúnem em caravanas trazidas por vans, a
dondocas que se beijam colocando um palmo de distância entre suas respectivas bochechas, passando
por casais enamorados, estrangeiros e até o dublê de deputado estadual e arroz de festa Carlos
Minc, tem-se uma certa variedade de pessoas bem comportadas que parecem estar adorando tudo ali.
O show de domingo, 03/11/2002, anunciado para as 20:30, começou pontualmente às 21:10.
Acompanhada de uma banda cujo destaque é o baixista / compositor / produtor Dé Palmeira
(irreconhecível de cabelos curtos e terno, em nada lembrando o cabeludo pôrra-louca que um dia
foi do Barão Vermelho), Adriana Calcanhotto cantou praticamente todas as músicas do novo disco,
enxertando aqui e ali os sucessos que caíram no gosto do público.
A apresentação contou com belo cenário (a cargo de Daniela Thomas) e momentos de uma pretendida
sensualidade para justificar o conceito do disco/show: sob aplausos e gritinhos da platéia (que,
pelo que se viu, aplaudiria até se a cantora arrotasse) Calcanhotto sugere climas sedutores com
o baixista, que culmina com um rápido beijo na boca. Linda e afinadíssima, a cantora procura esconder
a timidez e mostrar o quanto é "artista" através de pequenas encenações que pouco acrescentam:
seja o par de chifres em Sou Sua, ou a barba postiça em A Mulher Barbada (que
provocou gritos de "Lula-lá" na platéia), a cantora faria melhor se deixasse a pose de lado e
investisse mais nesse arzinho tímido, ou falso-tímido, que a torna irresistível.
Musicalmente, Cantada não obtém o mesmo resultado de obras como Maritmo e A
Fábrica do Poema, riquíssimas tanto em termos melódicos quanto poéticos. Ao substituir
essa riqueza por um experimentalismo modernoso (faceta que já existia em seu trabalho, mas em
menor escala), Adriana empobreceu seu repertório, apesar de a pretensão ser a oposta, e só em
canções como Justo Agora e Pelos Ares, vê-se o quanto ela pode ser melodiosa.
Basta conferir o contraste entre as lindas Inverno
(cantada no bis) e Vambora, e a fraca Programa ou a inédita Cidade Partida.
Mesmo a regravação de Music, de Madonna, pouco diz a que veio, e não se sabe por que a
faixa título de A Fábrica do Poema não é tocada nos shows. Espera-se que Cantada não passe
de uma fase. Uma fase pouco inspirada, mas passageira.
"A manchete do Jornal do Brasil de 1º/11 dizia que o PFL faria uma
oposição light ao governo. Por que não uma oposição branda?"
Valcir Vieira da Silva, Niterói-RJ,
na seção de cartas do Jornal do Brasil, de 08/11/2002.
Junto com as comemorações do centenário de nascimento do
poeta Carlos Drummond de Andrade (que até agora já envolve peças de teatro, filme, estátua e
mais eventos que decerto não temos notícia), o Centro Cultural da Justiça Federal, no centro do
Rio de Janeiro, monta a exposição Caminhos de Carlos, dividida em quatro ambientes
distintos com a intenção de mostrar o universo do poeta
Com curadoria do encenador Ricardo Schöpke,
Caminhos de Carlos exibe ao visitante fotografias, objetos pessoais (como as borrachas e
o apontador usados por Drummond), documentos (como a carteira de trabalho), livros e
gravações. Na sala Itabira/Minas Gerais, sobre um piso de pedras reproduzindo os caminhos
da cidade mineira tem-se fotos da infância do autor, sua formatura no curso de Farmácia e
imagens da cidade ainda contendo o Pico do Caué, monte que seria futuramente demolido.
Em O Rio de Carlos o objeto é a cidade onde o
poeta iria viver a partir da década de 1930. Com imagens da filha, dos netos, do cão e de amigos,
esta sala tem o piso em pedras portuguesas reproduzindo o calçadão do bairro de Copacabana.
O Escritor do Mundo destaca, além de toda a
obra do autor, a parceria com o pintor Cândido Portinari na obra Quixote, onde
Drummond escrevera poemas inspirado nas ilustrações do pintor para o romance de Miguel de
Cervantes. Por último, em uma sala batizada por Ouvir e ver Carlos é possível sentar
nas diversas almofadas espalhadas pelo chão e ficar ouvindo gravações de poemas do autor. Da
mesma forma que Eu naveguei pelo ar, exposição sobre Alberto Santos-Dumont em cartaz no
mesmo espaço, Caminhos de Carlos deveria ser permanente (fica até 15 de dezembro). Como
são permanentes as obras de Carlos Drummond de Andrade, Santos-Dummont e tantos outros
brasileiros que a memória curta desse país parece fazer questão de esquecer.
As imagens
acima e abaixo desse texto são do sítio dos Tribalistas, CD/DVD
que Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown compuseram e gravaram. O disco
é a melhor coisa que a música popular brasileira
produziu em 2002.
O problema dos ecologistas é que eles defendem o meio ambiente. Por que não
defendem o ambiente inteiro? Esse texto, e mais a imagem acima, são só um
exemplo microscópico do que você vai encontrar no Eu Hein, um blog
doidíssimo feito por um sujeito que ninguém sabe quem é e que vem sendo
comentado em tudo quanto é lugar na imprensa. E o pior é que ele
merece. Confira o Eu Hein em
www.euhein.blogspot.com
O LEITOR SE MANIFESTA:
Infelizmente fiquei decepcionado com a atitude do cantor Lulu Santos em
seu último show dia 26 de outubro aqui em Brasília. Ele pediu respeito, mas desrespeitou o
público. Em meio às canções, jogava-nos gestos obscenos. Houve bate-boca com um simpatizante do
PT que balançava uma bandeirinha do Partido dos Trabalhadores. Ele mesmo perguntou à platéia
qual era a opção política dela. Ouviu o que não queria ouvir. Será que a Artway não informou ao
santo cantor que Brasília sempre foi mais vermelha, tanto local como nacionalmente? Não se
discute futebol, religião e política! Magoado e tristinho, não deu bis e ficou reclamando do
Ginásio Nilson Nelson. "Preferia um local menor", dizia ele. De fato, é a primeira vez que vi um
público tão pequeno num show do Lulu Santos. No próximo certamente eu não irei (e muita, muita
gente também não). Eu, fã antigo de 26 anos, me perguntei onde estava o público que o acompanha
desde 1982. Tinha bastante adolescente. Mas tenho certeza de que nossos jovens irão protestar
também. Liguem para o Procon, para a Artway, para a imprensa... Reclamem!!! Lulu Santos prometia
um show extenso; foi embora sem dizer um "tchauzinho". Que pena! Deplorável sua atitude. Em sua
próxima apresentação ficará sozinho, pois nem o reduzidíssimo público de sábado voltará mais aos
seus shows. Será que Lulu não sabe que é ele que precisa de nós?! Artistas há bastante, e muito
bons!
Andrey do Amaral, Brasília-DF
Estamos sempre recebendo mensagens mostrando as burrices encontradas em provas. Desta vez o
leitor Alexandre Kogut, do Rio de Janeiro - RJ, mandou uma resposta que de burra não tem nada.
Confiram.
A TERMODINÂMICA DO INFERNO
Pergunta feita pelo Prof. Fernando, da FATEC em sua prova final do curso de maio de 1997.
Este doutor é reconhecido por fazer perguntas do tipo: "Por que os aviões voam?" em suas
provas finais.
Sua única questão na prova final de maio de 1997 para sua turma foi: "O inferno é exotérmico
ou endotérmico? Justifique sua resposta."
Vários alunos justificaram suas opiniões baseados na Lei de Boyle ou em alguma variante da
mesma. Um aluno, entretanto, escreveu o seguinte:
"Primeiramente, postulamos que se almas existem, então elas devem ter alguma massa. Se elas
têm, então um conjunto de almas também tem massa.
Então a que taxa as almas estão se movendo para fora e a que taxa elas estão
se movendo para dentro do inferno?
Podemos assumir seguramente que uma vez que uma alma entra no inferno, ela
nunca mais sai. Por isso não há almas saindo.
Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhada nas diferentes
religiões que existem no mundo hoje em dia. Algumas dessas religiões pregam
que, se você não pertencer a ela, você vai para o inferno... Como há mais de
uma religião desse tipo e as pessoas não possuem duas religiões, podemos
projetar que todas as almas vão para o inferno.
Com as taxas de natalidade e mortalidade do jeito que estão, podemos esperar
um crescimento exponencial das almas no inferno.
Agora vamos olhar a taxa de mudança de volume no inferno. A Lei de Boyle diz
que para a temperatura e a pressão no inferno serem as mesmas, a relação
entre a massa das almas e o volume do inferno deve ser constante.
Existem então 2 opções:
1ª) Se o inferno se expandir numa taxa menor do que a taxa com que as almas
entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até ele
explodir, portanto EXOTÉRMICO.
2ª) Se o inferno estiver se expandindo numa taxa maior do que a entrada de
almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno se
congele, portanto ENDOTÉRMICO.
Se nós aceitarmos que a menina mais gostosa da FATEC me disse, no primeiro
ano: "Só irei pra cama com você no dia que o inferno congelar"; e,
levando-se em conta que ainda NÃO obtive sucesso na tentativa de ter
relações sexuais com ela, então a opção 2ª) não é verdadeira. Por isso, o
inferno é exotérmico."