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Como Gato e Rato


Como el Gato y el Ratón,
Colômbia / França, 2002.


Com JAIRO CAMARGO, ALINA LOZANO, PATRICIA MALDONADO, GILBERTO RAMIREZ, PAOLA ANDREA REY, MANUEOL JOSÉ CHÁVEZ, DIEGO VÁSQUEZ, SUSANA TORRES, JORGE HILLER, CARLOS JULIO VEJA.

Música: NICOLÁS URIBE. Fotografia: SERGIO GARCÍA. Montagem: ERICK MORRIS, RODRIGO TRIANA. Produção: CLARA MARÍA OCHOA. Escrito por JORGE HILLER. Direção: RODRIGO TRIANA.

Exibido no Festival do Rio em Setembro / Outubro de 2003.






Sinopse e comentário.



    Drama. O pequeno e periférico bairro colombiano de La Estrella está em festa com a tão esperada instalação da rede elétrica. Junto com o deputado Kennedy, as duas tradicionais famílias do lugar, Brancheros e Cristanchos, organizam uma grande comemoração para a chegada do progresso. No entanto, fora a iluminação dos postes, muitas casas ainda ficaram sem luz, o que leva os moradores a buscarem energia de forma ilegal, através de "gatos". Único a condenar tal ação, o deputado Kennedy acaba tendo de observar impotente a proliferação desordenada e perigosa de cabos elétricos pelas ruas, até que o primeiro acidente acontece com Consuelo, matriarca dos Cristanchos que quase morre eletrocutada ao pendurar a roupa lavada num fio de eletricidade que passava por seu terraço. Ao tomar satisfação com o vizinho Cayetanno Branchero, que havia instalado o gato, e ser ignorado, Miguel Cristancho resolve cortar o fio do até então melhor amigo na hora em que este assistia pela TV um jogo de futebol. Furioso, Cayetanno irá vingar-se, dando início a uma série de pequenos atentados que irão adquirindo proporções cada vez maiores e conquistando adeptos de cada lado, até que La Estrella se veja não apenas dividida, mas em guerra.


    No auge do pandemônio que se forma a partir da richa entre as duas famílias (que envolverá também a sedução da virginal Jovanna Cristancho pelo jovem pulha Edson Branchero), alguém lamenta que "Vivíamos melhor na escuridão", como se a causa de toda a desgraça fosse a chegada da luz e não o temperamento, ou caráter, de seus usuários. Engano semelhante comete o diretor Rodrigo Triana, que nesta pequena crônica sobre a selvageria humana confundiu-se quanto a narrativa a adotar e desenvolveu personagens e situações de forma caricatural, muitas vezes dando ao filme uma estrutura de cartum que não se justifica. O cotidiano de La Estrella, com seus "mariachis clássicos contemporâneos" e suas "changuas", bem como os costumes locais (em nada diferentes dos costumes de qualquer cidadezinha brasileira, com a importância social de eventos como o futebol de domingo e a missa), deveriam ser o elemento principal de Como Gato e Rato, mas a câmera de Triana vê isso tudo com olhos de chacota, atrás de uma piada fácil que forme contraste com a violência posterior.


    Faltou sarcasmo para que o recurso funcionasse. E faltou intimidade para ter sarcasmo. Perdido entre a atenção aos personagens e a vaidade, Triana preferiu brincar com a câmera subjetiva que reproduz a visão de Tapete, o gato de estimação dos Brancheros, e ao deixá-la passeando para lá e para cá esqueceu de dar vida aos habitantes de La Estrella, reduzidos, todos, a estereótipos. Num rasgo intelectual ele poderá dizer que foi tudo intencional, que quis reproduzir o absurdo das situações e do convívio humano. Poderá até associar a guerra travada à descoberta do fogo pelos homens das cavernas, e explicar a cena final como um voto na esperança e no futuro, representadas tanto pela juventude quanto pela mulher. Fosse mais sutil, e talvez até a pretensão desse certo. Do jeito que está, o filme não passou de uma coisa engraçadinha e sem sutileza, ficando bem longe da reflexão desejada. (M.L.)





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