About Schmidt,
EUA, 2002.
Com JACK NICHOLSON, HOPE DAVIS, DERMOT MULRONEY, KATHY BATES,
JUNE SQUIBB, HOWARD HESSEMAN, HARRY GROENER, CONNIE RAY, LEN CARIOU, MARK VENHUIZEN,
CHERYL HAMADA, PHIL REEVES, MATT WINSTON.
Música: ROLFE KENT.
Fotografia: JAMES GLENNON.
Montagem: KEVIN TENT.
Produção executiva: BILL BADALATO, RACHAEL HOROVITZ.
Produção: MICHAEL BESMAN, HARRY GITTES.
Baseado no romance de LOUIS BEGLEY.
Roteiro: ALEXANDER PAYNE & JIM TAYLOR.
Direção: ALEXANDER PAYNE.
Estréia no RJ: 21.03.2003.
Sinopse e comentário.
Drama. Após dedicar perto de duas décadas de sua vida ao trabalho
numa grande empresa de seguros e previdência, o sovina Warren Schmidt, aos 66 anos, enfim
aposenta-se. O fatal sentimento de vazio é preenchido com caminhadas, conversas com a esposa
Hellen e as cartas que escreve para Ndugu, uma criança na Tanzânia, que "adotou" através de uma
instituição de caridade, contribuindo para sua formação com um cheque mensal. Sua vida irá mudar
quando, ao chegar em casa, Warren depara-se com Hellen estirada no chão, morta por um derrame.
Cada vez mais solitário após uma fracassada tentativa de reaproximação com a filha Jeannie (que
irá casar nos próximos dias), Warren decide-se por pegar seu trailer e viajar sem destino certo,
retornando aos lugares de seu passado e conhecendo gente nova, como o casal de viajantes John e
Vicki. A parada na casa da filha para a cerimônia de casamento, o contato com Randall (o genro
de quem não gosta) e Roberta, mãe de Randall (que tenta seduzi-lo), serão narrados nas cartas a
Ndugu, bem como o novo fracasso em reaproximar-se da filha, tentando da pior maneira possível
impedi-la de casar-se.
No começo do filme pode-se até achar que se está diante de um Chuvas
de Verão ianque, onde o aposentado vivido por Jofre Soares no filme de Cacá Diegues ganhou
traços mais robustos e humorísticos. Não se sabe se intencionalmente, mas Jack Nicholson parece
ter incorporado os trejeitos e as expressões de Oliver Hardy, o gordo da dupla O Gordo & O
Magro, para compôr o seu Warren Schmidt. A fragilidade e a simpatia do personagem, por mais que
refira-se à esposa como "aquela velha que mora na minha casa", e a quase súplica para ser
querido no sorrisinho tímido, conquistam de imediato o espectador desarmado, que no fim das
contas acaba considerando que este As Confissões de Schmidt vale a pena.
Mas deve-se ir devagar com o andor. Ainda que a emocionada atuação de
Jack Nicholson baste para segurar a atenção do público (e registre-se o olhar perdido e
pensativo, no começo do filme), As Confissões de Schmidt é raso, irregular. Uma crônica
desnecessariamente leve e despretensiosa de alguns momentos na vida de um velho, sem qualquer
interesse neste velho além de usá-lo para fazer graça e proporcionar alguma emoção enquanto não
chegam os créditos finais. Pode-se imaginar o desastre que seria com um ator menos preparado e
talentoso fazendo Warren. Com um roteiro cujo objetivo não vai além do humor leve e da
necessidade de transmitir ao espectador fã de livros de auto-ajuda alguma coisa próxima a uma
importante "lição de vida", os realizadores devem agradecer a Jack Nicholson por ter salvo o
filme de virar uma involuntária caricatura. O que de fato acontece com praticamente todos os
coadjuvantes dessa história: a filha antipática, o genro abobalhado, o rapaz que o substitui na
empresa. Fora Kathy Bates, que dá algum conteúdo a sua Roberta, todos os demais estão ali para
bater ponto, contribuindo inconscientemente para estragar o filme. Deveria haver alguma lei
condenando à prisão perpétua o mau uso de uma boa idéia.
(M.L.)
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