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Cynthia Carvalho





    À primeira vista, o Leão Negro pode parecer mais uma série de aventuras, com farta distribuição de patadas e espadadas. Sim, há bastante disso, mas as aventuras do Leão Negro são, basicamente, histórias de relacionamentos.



   Primeiro você conhece o protagonista: ele comete um erro após o outro, nada tendo de glamouroso, ora egoísta e cruel, ora generoso e apaixonado, como qualquer um de nós humanos, pendendo mais para o vício do que para a virtude... este é Othan, um mercenário que aceita qualquer tipo de trabalho, se a paga for boa.

   Em suas aventuras ele pode ser um mensageiro, um soldado, batedor, guardião, instrutor... mas não é só isso: Othan também é amante, pai, irmão ou amigo... e é aí que reside seu diferencial.

   Logo nas primeiras histórias a pequena família de Othan é apresentada. Sua relação com o irmão é problemática, há muita intolerância e, embora Othan pareça o mais sinistro, seu irmão não é muito melhor do que ele.



   Othan tem casos com as mais diversas felinas, mas nenhuma delas é fácil. As fêmeas de Othan são igualmente orgulhosas e vingativas. Ele as merece.

   São mencionados os filhotes que Othan faz e larga pelo mundo, mas somente um ele assume e, para sua decepção, é rebelde e o desafiará a vida toda.

   Porque tudo é tão difícil na vida deste leão? Que raio de universo é este onde todos parecem estar sempre tentando passar a perna um no outro? Ora... você não reconhece nosso próprio mundo e nossos semelhantes?

   Hoje percebo claramente que o Leão Negro é um mix de pessoas que conheci e que foram muito chegadas a mim na infância, principalmente meu pai. E o que acontece com ele são oportunidades que tenho de mostrar como vejo as relações humanas. É instigante ver até onde pode chegar o egocentrismo. Se coloco o personagem num mundo cão (ou felino, para ser mais exata), as situações tendem a chegar a curiosos limites. Eu realmente me divirto com isso.

   Gosto mais das histórias passadas na Ilha de Gardo, o lar de Othan. Elas não me deixam esquecer de que num ambiente isolado e "protegido" das influências externas, as personalidades (humanas) tendem ao seu estado primitivo e essencial, que posso garantir, não é nada agradável. Se as pessoas tornam-se feras, o que dizer de meus leões?




   Já ouvi críticas negativas sobre o Leão Negro que me fizeram rir. Ele foi chamado de "imoral"... ah, ah... quero rir mais... não escrevi metade do que vi... esperem só serem desenhados os novos roteiros... serei excomungada e adorarei isso.

   Assim como é tênue a linha que separa a dor do prazer, passamos das agruras e fracassos ao deleite e à vitória. Ler quadrinhos de anti-herói é muito mais interessante que ver o tedioso bem triunfando sobre o picante mal.

   No recém criado site do leão (www.leaonegro.com) é possível conhecer os principais personagens e o resumo das aventuras. E para quem ficar curioso, estão sendo vendidos apenas via site, os gibis com as aventuras completas da fera.




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