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Deus nos Acuda





    Não deve ser à toa que a junção das palavras "fé" e "dor" resulta na palavra "fedor". A crença do ser humano de que amanhã será um dia melhor, mesmo para aqueles já desenganados pela medicina, vem sendo usada como passaporte para botar o homem um degrau acima na escala evolutiva. Melhor para a bicharada (antes que alguma minoria se sinta ofendida, pode trocar para "animalada", se quiser), que fica só nos olhando e morrendo de rir de nossa pretensão.

    Enquanto a ciência manda pelos ares (no sentido mais explosivo do termo) um ônibus espacial, aqui embaixo a fé que remove montanhas também removeu a liberdade de opção. Ligue a TV, se você não acredita ou discorda. Em quantos canais há um pastor ou padre falando o que você deve fazer? Quantas vezes por dia a fé tenta entrar na sua casa, seja através de papeizinhos empurrados na rua, de cantorias de fiéis ou de mensagens enviadas por e-mail? No que a fé torna melhor uma pessoa, se para isso ela deve antes virar um chato de galocha abusado e autoritário? O que fariam esses paladinos da fé, se a eles fosse entregue o governo de um país?

    (Essa última é fácil de responder. Basta voltar os olhos para Israel e o Oriente Médio.)

    Depois que a razão tornou-se uma piada contada por um gago tímido e sem qualquer vocação para a graça, e a sensibilidade virou motivo de agressão, já podemos olhar para trás, forçar a vista, recorrer a um binóculo, e mesmo assim não encontrar em nossa história recente nenhum traço relevante de civilização. Nos tornamos um bando de selvagens incapazes de balbuciar duas palavras que não sejam para ofender ou fazer fofoca. Retornamos finalmente ao seio siliconado da barbárie, e daqui para o fim é só uma questão de tempo. Podem ligar os seus cronômetros, porque a viagem sem retorno já começou. Quando o tal Jesus Cristo retornar à Terra, todo alegrinho, limpinho e cheirosinho, vai olhar o imenso campo devastado e perguntar aonde foi todo mundo, achando tratar-se de uma pegadinha. Quem sabe? Deus, bonachão, segurará seu microfone celestial e perguntará à platéia de anjos: "E agora? Será que ele vai pegar a nota no chão ou vai deixar o cego cair no precipício?". E a platéia irá rir.

    De que tanto ri essa platéia?

   
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    Por motivos alheios à nossa vontade de entreter e provocar você, ficamos durante dois meses sem dar as caras por aqui. Agora que voltamos com (quase) tudo, tratemos de colocar a conversa em dia. Quem estréia nesse mês em nossas páginas é a carioca Luciane Lucas, professora na área de Comunicação Social que nos presenteou com uma análise do pintor Edward Hopper, no Cisco de Olho. Também estréia por aqui o autor e ator teatral André Faxas, também do Rio de Janeiro, com um texto sobre a atual condição do teatro brasileiro. E quem retorna em grande estilo e debaixo de aplausos, é Marcos André Tavares. Tavares vem em dose dupla, com um conto maluco para o Cisco de Olho e um texto sobre o dramaturgo Roberto Gomes.

    Nessa edição do Cisco homenageamos o cineasta Martin Scorsese, o injustiçado favorito do cinema americano. Com a colaboração de Marcos Roberto Magalhães de Sá, comentamos não apenas seu filme mais recente, Gangues de Nova York, mas também dez dos títulos mais representativos de sua obra, comentada ainda no texto Martin Scorsese, o Touro Indomável do cinema americano. Confira.

   
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    Hoje, para transmitir uma mensagem não basta ter o que dizer. Se você não tiver um bom jogo de cena, você não existe. Da torta na cara ao escudo humano, o lema "Falem mal, mas falem de mim" nunca esteve tão na moda. Fora o fato de que a palavra escrita tem cada dia menos valor, o que podemos concluir disso tudo? Nada.

   
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    Enquanto pede a paciência que não teve quando era oposição, o Presidente Lula Henrique Cardoso, o LHC, vem promovendo um aumento da própria barriga. Espera, assim, empurrar melhor a resolução de abacaxis como salário mínimo, juros, previdência social, Antônio Carlos Magalhães, xiitas radicais, FMI.

   
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    Seria bom que a Petrobrás não saísse por aí alardeando a descoberta de um poço gigante de um tipo de petróleo mais valioso. Se George W. Bush, a égua pocotó do apocalipse, descobrir, vai querer declarar guerra ao Brasil.






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