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Cadê a cavalaria?
Cadê a tropa de resgate?





    Informamos a todos os pacifistas, artistas engajados e professores de Ciências Sociais que nós, aqui do Rio de Janeiro, estamos aguardando a chegada dos escudos humanos para proteger a cidade maravilhosa dos criminosos narcotraficantes fundamentalistas. Gostaríamos de solicitar também aos intelectuais de esquerda e de direita que interrompam por um instante a brincadeira de ver quem tem o... o... digamos discurso, maior e comecem a pensar em alguma coisa útil. E estendemos nossa solicitação ao casal diminutivo que brinca de governar o Estado, ao prefeito que pensa que é Cinderela, e ao Presidente da bursite no ombro. Nós, os infelizes habitantes do Rio de Janeiro, que nos livramos de Fernandinho Beira-Mar mas tivemos que engolir de uma só vez Marcelinho Carioca e Edmundo, estamos sendo mantidos reféns e não suportaremos por muito tempo o cárcere formado pelas fronteiras que o Estado mantém com São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais. Não basta a furiosa praga evangélica que destrói nossas plantações cinematográficas, não bastam os floreios engajados de uma classe média que pensa que vive no planeta dos macacos, não basta uma câmara de deputados aflitos com o ângulo em que aparecerão na TV. Estamos cercados e vamos morrer, todos nós, e nem a ONU, nem os Médicos Sem Fronteiras, nem a Anistia Internacional, nem ninguém vai fazer nada pra evitar isso. Vamos desaparecer e depois não se queixem. Não há exemplo melhor para descrever a nossa situação do que o barco que afundou recentemente em Cabo Frio.

   
* * *


    Arístocles Lima é um baiano residente em São Paulo que há algum tempo vem presenteando nossa caixa postal com pequeninos contos de sua autoria. Já estava na hora de compartilhá-los com o leitor, e é isso que fazemos esse mês. Bem vindo, Arístocles. Mas, apesar da boa nova, informamos que o excesso de trabalho está nos fazendo diminuir o ritmo de cada edição, tornando cada vez mais difícil manter a periodicidade do Cisco. Por isso gostaríamos de convidar escritores, jornalistas, ilustradores e artistas em geral, que têm interesse em colaborar conosco e divulgar o seu trabalho, que entrem em contato através do endereço ocisco@ieg.com.br.

   
* * *


    Afirmação publicada neste espaço na edição anterior, escrita no calor das emoções influenciadas pelo bombardeio da mídia (tão ou mais violento do que o das forças aliadas), gerou reclamação de um leitor. No último editorial, afirmamos que as hostilidades sofridas pelos franceses nos EUA davam até vontade de torcer pelo Iraque.

    Pois é. Nós também dizemos besteira. E também nos retratamos. Não torcemos pelo Iraque, nem pelos Estados Unidos. E nem só pelo fim da guerra, mas principalmente por aquilo que move tanto esta quanto todas as pequenas e grandes guerras onde diariamente nos afundamos. Nossa torcida e movimentação é contra a intolerância, a ignorância e a hipocrisia, que levam a extremismos de ambos os lados desse irregular campo de futebol que é a sociedade. É mesmo muito fácil apontar o dedo para os criminosos americanos e acusá-los de invasão, matança e imperialismo. Ou inventar boicotes infantis a alguns produtos norte-americanos (por que só alguns? Por que ninguém falou em boicotar os computadores, o cinema ou o idioma deles?).

    Estamos sempre procurando um vilão, um lado seguro em que nos encostar para mostrar o quanto somos superiores ao outro. Por causa disso volta e meia cometemos injustiças, ao fecharmos os olhos quando o "outro" está do nosso lado. Por que gritamos que os EUA financiaram Saddam Hussein nos anos 1980, e ignoramos que a França também o fez/faz? Por que nos mobilizamos contra a invasão do Iraque e nos limitamos a um muchocho quando o Tibete foi invadido pela agora pacifista China? Por que vamos às ruas quando uma adolescente de classe média é assassinada no metrô do Rio, e não damos a mínima para a matança desenfreada de que o mesmo Rio é palco? Você não sabe? Nem nós.

    Antes que venham novas reclamações, não estamos defendendo ninguém, nem assumindo posição pró-qualquer coisa (um país também é uma coisa, né?). Só entendemos que visões simplistas podem ser tão perigosas quanto o pior radicalismo, venha de que lado vier.

   
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    Soubemos de fonte segura que a bola da vez na mira dos Estados Unidos, depois de passar o rodo no Iraque pela segunda vez, não é a Síria, não é a Coréia, e muito menos Cuba. Até alguns dias atrás, segundo informam nossos espiões da Casa Branca, o presidente George W. Bush pensava seriamente em invadir a Disneylândia porque sonhara que lá havia petróleo, e que Walt Disney seria na verdade um líder muçulmano disfarçado. Foi um custo para seus puxa-sacos convencer o presidente da Terra de que a Disney ficava nos EUA, e que seu criador já estava morto. "Ah, é? Ah, é?", perguntou Bushinho. "Então cadê o corpo? Cadê? Disseram que o Saddam morreu, mas até agora eu não vi nem um pedaço da arcada dentária dele!"

   
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    Enfim alguém resolveu assumir a esculhambação. Na Argentina, Carlos Menem está em primeiro lugar nas pesquisas para a Presidência.



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