Celebração
Seguindo o exemplo de Aparício Torelly, o Barão de Itararé (que, em 1926, festejou o
terceiro aniversário de seu jornal A Manha - sem que este tivesse sequer cinco meses de
existência), nesta edição estamos comemorando os dez anos do Cisco Tonitruante, a mais
tradicional e influente publicação eletrônica do bairro das Laranjeiras e adjacências, região
que já utiliza fartamente a nossa marca como referencial de qualidade, independência e bom
gosto.
Enquanto que nossa musa inspiradora, o saudoso e impagável Barão, justificava sua
inovadora atitude afirmando que "não tínhamos nada que fazer... e... a primeira coisa que nos
ocorreu foi essa: - fazer anos", nós preferimos apenas cogitar o fato de que poderemos não estar
mais vivos daqui a dez anos; logo, por que não fazê-lo já? Também preferimos deixar de lado o
recurso tolo de exibir retrospectivas e fazer um apanhado das transformações ocorridas no
Brasil, no mundo e no universo nesta última década. Não iria servir para nada. Nossa intenção
resume-se unicamente a poder sentir, nem que seja através da farsa descarada, a saborosa
esbórnia de comemorar algo importante, já que não fazemos diferença alguma mesmo. Curta conosco,
amável leitor, esse momento fundamental em nossa história. Pode nos cumprimentar, apertar nossas
mãos, enviar cartões bonitinhos, que já tratamos de abrir aquela garrafa de guaraná que está há
anos guardada na geladeira esperando um momento desses para ser aberta.
* * *
Duas estréias enriquecem esta edição: uma é a de
Diego Salgado,, jovem gaúcho de 25 anos,
autor do blog
2 uísque, que traz um
texto muito doido para o Cisco de Olho; a outra a estrear por aqui é
Thatiana Murillo,
jornalista e historiadora atenta ao cenário cultural do Rio de Janeiro, que a partir de agora
passa a colaborar na Ciscando. A ambos, calorosas boas vindas.
Outra novidade. Para alguns leitores de bom gosto que disseram adorar as charges do George
W. Bush que colocamos sempre na abertura do Cisco, criamos uma nova seção, a
Galeria,
onde dispusemos todas as charges já feitas debochando do nosso mascotinho, que por acaso também
governa os Estados Unidos da América. A seção servirá também para expor trabalhos,
por isso se você é artista plástico e tem obras escaneadas, mande-as pra cá.
* * *
Aos cada vez menos numerosos fiéis leitores que nos escrevem, sempre cobrando a próxima
edição, e que certamente já notaram que nossa periodicidade ainda meio capenga, informamos:
este bravo que vos escreve, a fim de aumentar a receita e fugir da bancarrota que lhe morde os
calcanhares, vem pegando todo tipo de serviço extra, de criação de
web sites a babá de
filhote de orca, e não tem sobrado tempo, disposição ou felicidade para fazer o Cisco que o
leitor merece. Assim, na próxima vez que você ler que esta publicação é mensal, entenda "sai
quando dá".
Esperamos que a confissão de nosso estado de miséria tenha comovido o leitor mais sensível
e generoso, que nesse exato instante está sendo tocado pela piedade e abrindo a carteira para
efetuar um depósito na conta corrente número 8073-8, agência 217 da Caixa Econômica Federal,
em nome de Maurício Limeira dos Santos, CPF número 028083057-29. É, meu caro. Bote o estômago
num espremedor de carne, que o pudor sai com as entranhas.
* * *
E o Papa condenou a união civil entre homossexuais do mesmo sexo. Contam as línguas mais
afiadas que o Sumo Pontífice teria batido na mesa e gritado, com sua voz de trovão:
"Vamos
parar com essa viadagem!". Outras fontes, por sua vez, disseram que não foi bem assim, que
não foi isso que ele falou, que houve um erro de interpretação. Já um terceiro e bem situado
informante limitou-se a perguntar:
"Papa? Que Papa?".
* * *
Com a morte do megajornalista Roberto Marinho, o dublê de ator e produtor picareta
Guilherme Fontes (amigo brasileiro de Francis Ford Coppola) desistiu de realizar o interminável
Chatô, e já está recolhendo dinheiro público para seu novo clássico fantasma, que deve
se chamar
Robertô.
* * *
Depois do ex-ministro, do vizinho, do secretário, do sósia e do cozinheiro, agora é a vez
da manicure de Saddam Hussein se entregar (no bom sentido) às tropas americanas no Iraque. Para
mostrar que fazia mesmo as unhas do derrotado ditador iraquiano, a senhora trouxe dentro de um
copinho um monte de cutículas do sujeito.
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