Um estudo feito recentemente nos Estados Unidos revelou que a maioria dos estudos feitos
nos Estados Unidos não passam de alucinações mirabolantes provocadas por erros de digitação.
Isso quando não são mentiras deslavadas justificando pontos de vista estapafúrdios. Por isso,
preferimos basear todas as informações aqui publicadas em estudos feitos na Mauritânia. E nossa
primeira informação sob essa nova égide do conhecimento é a de que os Estados Unidos fizeram um
estudo comprovando que a troca de aparelhos de musculação por tanques de passar roupa diminuiu
em 96,45% a freqüência nas academias de ginástica. No entanto, após uma intensa campanha nos
meios de comunicação, que incluiu propaganda na TV (onde até a heroína feminista de uma
telenovela rendeu-se ao tanque), no cinema, no rádio, na internet, nas ruas e nos últimos
jornais ainda impressos, uma fantástica inversão na opinião pública não apenas lotou as
academias, mas alavancou a venda da referida ferramenta de uso doméstico, provocando um
monumental encalhe de máquinas de lavar em todas as lojas de departamentos.
A resposta não tardou, e as mega-corporações do setor eletro-eletrônico contra-atacaram
com uma agressiva campanha publicitária onde máquinas de lavar chegaram a ser oferecidas como
brinde até na compra de potes de margarina. O fenômeno mercadológico gerou uma surpreendente
crise na cabeça do consumidor, e não era raro encontrar pessoas perturbadas zanzando sem rumo
pelos supermercados, sem conseguir decidir entre o tanque da novela ou a máquina que vinha junto
com o cotonete. Deu-se uma nova corrida, dessa vez aos consultórios de psicólogos e psiquiatras,
que registraram um aumento vigoroso no número de depressões e suicídios. Tamanha foi a crise que
o governo teve de intervir. Um decreto presidencial viria a proibir a venda tanto de máquinas
de lavar quanto de tanques, ação que obviamente não surtiu o efeito desejado, e a chuva de
críticas vindas de todos os setores da sociedade por muito pouco não provocaram a queda do
Presidente da República.
Com a nação fortemente abalada em suas relações sócio-econômicas, não havia outro meio
de estabelecer a união interna que não fosse pela guerra. Através da ação de satélites espiões,
descobriu-se que num país da América do Sul as vastas plantações de laranja escondiam armamento
nuclear, e foi o bastante para que tivesse início uma ação militar contra o tal país, cujo
presidente, um ex-catador de papel semi-analfabeto e cego de um olho, recorreu de imediato às
Nações Unidas. Em vão. O único apoio recebido foi um bilhete (entregue por um bravo funcionário
dos Correios que, mesmo atingido por uma rajada de metralhadora, entrou agonizante no Palácio do
Governo e arrastou-se até o gabinete presidencial, ignorando que o primeiro mandatário não
estava lá, mas na sala ao lado), contendo a frase "Quando eles tentarem entrar, feche a
porta" .
Não é preciso dizer que os Estados Unidos venceram a guerra, desmantelaram o país
ameaçador e estabeleceram a democracia. O presidente brasilei... quer dizer, o presidente do
país sul-americano escapou durante os 39 minutos que durou a guerra e refugiou-se num mosteiro
no Butão, de onde comanda a resistência lançando num despenhadeiro aviõezinhos de papel com os
dizeres "Macacos me mordam!"
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A maior novidade você já percebeu. O Cisco mudou de endereço. Com as doações que vocês
não fizeram, trocamos o hpG por um serviço pago de hospedagem. Agora não há mais o transtorno
da janela pop-up abrindo em todas as páginas, nem a instabilidade que nos deixava, como que
nocauteados por um brutamontes furioso, por longos períodos fora do ar. Outra grande
novidade é a parceria com o sítio Porta Curtas, o que nos possibilita a exibição de
filmes de curta-metragem aqui no Cisco. Estamos preparando mais algumas surpresas,
mas não entregaremos o jogo tão fácil. Fique por perto que você verá.
Além disso, três grandes estréias enriquecem o nosso sítio favorito. A primeira é de
Leandro de Paula, carioca que faz o curso de Produção Cultural e que, aos 21 anos, já faz
essa beleza de análise sobre a penúria cultural que vive o Rio de Janeiro. Confira no Cisco de
Olho. A outra estréia vem de São Paulo, e é a apaixonante poeta Rebecca Navarro
Frassetto. Editora de dois jornais impressos e com um livro publicado, Rebecca é séria
concorrente a mega-empresária das comunicações após a morte de Roberto Marinho. Se não acredita,
nesse mês apresentamos cinco poemas da menina. E, finalmente, junta-se a nós o quadrinhista
Marcelo Garcia, a quem já vimos há tempo tentando trazer para o Cisco. Agora que
conseguimos, somos brindados com uma curiosa história em quadrinhos feita com massinha de
modelar. Com tanta gente talentosa, não há outra explicação além da inveja para que a grande
imprensa não nos divulgue nem nos paparique.
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Você liga a televisão e a rede de hiper-mercados ordena: "Vem! Vem!". Muda de canal, e
a cerveja de cara nova exige: "Experimenta! Experimenta!". Tudo no imperativo. Disfarçada atrás
de uma suposta e moderna pluralidade, e refletindo a sociedade que a cria / consome, a
propaganda está ficando cada vez mais autoritária. A seguir nesse ritmo, imagine como não seria
um anúncio de supositório.
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Se o chinês capturado pela polícia do Rio fosse o Jackie Chan, nós duvidamos muito que
os tiras conseguiriam espancá-lo assim tão fácil.