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Não se deve cantar vitória
antes da fraude







    Tá lá, na Caros Amigos, edição especial das eleições, em artigo da jornalista Marina Amaral: de acordo com especialistas em informática, bastam pequenas alterações (três linhas apenas) nos códigos-fonte dos "softwares" das urnas eletrônicas, ou substituições nos cartões que contém os programas que carregam as tais urnas, para que se modifique o resultado dessa eleição que aí está, celebrada como festa da democracia. Como é a grande imprensa a inventora do termo, devemos entender que a festa é dela.

    Aqueles que já estão torcendo o nariz e achando que o Cisco Tonitruante se rendeu às teorias baratas de conspiração, podem ir tirando o animalzinho eqüino da manifestação pluviométrica. Ainda segundo o artigo citado, existem "10 mil técnicos encarregados de manipular os programas e orientar os juizes no dia das eleições". Nenhum deles é funcionário do TSE, Tribunal Superior Eleitoral, que tampouco acompanhou a seleção dessa gente, contratada via Internet por uma empresa terceirizada. Os sujeitos podem tanto pertencer aos escoteiros quanto estar vinculados a partidos políticos, a igrejas ou até organizações criminosas, pois não se divulgou o critério de seleção para o cargo, temporário e com remuneração entre 250 e 900 reais.

    Sim, a coisa é séria. Desde 2000, o PDT, Partido Democrático Trabalhista, vem tentando na justiça o acesso de fiscais aos programas das urnas e a abertura dos códigos-fonte, o que consta inclusive na lei eleitoral. Em julho deste ano, o TSE garantiu que abriria os códigos, mas o que se viu foi uma brincadeira de mau gosto, pois aos fiscais foram dados apenas cinco dias para o exame de "6.700 programas, mais de 3 milhões de linhas de códigos-fonte", sem permissão para qualquer auditoria ou uso de qualquer ferramenta de informática, com profissionais trabalhando até 18 horas por dia para examinar o máximo possível a integridade de programas cuja principal característica é a complexidade.

    Se o nome disso não é fraude, seria bom que alguém nos explicasse o que quer dizer tal palavra. Fica muito difícil, depois de saber como funciona o sistema eleitoral brasileiro, não ver com desconfiança o resultado da votação de 6 de outubro. José Serra, o candidato do governo que faz política como quem vai ao banheiro, aparecia nas pesquisas em crescente desvantagem contra o evangélico tagarela Anthony Garotinho, enquanto o "neo-hippie" Lula despontava como vencedor no primeiro turno. Pois o segundo turno não apenas está aí, mas está aí com José Serra. E não será surpresa se, graças à fraude, aos fanáticos de direita (que pintam Lula como aliado do comunismo, da guerrilha sul-americana, do narcotráfico e do terrorismo islâmico), à classe média que acha que está tudo muito bem do jeito que está, e aos intelectuais que se arrepiam só de imaginar um presidente sem diploma que não sabe ler Anthony Giddens em inglês, a política de mictório de Serra sairá mais uma vez vitoriosa.

   
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    Nós chamamos e eles apareceram. Nessa edição do Cisco, dois profissionais dos quadrinhos juntam-se ao time esbanjando talento: um é o cartunista Galvão, paulista que faz uns desenhos muito doidos e que nos autorizou a publicar na Ciscando a tira "Vida Besta". O Outro é Marcelo DSalete, uma grata surpresa também de São Paulo, autor de belos e intimistas quadrinhos urbanos que, mais do que um bom traço, demonstram um raro (para o mercado brasileiro) domínio da narrativa. Confira seu trabalho na seção Quadrinhos.

    Estréiam também entre nós o pernambucano Luiz Alberto Machado. Escritor, poeta e compositor, Luiz Alberto é membro do grupo de discussão do Cisco e presença constante em vários sítios de cultura, alguns dos quais edita. Além dele, também passa a colaborar conosco o paulista Hélio Maduro, paulista formado em jornalismo que nossa co-editora Tê Soares trouxe para cá. Boas vindas a todos.

    Outra novidade está na seção Agenda, que agora é co-editada por Patrícia Gama-Rosa e vai contar também com o Boletim Nascente, seção de Luiz Alberto Machado destinada a divulgar eventos culturais.

   
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    Disse o Tutty Vasquez, cada dia mais maluco, na coluna dele no sítio no mínimo: Se Anthony Garotinho não quer virar uma espécie de Eduardo Suplicy do governo Rosinha, é bom abrir o olho com a patroa. Todos sabem o que aconteceu com Marta Suplicy depois que tomou o poder em São Paulo.

   
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    Pelo visto, a militância de José Serra segue a mesma cartilha de seu candidato para fazer política. A cada dia surgem novos boatos dizendo que o candidato Lula, se eleito, fará isso ou aquilo. Já se ouviu dizer que Lula se aliará a Fidel Castro, que acabará com a Carteira de Trabalho, com os homossexuais, com a liberdade e a paz do cidadão brasileiro. Um dos "alertas" mais recentes é o e-mail anônimo sobre um ítem que existiria no programa do PT, Partido dos Trabalhadores, dispondo sobre o direito de sucessão, aquele que garante que a sua casa será de seus filhos depois que você morrer. De acordo com o e-mail, se Lula, o Tinhoso, for eleito, isso acabará: com o falecimento do proprietário, a propriedade do imóvel passará a ser do Estado, os herdeiros que se danem. A única solução seria, concluímos, instituir a imortalidade para todos os brasileiros: assim o sujeito não morreria, e sua casinha jamais passaria para o Estado. Aos que levam isso a sério, o programa do PT está disponível no sítio do partido.

    Mas o melhor boato foi ouvido na fila de uma agência do Banco do Brasil. Segundo um preocupado correntista, José Serra tem um trunfo contra Lula que deverá utilizar na propaganda gratuita: há algum tempo atrás Lula e outros militantes teriam participado de uma orgia na Amazônia com um grupo de índias, que resultou no estupro e morte das nativas. Essa, nem Fernando Collor teria imaginado.

   
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    Atenção, Petrobrás! Partiu de nosso colaborador Rice Araújo a solução para os problemas das plataformas que vêm afundando todo ano. Segundo o ilustre desenhista, bastaria construir as ditas cujas logo lá no fundo do mar. "O pior que pode acontecer é ela boiar", explica Rice.

   
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Charges: Gilmar
(alogilmar@uol.com.br)
e Rice Araújo
(rice@canbras.net)










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