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07.11.2004
Salada de Poderes
Haroldo P. Barboza
Que a saúde está abandonada já sabemos. Faz parte do processo para reduzir o tempo de vida
dos aposentados e com isto evitar que o INSS desembolse os valores devidos e o montante possa
ser desviado sem causar grandes gritarias.
O mesmo se dá na área trabalhista. Há um enorme desejo em abrir vagas de trabalho para
estrangeiros em detrimento dos nativos brasileiros. A Petrobras foi forçada a encomendar a
construção de uma plataforma marítima fora do Brasil, mesmo tendo meios de realizar o serviço
aqui usando o potencial de nossos técnicos, que conhecem nossas necessidades.
No ramo da educação nem se fala. Este é o segmento mais sacrificado pelas autoridades,
pois é apenas através desta área que o povo tem meios de descobrir por quanto tempo foi enganado
e serviu de capacho para os abutres que definem nossos destinos há décadas. Quem conheceu (como
eu) as instalações do Colégio Pedro II (Humaitá, Centro e São Cristóvão) e da UERJ antes de
1990, se efetuar uma visita a estas instalações agora por mais de 15 minutos, com certeza
chegará às lágrimas, tal o abandono evidenciado nestes locais. A verba destinada para a UFRJ não
é suficiente para quitar seu débito com a companhia de luz, ocasionando o corte de energia
elétrica em suas salas de aulas e nos laboratórios de pesquisa. Imaginem o que ocorrem em
entidades de estudos em regiões mais afastadas.
O processo de desacreditar nosso patrimônio público já fez diversas vítimas. Várias
empresas foram leilo-doadas (como diz Hélio Fernandes com grande propriedade) com nosso próprio
dinheiro. A Petrobras é a bola da vez, com a política de desmembramento de suas unidades e a
falta de manutenção adequada de suas unidades produtivas para provocar acidentes que
desvalorizem suas ações e provoquem perda de credibilidade junto à opinião pública manobrada por
editores a serviço das elites.
A dispensa de quase 40 mil jovens das forças armadas antes do prazo legal em função de
cortes no orçamento, faz parte de um processo para quebrar a idolatria nacional que o povo sente
pelos seus emblemas e pelas suas fileiras de defesa e impedir que elas tenham comando e forças
numa eventual necessidade de defender nossa dignidade. Quanto orgulho sentimos na infância em
participar das festividades da semana da Pátria. E agora estamos vendo uma legião de jovens
sendo criminosamente encaminhados para as trilhas da perdição. O universo criminal aguarda uma
grande parte desta turma de braços abertos, para nos agredir. E o pior de tudo é a decepção
implantada nos espíritos destes jovens já massacrados pela falta de esperança no futuro em
função do fechamento das oportunidades para que possam viver com um mínimo de dignidade
praticando cidadania. Estão forçando vários jovens descrentes a procurar oportunidades em
atividades ilícitas para sobreviverem.
Talvez exista algum convênio secreto (bem recompensado) entre o "poder podre" e o "poder
paralelo" para a entrega da gerência do Estado sem que haja necessidade de eleições, mesmo com
urnas viciadas.
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