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05.12.2004
Recarregando corações
Haroldo P. Barboza
Talvez entre grupos de facínoras, aconteça alguma festa para comemorar o extermínio de algum
elemento de uma quadrilha rival ou de alguma autoridade que tenha causado transtornos aos planos
criminosos do bando. Mas em 99,9% dos casos, as festas são realizadas para comemorar
aniversários e promover efusivas confraternizações entre grupos que reatam ou solidificam velhas
amizades desenvolvidas ao longo da vida sem interesses escusos de seus promotores.
O período entre dezembro e janeiro tradicionalmente é o trecho do ano em que passamos a
limpo nossas atitudes ao longo do ano que termina, observando nossas falhas e acertos para
planejar uma vida de melhor qualidade para o ano que se inicia. Esta é a época do ciclo em que
as seguintes características estão evidentes:
1)Até os adultos se lembram de externar seu lado criança e pedem sem cerimônia
dádivas aos céus, representados pelos anjos e o generoso Papai Noel.
2)É a principal oportunidade para reunirmos e revermos a família e amigos que
ignoramos ao longo do ano por força de compromissos profissionais ou de discordâncias mal
equacionadas.
3)É o cenário ideal para abrirmos o coração e deixar a mente vacinada contra maus
pensamentos e permitir que concedamos o perdão a quem errou e torçamos para que perdoem
os nossos próprios erros.
Baseadas nestas três referências, as pessoas de boa índole acreditam que nenhum atrito
passado tenha força suficiente para ocasionar ferida incurável na sólida amizade que
desenvolvemos ao longo de diversos anos entre colegas de trabalho, de clube, da rede ou no
bairro, durante os quais trocamos fraternalmente nossas inquietudes e nossos bons anseios. O
celeiro saudável para obter elementos na formação de nosso caráter.
Por sermos lúcidos, temos o poder de vislumbrar que possuímos a capacidade de ceder algo sem
que isto nos traga desonra ou insatisfação. Portanto, aproveitemos a chama da luz natalina que
se prolonga pelo início do novo ano, para pedir que algum amigo retorne com sua família
sem demora ao convívio dos amigos (mesmo que torçam por times diferentes, o que gera
motivos para boas gozações) depois de alguma ausência mais prolongada.
Em qualquer época do ano, um aperto de mão e um abraço traduzirão o perdão mútuo por
quaisquer animosidades que tenham provocado algum afastamento temporário. Dentro de um mundo
onde cada vez mais a ganância sem freios nos induz erradamente a acreditar que TER é mais
importante do que SER, esta é uma chance ímpar de provarmos que estamos habilitados a crescer
como seres humanos saudáveis por não carregarmos rancores no coração. Não espere a próxima
ocasião festiva para se reaproximar de um amigo ou parente por um mal entendido e que cada parte
sabe que pode ceder um pouco sem que isto arranhe sua honra ou seu ego. Pegue seu telefone.
Edite um e-mail. Mande uma carta. Toque a campainha ao lado. Mas não perca o maior bem que você
conquistou com prazer: seu amigo! Se não tiver palavras próprias para mandar-lhe uma
mensagem, vá à papelaria e escolha um cartão que mais se aproxime dos sentimentos que você
nutre pelo seu destinatário. Ao enviar-lhe uma nota de boas festas, contendo qualquer frase, ele
a traduzirá da seguinte maneira: "- Ei, camarada! Meu coração está aberto para lhe receber.
Aguardo seu sinal para rirmos de nossos tombos e iniciarmos unidos, uma nova caminhada a partir
deste NATAL!"
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