Esperando al Mesías,
Argentina / Itália / Espanha, 2000.
Com DANIEL HENDLER, ENRIQUE PINEYRO, HÉCTOR ALTERIO,
MELINA PETRIELA, STEFANIA SANDRELLI, CHIARA CASELLI, GABRIELA ACHER, IMANOL ARIAS,
DOLORES FONZI, EDDA BUSTAMANTE, TAJMA MINORU, JUAN JOSÉ FLORES QUISPE.
Música: CÉSAR LERNER, MARCELO MOGUILEVSKY.
Fotografia: RAMIRO CIVITA.
Montagem: VERÓNICA CHEN.
Co-produção: ENRIQUE PINEYRO.
Produção: DIEGO DUBCOVSKY.
Escrito por DANIEL BURMAN, EMILIANO TORRES.
Direção: DANIEL BURMAN.
Estréia no RJ: 15.08.2003.
Sinopse e comentário.
Drama. No mundo da economia globalizada, a quebra de um grande banco
oriental termina por derrubar investidores em todo o mundo, com efeitos chegando até a
Argentina. Desempregado após o fechamento da instituição financeira em que trabalhava e expulso
de casa pela esposa, o bancário Santamaría passa a viver dos trocados que recebe devolvendo os
documentos que encontra no lixo. Numa dessas devoluções conhece o jovem Ariel Goldman, judeu
que atravessa uma crise de identidade acentuada pelas recentes falência do pai e morte da mãe,
e que vê ameaçado o seu namoro com a professora de canto Estela, ao se deixar envolver com
Laura, colega na emissora de TV em que trabalha.
Efeitos da globalização na vida das pessoas, crise de identidade,
judaísmo, homossexualismo feminino, romance entre miseráveis, falta de comunicação. É muito
assunto para um filme só. Mas o diretor e roteirista Daniel Burman achou que dava conta disso
tudo, e, misturando as muitas boas idéias que tinha na cabeça, fez o tiro sair pela culatra.
Apesar das boas intenções, Esperando o Messias (num claro exemplo de propaganda enganosa,
os distribuidores venderam o filme como "comédia") é uma chateação arrastada e pretensiosa
sobre o quanto as transformações econômicas influenciam e afetam a vida do cidadão. Há a
interessante metáfora das identidades jogadas no lixo, mas falta espontaneidade ao roteiro para
evitar para evitar armadilhas que levem ao maniqueísmo. Os miseráveis não perdem jamais a
dignidade, enquanto que os ricos (representados na figura do chefe de Ariel) são frios,
tratam-se apenas pelas iniciais dos nomes e conhecem pessoas apenas pela internet.
Judeu, o diretor Burman enche o filme com explicações referentes à sua
cultura, e, a fim de mostrar a pluralidade humana, mete na história um diálogo como o de Ariel
com Laura, em que ela, perguntada se também é judia, responde: "Não, mas sou gay". Condição que
dá margem à mais uma subtrama que não se desenvolve (Laura tem uma namorada, a quem passa a dar
cada vez menos atenção depois de conhecer Ariel), da mesma forma que o romance entre Santamaría
e Elsa, faxineira de um banheiro público que espera a volta do marido preso. Melhor ficar
observando as imagens da Argentina, com suas igrejas evangélicas, seus camelôs (tudo igualzinho
ao Brasil) e pensar no que está dando errado nessa tal globalização. Ou fazer como diz o filme
a certa altura, lá pelo final: ir vivendo a vida sem esperar nada dela.
(M.L.)
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