28 Days Later...,
Holanda / Reino Unido / EUA, 2002.
Com CILLIAN MURPHY, NAOMIE HARRIS, NOAH HUNTLEY,
ALEXANDER DELAMERE, KIM McGARRITY, BRENDAN GLEESON, MEGAN BURNS, LUKE MABLY, STUART McQUARRIE,
RICCHI HARNETT, LEO BILL.
Música: JOHN MURPHY.
Fotografia: ANTHONY DOD MANTLE.
Montagem: CHRIS GILL.
Desenho de produção: MARK TILDESLEY.
Produção executiva: GREG CAPLAN, SIMON FALLON.
Produção: ANDREW MacDONALD.
Escrito por ALEX GARLAND.
Direção: DANNY BOYLE.
Estréia no RJ:
Sinopse e comentário.
Horror. Ao acordar desorientado num leito de hospital, o jovem Jim
descobre estar completamente sozinho. A cidade parece ter sido esvaziada, e pelas ruas tudo o
que encontra é morte e desolação. É nesse instante que saem dos becos e vãos escuros pessoas
aparentemente mortas, avançando ameaçadoras em sua direção, resultado de um vírus de laboratório
disseminado 24 dias antes. Na fuga, Jim encontrará Mark e Selena, sobreviventes como ele, com
quem buscará meios de escapar da ameaça que já se alastrou por toda a Inglaterra.
Não havia razão alguma para que se gastasse dinheiro com a realização
desse filme, ainda que fosse para comparar a devastação na Terra com o vazio na cabeça de Danny
Boyle, o diretor. Da carreira promissora iniciada com Cova Rasa e aplaudida com
Trainspotting, sobrou a impressão de que os dois títulos não passaram de golpe de sorte.
Os filmes seguintes, Por uma Vida Menos Ordinária, A Praia e agora esse
Extermínio, botam pra fora a falta de assunto que os cacoetes narrativos tentam
disfarçar. A edição nervosa, a música pesada, a fotografia granulada sugerindo ter sido feita
em vídeo digital, tudo é feito para dar a este filme, mistura de A Noite dos Mortos Vivos
com as ficções apocalípticas feitas por Charlton Heston na década de 1970, uma roupagem
moderninha.
Boyle começa seu exercício sobre o nada mostrando um grupo de
ecoterroristas libertando macacos num laboratório e dando início à praga. Cenas tortas, tensas
e violentas, seguidas pelo despertar do protagonista numa Inglaterra desabitada, com carros
capotados, lixo pelas ruas e uma igreja entupida de cadáveres amontoados. Desolação mostrada em
imagens que impressionam, acompanhadas de boa trilha sonora, sugerindo algo interessante por
vir. Só que o filme pára por aí. A crueldade sem propósito que vem depois, travestida de muita
pretensão e algo que o diretor deve achar que é estilo, não prende a atenção, não incomoda, não
surpreende. A falta de assunto se explicita quando os sobreviventes encontram um grupos de
militares que não são bem a salvação, e Jim passa de sobrevivente a super-herói. Uma bobagem
que fica aquém até do recente Resident Evil, de temática e defeitos semelhantes.
(M.L.)
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