Phantom of the Paradise,
EUA, 1974.
Com WILLIAM FINLEY, PAUL WILLIAMS, JESSICA HARPER,
GEORGE MEMMOLI, GERRIT GRAHAM, ARCHIE HAHN, JEFFREY COMMANOR, HAROLD OBLONG, COLIN CAMERON,
DAVID GARLAND, GARY MALLABER, ART MUNSON, MARY MARGARET AMATO.
Música: GEORGE ALICESON TIPTON, PAUL WILLIAMS.
Fotografia: LARRY PIZER.
Montagem: PAUL HIRSCH.
Desenho de produção: JACK FISK.
Produção executiva: GUSTAVE M. BERNE.
Produção: EDWARD R. PRESSMAN.
Escrito e dirigido por BRIAN DE PALMA.
Estréia no RJ:
Sinopse e comentário.
Musical "thrash", versão pop-rock de O Fantasma da Ópera.
Notificado do interesse do sinistro executivo Swan em contratá-lo, o cantor Winston Leach vai
até a gravadora Morte Discos após uma apresentação. Ignorado e rechaçado, Leach não desiste e
entra clandestinamente na mansão de Swan, surpreendendo-se ao ver dezenas de candidatas
ensaiando para um teste a canção que ele, Leach, compôs. Ainda que tente protestar, o compositor
é não apenas expulso e espancado mas, acusado de invasão de propriedade, também enviado para a
prisão de Sing Sing, onde o torturam e arrancam-lhe todos os dentes. Ainda assim Leach consegue
fugir, invadindo alucinado a Morte Discos até que um acidente na prensa desfigura-lhe metade do
rosto, e a queda no rio faz com que ele seja dado como morto. Retornando como uma figura
fantasmagórica e monstruosa, de capa e com a face coberta por uma máscara, ele retornará para
vingar-se de Swan, sabotando os shows da banda Juicy Fruits e apaixonando-se por Phenix, a
cantora novata recém contratada que será lançada na inauguração do clube noturno Paraíso.
Quem está acostumado ao erotismo chique, ao suspense de botequim e à
pretensão intelectual do diretor Brian De Palma certamente se surpreende diante de O Fantasma
do Paraíso. Rara incursão do diretor no gênero musical (embora futuramente ele viria até a
dirigir clipe de Bruce Springsteen), o filme em alguns momentos parece brincadeira de
adolescente que ganhou uma câmera, tal o desleixo com que é tratada a imagem. Mas o que
predomina é o tom grandiloqüente que ultrapassa a histeria, para mostrar o sofrimento do
protagonista e a crueldade do vilão, numa narrativa tirada dos desenhos animados e
caracterizada pela violência. Tudo para mostrar a face demoníaca da indústria fonográfica (um
espectador mais ensandecido que tenha levado isso tudo a sério pode até acrescentar: e do
capitalismo), que rouba e se utiliza do artista para depois descartá-lo. Após vender a alma ao
Diabo, Swan conquistou um império no ramo musical, e vive de explorar seus astros com contratos
escritos em sangue onde exige a própria voz daqueles a quem se associa, como faz com Phenix. Ao
solitário indivíduo que se rebela contra isso tudo resta a luta inglória, a perda da identidade
e da própria voz, até o final trágico.
Isso tudo De Palma, diretor extremamente supervalorizado pelo público e
pela crítica, filma de maneira febril, oscilando entre o patético, o dramático e a bagunça, mas
sem se decidir que rumo tomar. Seu vício (o que decerto considera estilo) de dividir a tela em
duas e mostrar a mesma cena de ângulos diferentes já aparecia nesta época, sem nenhum acréscimo
à trama além de tornar mais demente as seqüências dos shows da banda Juicy Fruits e de seu
vocalista andrógino, que morre vitimado por uma descarga elétrica. A platéia obviamente ri, um
riso nem sempre voluntário, e acaba gostando do filme. E é verdade que O Fantasma do
Paraíso tem méritos, embora eles não sejam cinematográficos e fiquem a cabo das canções de
autoria de Paul Williams, que além de interpretar Swan também dubla o protagonista William
Finley quando ele está cantando. Fora isso, o resto é perda de tempo.
(M.L.)
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