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A Fogueira das Vaidades


The Bonfire of the Vanities,
EUA, 1990.


Com TOM HANKS, BRUCE WILLIS, MELANIE GRIFFTH, MORGAN FREEMAN, KIM CATTRALL, SAUL RUBINEK, JOHN HANCOCK, KEVIN DUNN, CLIFTON JAMES, LOUIS GIAMBALVO, BARTON HEYMAN, NORMAN PARKER, DONALD MOFFAT, ALAN KING, KIRSTEN DUNST, F. MURRAY ABRAHAM.

Desenhista de Produção: RICHARD SYLBERT. Produtora associada: MONICA GOLDSTEIN. Co-produção: FRED C. CARUSO. Música: DAVE GRUSIN. Fotografia: VILMOS ZSIGMOND. Direção de Arte: GREGORY BOLTON, PETER LANDSDOWN SMITH. Montagem: BILL PANKOW, DAVID RAY. Produção Executiva: PETER GUBER, JON PETERS. Roteiro: MICHAEL CRISTOFER. Produção e direção: BRIAN DE PALMA.

Estréia no RJ:




Sinopse e comentário.



    Sherman McCoy, é um frio corretor de Wall Street que ganha comissões milionárias e se considera "o dono do mundo". Um dia, após buscar a sua amante, Maria Ruskin, no aeroporto, pega um desvio errado e, ao invés de ir para Manhattan, acaba no Bronx. Ao sair do carro para retirar uma barreira que impedia a sua passagem, é abordado por dois possíveis assaltantes negros. Consegue escapar, mas, na fuga, a sua amante, que assumira a direção do carro, acaba atropelando um dos rapazes. A partir desse momento, Sherman se vê no meio de uma grande trama que envolve, interesses políticos e financeiros, promotores exibicionistas, jornalistas sensacionalistas e religiosos interesseiros. Essa trama, o leva à ruína ao mesmo tempo que lança Peter Fallow, um jornalista bêbado e fracassado, ao estrelato.


    A Fogueira das Vaidades é uma adaptação do livro de Tom Wolfe para o cinema. Narrado pelo jornalista Peter Fallow, mostra a partir de uma alegoria (a estrada errada que ele pega é uma metáfora para a estrada errada da vida que ele seguia), como um caminho errado pode conduzir à desgraça. Mas não é só. Essa alegoria piegas é apenas o ponto de partida para uma crítica dos valores da sociedade contemporânea, onde os interesses pessoais e a manipulação da informação podem, muito mais do que um simples caminho errado, alterar toda a vida de dois homens.


    Nessa história não há santos. Quase todos os personagens não têm um pingo de caráter. Sherman é um homem que se acha o maioral, que não vê limites nos negócios em Wall Street e que trai a esposa descaradamente. Sua esposa, uma mulher fútil, sabe que é traída, mas só se incomoda com isso quando a história cai na boca da imprensa. Sua amante é o estereótipo da mulher bonita e burra. Casada com um homem bem mais velho, só quer saber de sexo, tem mais de um amante e só pensa em si. O promotor quer se tornar prefeito, e para isso, precisa dos votos da comunidade negra e pobre. Para obtê-los, tenta, a todo custo, levar um branco à condenação. O assistente do promotor só quer agradar o chefe para lucrar de algum modo. O Reverendo negro só pensa em dinheiro e a mãe do rapaz atropelado também. Testemunhas cometem perjúrio. O jornalista é um bêbado e fracassado, e como não tem nada a perder, aceita fazer qualquer coisa que lhe proporcione algum dinheiro e explora um acidente de modo sensacionalista, transformando um delinqüente em um mártir negro.


    Escapar, ninguém escapa. Fallow ainda tem uma crise de consciência quando descobre que não era Sherman quem dirigia o automóvel e, de modo anônimo, procura ajudá-lo, mas não deixa de explorar o caso de modo sensacionalista, tentando incriminar Maria. Sherman, o "herói da época, ou o mais próximo disso", como afirma Fallow, também tem uma crise de consciência, e pensa em esclarecer tudo com a justiça e a polícia, mas à medida que o caso ganha repercussão, mais tenso e mais enrolado ele fica. Seu pai, que é contrário à atitude profissional do filho e acredita na ética e na moral, no fim das contas, percebe que dizer a verdade não está adiantando, e concorda que Sherman minta para se safar. Ah! Tem o Juiz Leonard White (Morgan Freeman) e, justiça é justiça, né? Bom, nesse filme, e na vida, não é bem assim. Há um belo discurso do juiz, procurando defender a justiça e a lei, caracterizando-a como uma débil tentativa de estabelecer os princípios da decência, mas, a bem da verdade, ele se deixa enganar por Sherman.


    O filme é isto, uma grande sátira da sociedade moderna onde quase ninguém tem caráter, e onde a verdade nem sempre é solução.


    A Fogueira das Vaidades foi profundamente criticado, e acusado de ter desfigurado o elogiado livro de Tom Wolfe, eliminando a ironia e a crítica social que havia no livro. Na verdade, não creio que seja exatamente assim. O filme pode ter perdido muito em comparação com o livro, mas o argumento ainda é muito bom. É certo que, em função dele, o filme poderia ter sido fantástico e não foi, poderia ter sido mais ácido, mais incômodo. Porém, ainda é possível fazer a analogia de muitos personagens e situações com as do nosso dia-a-dia. Triste constatação.


    Para quem leu o livro e não quer correr o risco de se decepcionar, vale assistir ao menos à seqüência inicial do filme, que mostra a chegada de Peter Fallow a uma homenagem pelo sucesso obtido com o livro que escreveu contando essa história. São cerca de cinco minutos, filmados em tomada única, mostrando Fallow do momento em que ele chega de carro à garagem do local onde estava sendo realizada a homenagem, até a sua entrada no salão onde ocorria a homenagem propriamente. No trajeto, há um mundo de pessoas passando, situações acontecendo, e Fallow bêbado aprontando mil e umas. Haja sincronia e ensaio para que tudo ocorresse da maneira exata no momento exato. Deve ter dado um trabalhão, mas ficou genial. Se o filme não é de todo uma maravilha, essa cena vale o show. Como diz Fallow no fim do filme, perde-se de um lado, ganha-se de outro. "Bem, tem compensações". (Cláudio Beserra)





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