Brasil, 2003.
Com LÁZARO RAMOS, LEANDRA LEAL, LUANA PIOVANI,
PEDRO CARDOSO, CARLOS CUNHA FILHO, JÚLIO ANDRADE, PAULO JOSÉ.
Direção Musical: LÉO HENKIN.
Produção Executiva: NORA GOULART, LUCIANA TOMASI.
Direção de Fotografia: ALEX SERNAMBI.
Montagem: GIBA ASSIS BRASIL.
Direção de Animação: ALLAN SIEBER.
Direção de Produção: MARCO BAIOTO.
Roteiro e direção: JORGE FURTADO.
Estréia no RJ: 13.06.2003.
Sinopse e comentário.
Drama de suspense. André, trabalha como operador de fotocopiadora em
uma papelaria. Ganha muito pouco, o suficiente apenas para contribuir com seu sustento e o da
sua mãe. Economizando, consegue comprar um binóculo, com o qual passa a observar os
apartamentos vizinhos durante a noite. Em uma de suas sessões de voyerismo acaba vislumbrando
Silvia e se apaixona por ela. Procurando encontrar um jeito de se aproximar, inventa uma compra
de um presente para a mãe na loja onde Silvia trabalha. Como não tem dinheiro, acaba fazendo
a fotocópia de uma cédula de cinqüenta reais. Vendo no dinheiro a possibilidade de resolver
todos os seus problemas, planeja com o novo amigo Cardoso (namorado de uma colega da loja
onde trabalha) meios nada lícitos de consegui-lo, o que acaba colocando-os em confusões cada
vez maiores e mais perigosas.
Mal havíamos nos recuperado da bela impressão provocada por Houve
Uma Vez Dois Verões, lá vem Jorge Furtado com um novo longa. Esperar que um diretor /
roteirista pudesse fazer dois belos filmes em tão pouco tempo não seria normal, mas, talento
e criatividade é o que não faltam a esse grande contador de histórias que é Furtado. Saindo
de uma temática à primeira vista apenas adolescente do primeiro filme, em O Homem...
Furtado avança cronologicamente e, dessa vez, aborda os problemas de um jovem recém ingresso
na vida "adulta". Quem buscar aqui mais uma comédia vai se surpreender. Aliás, rotulá-lo de
"drama" (conforme informa do sítio do filme) não deixa de ser uma simplificação. O filme é
drama, mas também é comédia, é romance, é ação. É sensível e traduz bem sentimentos tão
humanos como o amor e a ganância, e as bifurcações e cruzamentos em que eles podem nos
envolver. Ao final, acabamos por absolver as personagens pela ganância e pelos métodos
ilícitos de ação. São humanos e reais, e não caricaturas. Têm qualidades, defeitos, medos.
São imperfeitos como todos nós, por isso são belos.
Mais uma vez ambientado no Rio Grande do Sul, dessa vez Furtado optou
por um elenco mais experiente. Nada contra o excelente elenco do filme anterior. Pelo
contrário, na verdade é o elenco de O Homem... que não tem algo - que em nada
prejudica, aliás - que era natural ao elenco anterior: o charmoso sotaque gaúcho. Talvez
a opção por atores baianos, cariocas e paulistas, todos com um belo desempenho, tenha o
objetivo de não dar uma imagem provinciana ao filme. Funciona, mas não por isso. Em verdade,
a temática de Furtado é mais uma vez universal. Tanto faz em quais dos "Rios" ela seja
ambientada, nos reconhecemos nela.
É essa universalidade dos temas de Furtado seu grande mérito. Se ao
invés de, a cada ano, ficarmos preocupados em produzir e lançar o "filme mais importante já
produzido no Brasil", e se deixássemos de lado a ânsia louca por uma estatueta internacional,
talvez ela viesse com mais naturalidade. Não que ela importe. O que importa mesmo, e que deve
ser o maior prêmio para o cinema brasileiro, é conseguir, cada vez mais, atrair o nosso
público, e não apenas a crítica internacional, para as poucas salas de cinema que se dignam
a passar filmes nacionais, de modo que esse número de salas e de público se multiplicasse.
O Homem Que Copiava é um filme delicioso que tem tudo, se for bem divulgado, para
atrair o público que vai ao cinema em busca do que deve ser a sua função principal:
diversão. O Homem... é diversão garantida, e das boas. Mais uma jóia com o padrão
Jorge Furtado de excelência.
(Cláudio Beserra)
Comente esse texto:
comentário (s) até agora.