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Horas de Desespero


The Desperate Hours,
EUA, 1988.


Com HUMPHREY BOGART, FREDRICK MARCH, MARTHA SCOTT, MAY MURPHY, ARTHUR KENNEDY, DEWEY MARTIN, GIG YOUNG, RICHARD EYER, ROBERT MIDDLETON, ALAN REED, BERT FREED, WHIT BISSELL.

Roteiro: JOSEPH HAYES, baseado em seu romance e peça. Fotografia: LEE GARMES. Direção de arte: HAL PEREIRA e JOSEPH MacMILLAN JOHNSON. Montagem: ROBERTO SWINK. Produtor associado: ROBERT WYLER. Música: GAIL KUBIK. Produção e direção: WILLIAM WYLER.

Estréia no RJ:










Sinopse e comentário.



    Suspense. Seria uma manhã como outra qualquer para a família Hilliard, moradora de luxuosa casa em Indianápolis: o pai, o empresário Daniel, parte para o trabalho dando uma carona à filha Cindy; o filho caçula, Ralph, foi para a escola; e a mãe, Eleanor, ficou cuidando da casa. Seria, se nessa mesma manhã o criminoso Glen Griffen não fugisse da prisão após quatro anos encarcerado, levando na fuga o irmão Hal e o perturbado Sam Kobish. Após escapar dos bloqueios na estrada, os três criminosos vão parar em Indianápolis, invadindo a casa dos Hilliard e tomando Eleanor como refém, bem como o resto da família, à medida em que vão retornando. Enquanto a polícia, sob o comando do agente Bart (responsável pela prisão anterior de Glen), intensifica a busca fechando as estradas, na casa dos Hilliard vai crescendo o clima de tensão e angústia, pois os criminosos não pretendem ir embora enquanto não chegar sua cúmplice, que viria trazer uma quantia em dinheiro para a fuga.


    O drama do cidadão como refém dentro de sua própria casa, exemplo urbano de uma situação de violência e crime, volta e meia é regurgitado pelo cinema com resultados irregulares. Horas de Desespero tem o mérito de ser pioneiro no gênero, embora os recursos utilizados pelo roteirista Joseph Hayes e pelo diretor William Wyler já tenham sido tão repetidos (até uma refilmagem, com Mickey Rourke e Anthony Hopkins, seria realizada em 1990) que acabaram tornando-o datado. Estão lá os visitantes inesperados (o namorado de Cindy, a professora de Ralph), a ameaça sexual à filha, o bandido psicopata, as desavenças entre os criminosos. Até o comportamento quase gentil dos vilões soa estranho para quem está acostumado com a grosseria e a violência dos bandidos de hoje. O Griffen de Humphrey Bogart, ator sempre expressivo e sempre impressionante, demonstra tanta paciência e disposição para o diálogo, principalmente nos confrontos com o patriarca dos Hilliard, que mais parece um assistente social.


    Ainda assim, mesmo com quase meio século nas costas, a narrativa precisa de William Wyler ainda dá um banho nos sucessores deste filme, pois é repleta de um charme e inteligência que vão desde a direção de arte e a fotografia até os diálogos concisos e geralmente impecáveis. Coisas que os grandes estúdios de Hollywood faziam brincando. Pode até ser difícil de engolir a facilidade com que os bandidos permitem que os membros da família deixem a casa, ou como são dominados, mas os momentos tensos do filme são elaborados minuciosamente, e seguram a atenção de quem assiste. Basta conferir, na introdução, o cuidado com os diálogos e com a apresentação da família, para logo depois mostrar, sugerindo, a chegada de Griffen. Ou, ainda, toda a seqüência em que o gordo e cruel Kobish entra no caminhão do velhinho dos jornais para silenciá-lo. Isso tudo sem nenhuma macaquice de câmera, nenhum banho de sangue e nenhum palavrão. Os "estetas" da imagem contemporâneos certamente acham sem graça. Então tá. (M.L.)





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