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Houve uma Vez Dois Verões


Brasil, 2002.


Com ANA MARIA MAINIERI, ANDRÉ ARTECHE, PEDRO FURTADO, VICTÓRIA MAZZINI, YURI FERREIRA, JULIA BARTH, MARCELO AQUINO, JANAINA KREMER MOTTA, ALICE FURTADO.

Música: LEO HENKIN. Montagem: GIBA ASSIS BRASIL. Direção de Arte: FIAPO BARTH. Direção de Fotografia: ALEX SERNAMBI. Roteiro: JORGE FURTADO. Direção de Produção: MARCO BAIOTO E DÉBORA PETERS. Produção Executiva: NORA GOULART E LUCIANA TOMASI. Direção: JORGE FURTADO.

Estréia no RJ: 10.01.2003.

Sítio oficial: www.doisveroes.com.br







Sinopse e comentário.



    Comédia Romântica. Chico passa seus verões na praia, mas somente a baixa temporada, durante o mês de março, quando o aluguel das casas de praia está mais barato, pois seu pai não tem dinheiro para bancar o aluguel na alta estação. Em meio a uma praia quase deserta, ele e seu amigo Juca não têm muito o que fazer e passam boa parte do tempo jogando no fliperama. Num desses dias ele conhece Roza e eles acabam transando. Chico, que era virgem, se apaixona por Roza, mas não a encontra mais naquele verão. De volta a Porto Alegre, um dia Chico recebe uma ligação dela. Marcam um encontro no qual ela afirma ter engravidado e pede a Chico, se possível, que arrume cerca de mil reais para ajudá-la a pagar o aborto. Chico vende seu amplificador e dá o dinheiro a Roza. Passam dias, semanas, meses, chega um outro verão e ela não entra em contato com Chico que, consciente de que havia sido passado prá trás, parte em direção às praias, em busca de Roza.


    Jorge Furtado, elogiado pelos seus curta-metragens, como o maravilhoso Ilha das Flores, e por sua colaboração ao criativo núcleo de Guel Arraes, na Rede Globo, é desses profissionais que, se produzissem em Hollywood, certamente estaria rico e muito famoso. Esse seu primeiro longa tinha muitas razões para dar errado. Um diretor já de um certo prestígio arriscar-se, em seu primeiro longa, a fazer uma comédia romântica adolescente é, no mínimo, um ato de muita coragem, que poderia por em risco toda a sua carreira. Além disso, onde já se viu contar uma história de um amor de verão, de praia, que não se passa, digamos, no Rio de Janeiro? Loucura. E mais, a história se passa no fim do verão, quando quase mais nada pode acontecer. Insano. Isso sem falar na opção por jovens e desconhecidos atores gaúchos, e por uma trilha sonora composta e interpretada essencialmente por artistas gaúchos. Prendam esse provinciano!


    No entanto, nas mãos de um grande profissional e, especialmente, nas mãos de um grande contador de histórias, tudo isso vira jóia. Uma jóia sensível e bela, como poucos conseguiriam fazer. O amor e a adolescência não são provincianos, são universais. Jorge Furtado parece saber muito bem disso, e faz de uma história simples, muito bem roteirizada e com deliciosos diálogos, pura diversão. No mais, para quem gosta de rock and roll, a trilha é um prato cheiro. O destaque é para os artistas gaúchos quase todos desconhecidos do grande público, mas alguns com alguma inserção no mundo underground do país, como é o caso da banda Ultramen (é no plural mesmo) e de Wander Wildner, compositor de Bebendo Vinho, gravada pelo Ira!, mas que conta também com o auxílio luxuoso de Cássia Eller e do Pato Fu.


    Muito bem interpretado pelos jovens atores escolhidos por Furtado, que estão muito acima da média que a gente vê na TV, com destaque para a linda Ana Maria Mainieri, Houve Uma Vez Dois Verões é uma história de adolescentes onde os adolescentes são adolescentes e não imbecis, como acontece nas comédias americanas, e tão pouco doutores em psicologia e sociologia, como a gente vê nas séries adolescentes de lá. A história é divertidíssima e agrada a pessoas de todas as idades - vide a sala onde assisti o filme, recheadas de menininhas dos dezessete aos setenta anos. Hilário sem ser escatológico, adolescente, sem ser idiota, Houve Uma Vez Dois Verões é um filme absolutamente apaixonante, como a belíssima Roza/Ana Maria. Que lábios!


    Se ainda assim, você estiver com um pé atrás, faça o que diz a música que o Patu Fu interpreta: é "tudo uma questão de manter a mente aberta, a espinha ereta e o coração tranqüilo", e correr para o cinema. Divirta-se. (Cláudio Beserra)










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