The Empire Strikes Back,
EUA, 1980.
Com MARK HAMILL, HARRISON FORD, CARRIE FISHER,
BILLY DEE WILLIAMS, ANTHONY DANIELS, DAVID PROWSE, PETER MAYHEW, FRANK OZ, KENNY BAKER,
ALEC GUINESS, JEREMY BULLOCH, JOHN HOLLIS, KENNETH COLLEY, JULIAN GLOVER, MICHAEL SHEARD,
BRUCE BOA.
Desenho de produção: NORMAN REYNOLDS.
Fotografia: PETER SUSCHITZKY.
Montagem: PAUL HIRSCH.
Efeitos visuais especiais: BRIAN JOHNSON, RICHARD EDLUND.
Música: JOHN WILLIAMS,
executada pela ORQUESTRA SINFÔNICA DE LONDRES.
Produtores associados: ROBERT WATTS, JAMES BLOOM.
Produção executiva: GEORGE LUCAS.
Roteiro: LEIGH BRACKETT e LAWRENCE KASDAN.
História: GEORGE LUCAS.
Produção: GARY KURTZ.
Direção: IRVIN KERSHNER.
Estréia no RJ:
Sinopse e comentário.
Aventura/ficção-científica, continuação da saga iniciada com
Guerra nas Estrelas. A Aliança Rebelde passa por tempos difíceis, pois a destruição da
Estrela da Morte não impediu que o Império iniciasse nova investida. O sombrio Lord Darth Vader,
obcecado pela captura do agora capitão Luke Skywalker, consegue localizá-lo numa base rebelde
num planeta gelado, e parte com suas tropas dando início a novo combate. Com o ataque, o grupo
formado por Han Solo, a Princesa Léia, Chewbacca e o andróide C-3PO irá separar-se de Luke, que
rumará para o planeta Dagobah a fim de ser treinado para tornar-se um Cavaleiro Jedi pelo mestre
Yoda, segundo mensagem do antigo mestre Obi-Wan Kenobi. Assim, enquanto Luke e R2-D2, parceiro
de C-3PO, partem para Dagobah, os outros serão implacavelmente perseguidos pelo espaço, em
campos de asteróides e na cidade das nuvens, onde se dará o duelo de sabres-de-luz entre Luke e
Vader.
Para além de uma seqüência superior ao original, O Império
Contra-Ataca resgatou nos cinemas o espírito dos antigos seriados dos anos ..., em que o
público ansioso ficava aguardando a conclusão dos apuros em que seus heróis se metiam. Planejado
como uma ambiciosa saga (formato que, duas décadas depois, seria repetido em filmes como
Matrix e O Senhor dos Anéis, além do próprio Guerra nas Estrelas, retomado
por seu realizador quando a série já se achava abandonada), o filme recupera também o gênero
aventura, que até então vinha misturando-se com o humor, ou com experimentações narrativas que
ofuscavam o sentido do termo.
De maneira convincente e bem elaborada os roteiristas expõem os
carismáticos personagens a situações de perigo, humor, romance e descoberta, sem jamais
atropelarem o espectador, nem cederem a excessos ou vícios narrativos. A direção acerta em não
forçar uma mitificação sobre os protagonistas (recurso muito utilizado atualmente para disfarçar
a falta de assunto), colocando todo o universo da ação sob a presença sombria e espetacular de
Darth Vader, ele o verdadeiro herói da saga. A grandiosidade que remete ao nazismo, pelos
cenários, pela organização quase religiosa dos exércitos e, principalmente, pela inesquecível
marcha imperial composta pelo maestro John Williams (que já foi chamado de o Beethoven do século
XX), é contrabalançada de forma criativa nas exibições de humanidade / fraqueza do imbatível
vilão, seja ajoelhando-se diante do Imperador ou flagrado vestindo o capacete. Mesmo com a cara
escondida atrás de uma máscara, Vader é personagem dos mais expressivos.
O que não é pouco neste filme. Embora Luke Skywalker, o mocinho, tenha
se tornado sujeito fechadão e antipático, o mercenário Han Solo e a princesa Leia (interpretada
por uma Carrie Fisher que conseguiu ficar mais linda a cada filme) brilham em rusgas que
obrigatoriamente irão desembocar em romance, até a separação forçada na dramática cena do
congelamento. E há Yoda. Espécie de muppet mutante que, apesar da aparência, torna-se personagem
dos mais respeitados e queridos. Suas lições ao jovem e teimoso aprendiz de Jedi fornecem um
clima de fábula sombria, principalmente na seqüência em que Luke tem de entrar na caverna. Quem
viu no cinema, deve ter sentido calafrios nesta hora tanto quanto suspirou de alívio quando o
Millenium Falcon enfim entra no hiperespaço.
O esperto recurso de separar os personagens e criar não apenas tramas
paralelas, mas novos e imaginosos universos (um planeta gelado, outro pantanoso, uma cidade nas
nuvens) é utilizado com criatividade, mas o maior acerto de O Império Contra-Ataca
resume-se no fato de tudo no filme subordinar-se, e não o inverso, à história. Por isso a ação e
a emoção tornam-se convincentes ,e não se tem no ar o cheiro de desperdício. Por isso que,
quando George Lucas relançou toda a trilogia em versão digital e com cenas inéditas, foi este
filme que sofreu menos modificações. Por isso que cada novo episódio, quando lançado, sofre
sempre a comparação com este, que até agora permanece com larga vantagem sobre os demais.
(M.L.)
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