The League of Extraordinary Gentlemen,
EUA / Alemanha / República Tcheca / Reino Unido, 2003.
Com SEAN CONNERY, SHANE WEST, PETA WILSON, STUART TOWSEND,
JASON FLEMYNG, NASEERUDDIN SHAH, RICHARD ROXBURGH, TONY CURRAN, TOM GOODMAN-HILL, MAX RYAN,
DAVID HEMMINGS, TERRY O'NEILL.
Música: TREVOR JONES.
Fotografia: DAN LAUSTSEN.
Montagem: PAUL RUBELL.
Produtor associado: RICK BENATTAR.
Desenho de produção: CAROL SPIER.
Direção de arte: MARCO BITTNER ROSSER, ELINOR ROSE GALBRAITH,
JINDRICH KOCÍ, JAMES McATEER, JAMES F. TRUESDALE.
Produção executiva: SEAN CONNERY, MARK GORDON.
Produção: TREVOR ALBERT, DON MURPHY.
Baseado nos quadrinhos de ALAN MOORE e KEVIN O'NEILL.
Roteiro: JAMES DALE ROBINSON.
Direção: STEPHEN NORRINGTON.
Estréia no RJ: 12.09.2003.
Sinopse e comentário.
Aventura. Inglaterra, 1899. Ataques quase simultâneos a Londres e a
Berlim utilizando armamentos até então desconhecidos levam a uma situação de conflito na Europa,
com a ameaça de uma guerra de proporções internacionais. Auto-exilado numa fazenda no Quênia, o
lendário caçador Alan Quatermain recebe um chamado do governo britânico, representado pelo
agente M, para reunir um seleto grupo e ir atrás do sinistro Fantom, que estaria vendendo
armamentos pesados e principal interessado por uma corrida armamentista no mundo. Embora
sentindo o peso da idade e amargando a morte do filho numa missão, Quatermain aceita reunir a
chamada Liga Extraordinária, cinco figuras incomuns para deter Fantom. Juntam-se a ele, assim,
o ex-pirata Capitão Nemo, agora honesto amante da tecnologia aliado à sabedoria milenar
oriental; Rodney Skinner, o homem invisível; Mina Harker, viúva do corretor John Harker que
teria sido vampirizada pelo Conde Drácula; Dorian Gray, sujeito imortal que mantém um segredo a
respeito de um retrato seu; e, finalmente, um certo Dr. Jeckyll, criador de uma poção que libera
um monstro ao ser ingerida. Une-se à Liga o agente secreto americano Tom Sawyer, e, após
escaparem de uma série de atentados e sabotagens, Quatermain e os demais partem para Veneza,
local onde ocorrerá uma reunião de líderes mundiais e que será o alvo de Fantom.
Já foi dito que o gênero aventura vem ultrapassando perigosamente a
fronteira que o separa da chanchada e do pastelão. É verdade, basta uma olhada em produções
recentes como A Múmia, Lara Croft ou Piratas do Caribe para comprovar.
Muita papagaiada, mas nada que provoque no espectador aquilo que deve provocar uma boa
aventura. Para a patota que comanda o atual cinema de entretenimento, o negócio é deixar os
olhos do público ocupados o maior tempo possível. Para isso, enche-se a tela com bilhões de
seqüências rapidíssimas, repletas de efeitos visuais e num ritmo alucinado com o único propósito
de reproduzir os jogos de computador. Não sobra, assim, tempo para que a mente absorva o
universo que lhe é apresentado e forme um imaginário. Não se gera o sentimento de descoberta,
de perigo, e muito menos a fantasia que desperta o espírito de aventura.
Mas isso tudo é muito abstrato, e não deve interessar a ninguém nesses
tempos de cifras e pesquisas de opinião. Por isso é que não deixa de ser curioso notar o quanto
A Liga Extraordinária oscila entre o bom filme de aventura e o liqüidificador de imagens
e sons. A inspiração que se foi buscar nos quadrinhos do britânico Alan Moore não é por acaso.
Junto com o americano Frank Miller, Moore é responsável não só pela ressurreição das histórias
de super-herói, mas principalmente pela maturidade e inteligência que imprimiu ao gênero. Para
os produtores, o nome dele nos créditos de um filme deve bastar para ter-se um atestado de
qualidade. Só que não é por aí que a banda toca.
A Liga Extraordinária tem uma direção de arte belíssima, que não
apenas constrói cenários requintados e grandiosos, mas recria uma impressionante Londres do fim
do século XIX (só a panorâmica inicial já justificaria a ida ao cinema). Isso, no entanto, é o
mesmo que construir uma piscina olímpica para acolher um peixinho dourado. Se não há uma
estrutura que harmonize a embalagem e o conteúdo, o resultado é uma salgada impressão de
desperdício. Uma história com o formato desse A Liga (que é o mesmo do recente e ótimo
X-Men) requer personagens consistentes, com histórias e personalidades elaboradas. Mas
aqui o único que chega perto disso é o ambíguo e misterioso Dorian Gray, e mesmo assim por
mérito de seu intérprete Stuart Towsend (ator que parece uma mistura de Johnny Depp com Jude
Law). O restante sucumbe à superficialidade do roteiro, que só afugenta a preguiça quando põe
os membros da Liga para se alfinetarem, durante as apresentações.
Há ainda um atropelo desnecessário de seqüências de ação, e nisso o filme
não difere dos citados no início desse texto. Afinal, é a opção pela correria desenfreada que
acaba prevalecendo, e às interessantes idéias plantadas na trama é negado um tratamento que
evite a obrigatória lição de moral no fim.
(M.L.)
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