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Lisbela e o Prisioneiro


Brasil, 2003.


Com SELTON MELLO, DÉBORA FALABELLA, MARCO NANINI, VIRGÍNIA CAVENDISH, BRUNO GARCIA, ANDRÉ MATTOS, TADEU MELLO, LÍVIA FALCÃO, ARAMIS TRINDADE, PAULA LAVIGNE.

Baseado no livro de OSMAN LINS. Direção de arte: CLÁUDIO AMARAL PEIXOTO. Montagem: PAULO HENRIQUE FARIAS. Fotografia: ULI BURTIN. Produtores associados: VIRGINIA CAVENDISH, GUEL ARRAES. Produção executiva: MAURO LIMA, TEREZA GONZALEZ, IVAN TEIXEIRA. Produção: PAULA LAVIGNE. Roteiro: GUEL ARRAES, JORGE FURTADO, PEDRO CARDOSO. Direção: GUEL ARRAES.

Estréia no RJ: 22.08.2003.






Sinopse e comentário.



    Comédia romântica. Apaixonada por filmes de amor, a virginal Lisbela é a filha do delegado de uma cidadezinha no interior de Pernambuco, e vive nas sessões de cinema com o noivo, o almofadinha Douglas. A chegada de Leléo, artista mambembe que viaja com um parque itinerante dentro de um caminhão, irá mudar a rotina da cidade. Mulherengo incorrigível, Leléo não sabe que sua última incursão trouxe-lhe tanto o amor da bela e exuberante Lindaura, quanto o ódio do marido desta, o matador Vela de Libra, conhecido pelas velas que acende para suas vítimas. E é justamente quanto Leléo, ao apaixonar-se por Lisbela (e ser correspondido), resolve dar um rumo à sua vida, que chegam à cidade não apenas Lindaura, largando tudo para vir atrás dele, mas também o próprio Vela de Libra, a quem Douglas, o noivo abandonado, se unirá em busca de vingança.


    Certo está quem comparou os filmes do diretor Guel Arraes às chanchadas da Atlântida. A roupagem moderninha mais exalta do que esconde o espírito alegre, e a intenção de fazer um cinema inspirado no e voltado para o povão. Tem dado certo, a contar pela lotação das salas, e é bom que dê. O cinema brasileiro precisa de menos candidatos a gênio, e pelas entrevistas que deu Arraes não parece interessado na alcunha. Em seus filmes a preocupação com o texto e a interpretação (características de quem vem do teatro), mais do que com uma sofisticação visual sem conteúdo, é o que primeiro salta aos olhos, e que se acentua na velocidade das seqüências (traços de quem passou pela televisão). Isso, mais os tipos que caem fácil no gosto do público, e que já levaram colunistas ao disparate de comparar Selton Mello a Oscarito, mais uma forte campanha de divulgação, com direito a música-tema executada à exaustão em todas as rádios, e tem-se um sucesso de bilheteria.


    Lisbela e o Prisioneiro vem de um texto de Osman Lins, virou especial de TV, peça de teatro e agora filme. O costume de esgotar todos os meios possíveis deve ser tique nervoso de Arraes, que fez parecido em seu filme de estréia, O Auto da Compadecida. É obviamente um jeito de faturar mais com o mesmo produto, embora a desculpa oficial seja a de que está-se a explorar linguagens. Mas tudo bem. O diretor não é nenhum picareta sem talento, e entre um e outro gracejo coloca belas citações / homenagens ao cinema, que vão de Fellini ao Bye Bye Brasil de Carlos Diegues. A todo instante seus personagens estão falando do encantamento provocado pela arte, seja ela o cinema ou "Monga, a mulher gorila", e a narrativa muitas vezes segue em paralelo com a trama do filme assistido por Lisbela. Recorre-se excessivamente a tal estratégia, e a brincadeira de mexer, ir e voltar com a história (como nas alternativas apresentadas ao final), principalmente por já se tratar de uma história cheia de idas e vindas, acaba cansando.


    Do elenco onde quase todos os atores forjam o sotaque nordestino (com exceção do "carioca" Douglas), o destaque é Marco Nanini, ainda que ele reprise o cangaceiro do Auto da Compadecida, até no uso de lentes para ficar mais amedrontador. Seu Vela de Libra é o único personagem a fugir da piada pela piada e apresentar nuances. Os outros são tipos, alguns mais engraçados como o Cabo Citonho de Tadeu Mello, e outros deliciosos como a Lindaura de Virgínia Cavendish (que fez Lisbela nos palcos). A continuar assim, fica fácil imaginar qual será o próximo filme de Guel Arraes. Basta olhar o que ele já fez para a TV. (M.L.)





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