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Vingança
Luiz Alberto Machado





   Doro - sempre o Doro, ora -, enrabichou-se por Lucrecilda. Nossa, nunca vi o cabra passar um aperto arrochado. Ele quando viu aquela belezura dando asa pro bico dele, amanhou-se e saiu flertando com uns leros trepidantes de chega se adiantar exultante, proseado virado na gota.

    Quiquiqui, cacacacá, tudo correndo frouxo, na calha. Nem havia ele ainda se esquecido direito do incidente com a pingueluda. Mas tava amocegando nova paquera, cego de paixão, segundo ele mesmo, amor à primeira vista. Avassalador.

    Conversa, pantim, frescurinhas, risadagem, tudo se encaminhando para a maior moleza.

    - Essa, tá mais fáci qui portão aberto, é só intrá! É hoje!

    O celerado arrudiou a moça, tomou conta do espaço todo, caprichou nos galanteios, arrotando riqueza de uma hora prá outra já dono de fazendas, de gado, de haras, meio mundo de posses inimagináveis, faroso chega quase ele próprio acreditar.

    - Dessa veizi caprichei na dose, vai ser o maió vortê!

    Depois de meio mundo de vuque-vuque, apertão, bate-coxa, rastapé, ajeitados e apalpadelas, lá prás tantas, a moça resolveu quebrar o silêncio.

    - Sou casada.

    O cabra pelou, ficou branco.

    - Cadê o corno?

    - O quê, tais pensano o quê? Num sou dessas não e dê-se ao respeito, cabra!

    Vote, Doro aperreou-se. Meteu as mãos pelas pernas quando tudo estava indo conforme a maravilha. Já havia driblado o meio de campo, engalobado a defesa, empapado o goleiro, era só entrar com bola e tudo e comemorar na galera. Desilidiu-se, do infortúnio brabo meteu o dente na cachaça de vê-lo por dias encarreados cheio das meropéias, chorando de paixão. Isso durou noites e dias, semanas e meses.

    Certa noite perdida, ele lavando a jega, recebe um recado:

    - Lucrecilda disse que você fosse lá na casa dela que ela quer falar com você.

    Ôxe, o maloqueiro chega iluminou-se. De uma golada só virou o copo, pigarreou, revestiu-se da virilidade que a homência exige, amolegou a pêia, ajeitou o colarinho, estufou o peito e zarpou na hora.

    - Hoje eu encho a pança!

    E foi. Lá chegando, a mulher estava só encantadora, com um pano que mal cobria os seios robustos e esticados de quase furar o tecido; uma calcinha miúda de não cobrir nada de sua sedenta púbis; cheirosa de enfeitiçar o juizo do melepeiro, toda se rindo, olhando apertado, falando manso, jeitosa, reboladeira, tesuda, perguntando disso, daquilo, como vai, entra, chega aqui, senta, vai, fica a vontade, e meio mundo de puxa-e-encolhe. Foi tanto paparicado dele ficar com a maior empáfia!

    - Ôxe, prá quem sempre foi a bosta do cavalo do bandido, essa é a maior moleza, acertei na loteria! Vou já palitar os dente, ora se vô.

    Todo sem jeito ele foi entrando devagar, se acercando do ambiente que ele não é bobo, podia ser uma arapuca e cabra sabido num se deixa pegar no vexame nem levar pênalti na última hora.

   Comedido, timidamente se familiarizando com o seu espaço, chegando a constatar que ali possuía um vão com uma única porta, tanto servia para entar como para sair, somente ela. Ah! virou a cara pro perigo e que seja lá o que deus quisesse.

    Negócio rolando solto, sarro pesado, profundezas invadidas, intimidades obliteradas, negócio apertado, tudo afogueando no tempeiro do rala e rola.

    De repente, bei bei bei!

    - Abra a porta!

    Eita, era o marido dela. Maior correria, escondo aonde, vou por ali, sair pelo telhado, nada é de laje, janela nenhuma, fresta alguma, ôxe, guarda-roupa nem cabia, geladeira, forno do fogão, e na borta bei bei bei, nada de lugar para se esconder, embaixo do urinol, atrás do sofá, embaixo da mesa, na cama de campanha, onde porra?! E bei bei bei.

    - Abra a porta senão arrombo!

    - E agora?

    - Abra a porta e vamo vê onde vai dá o carnavá!

    - Seja homi, cabra!

    - Sê-se, já fui. Bora, quero vê o empenado. Vai, abre logo, vai.

    Bei, bei, bei! Abriu, pronto: o inferno estava pronto! O cara puto, virado nos duzentos demônios. Vinha fumaçando quando entrou ligeiro, parou no centro da sala, olhou dos lados, encarou o pé-de-pano e, assim sem mais nem menos, disse:

    - Dá licença, amigo!

    Dirigiu-se para a televisão, arrancou o fio da tomada, ajeitou junto da antena, pegou o aparelho nos braços e já ia arribando quando, da porta, ameaçou:

    - E já já venho buscar o botijão de gás.

    Aí a Lucrecilda foi petulante:

    - Ôxe, isso é um corno vingativo, num quer que o pé-de-pano nem coma nem veja!

    Aí, meu, o negócio fedeu. O cara cuidadosamente colocou a televisão num recanto assim da calçada e voltou-se à mulher com um bofetão daqueles da gente ver que não vai sobrar nem o documento de identificação. Tei bei! A mulher espragatou-se na parede com a força da intrépida mãozada, e só foi bufe bufe bufe até umasoras. Quando a mulher já estava ali arriada, molezinha chega ver que nem tinha mais vida, o corno virou pro Doro e disse:

    - E aí, meu?

    - Ôxe, pode continuar, tá melhor que o filme que eu tava assistinto. Mande brasa.

    Bié, bié, glup, glup.






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