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Monty Python O Sentido da Vida
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Monty Python’sThe Meaning of Life,
EUA, 1988.
Com GRAHAM CHAPMAN, JOHN CLEESE, TERRY GILLIAM, ERIC IDLE,
TERRY JONES, MICHAEL PALIN, CAROL CLEVELAND, SIMON JONES, PATRICIA QUINN, JUDY LOE,
ANDREW MacLACHLAN, MARK HOLMES, VALERIE WHITTINGTON, JENNIFER FRANKS.
Elenco do curta O Seguro de Vida Permanente Carmesim:
SYDNEY ARNOLD, GUY BERTRAND, ANDREW BICKNELL, ROSS DAVIDSON, MYRTLE DEVENISH, TIM DOUGLAS,
ERIC FRANCIS, MATT FREWER, BILLY JOHN, RUSSELL KILMISTER.
Música: JOHN DU PREZ.
Canções: GRAHAM CHAPMAN, JOHN CLEESE, ERIC IDLE, TERRY JONES,
MICHAEL PALIN.
Fotografia: PETER HANNAN.
Fotografia do curta O Seguro de Vida Permanente
Carmesim: ROGER PRATT.
Montagem: JULIÁN DOYLE.
Desenho de produção: HARRY LANGE.
Escrito por MONTY PYTHON.
Produção: JOHN GOLDSTONE.
Direção: TERRY JONES.
Direção do curta: TERRY GILLIAM.
Estréia no RJ:
Sinopse e comentário.
Comédia absurda dividida em esquetes procurando explicar qual o
sentido da vida, em que a abertura é formada por um curta-metragem (aparentemente desvinculado
do resto do filme) sobre um bando de velhinhos, funcionários da Seguro de Vida Permanente
Carmesim, que se revoltam contra seus patrões e partem como piratas rumo ao grande centro
industrial, destruindo tudo o que encontram pela frente. O filme propriamente dito tem então
início, seguindo uma divisão em capítulos temáticos: em O Milagre do Nascimento, os
médicos numa sala de parto dão mais importância a uma caríssima máquina de fazer "pim" do que à
paciente; em O Terceiro Mundo, um pai explica às suas dezenas de crianças que, devido ao
fechamento do moinho, terá de vender todos os filhos para experiências científicas, e que, por
ser católico, não pode utilizar métodos anticoncepcionais, dando início ao número musical
"Todo esperma é sagrado". O capítulo seguinte chama-se Crescimento e Educação: num
colégio de meninos, após a oração "Senhor, por favor não nos queime", os alunos têm uma
aula prática de sexo, seguida de uma violenta partida de rugby com os professores. A guerra é
vista em Lutando Uns Contra os Outros, enquanto a velhice é comentada em A Meia
Idade, onde um casal fica sem assunto num restaurante havaiano construído dentro de uma
masmorra medieval. A ação do Estado é mostrada em Transplante de Órgãos Vivos, para em
seguida um sujeito gigantesco passar mal num restaurante em O Outono da Vida. Na parte
final, que dá título ao filme, a Morte vem buscar um grupo de amigos durante o jantar.
O aparelho de TV que aparece ao final, flutuando no espaço e transmitindo
o programa Monty Python’s Flying Circus (local onde o grupo teve origem), já sugere uma
despedida. E, de fato, esse foi o último filme do Monty Python: depois dele, a trupe preferiu
dedicar-se a projetos individuais, o que, junto com o falecimento de Graham Chapman,
impossibilitaria uma nova reunião. Neste O Sentido da Vida, o humor impiedoso que junta
crítica social ao mais absoluto nonsense continua sendo exercido com a mesma fúria dos
filmes anteriores. Procurando não poupar ninguém, nem a si mesmo (com os peixes no aquário
perguntando quando, afinal, eles vão falar do tal sentido da vida), o grupo debocha da Igreja,
do Estado, da mídia, das relações sociais e dos norte-americanos, não se furtando ao uso da
escatologia (do qual a ótima seqüência do gordo vomitando no restaurante é o melhor exemplo)
para surpreender ou chocar. No entanto, ainda que demonstrando pleno amadurecimento
cinematográfico (verificado principalmente no curta-metragem dos velhinhos, um primor de direção
e montagem e que é a cara do que Terry Gilliam viria a fazer futuramente), pareceu faltar ao
roteiro o mesmo clima anárquico e alucinado de momentos anteriores. O Sentido da Vida é
um filme inteligente e divertido, mas também é de longe o mais pretensioso da filmografia do
Monty Python, permitindo muitas vezes que o escracho seja substituído pela ironia, e que o
desejo de criticar se sobressaia ao de fazer rir. Assim, vê-se que muitos dos quadros, apesar da
ótima interpretação de seus membros (que se alternam entre papéis masculinos e femininos), não
funcionam a contento, por mais que a narrativa seja rica em detalhes e sutilezas.
(M.L.)
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