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Um Clássico Para a Eternidade
Nélio Silva




   O filme Matar ou Morrer (1952), de Fred Zinnemann, um dos grandes clássicos do cinema, constantemente citado em listas dos melhores de todos os tempos, teve em 1964 uma cópia lacrada e devidamente enterrada na Feira Mundial de Nova York, para ficar para a posteridade, só devendo ser desenterrada (juntamente com outras preciosidades do século 20) - acreditem - no ano de 6939. Até lá o próprio rolo de filme já deve estar obsoleto, mas por certo "Matar ou Morrer" será uma boa mostra de como se fazia bom cinema muitos séculos antes.

Grace Kelly


   Assim como nós hoje reverenciamos Méliès e Murnau - bem recentes, afinal de contas - os viventes do século 70 certamente irão apreciar com todo o respeito os lídimos representantes da Sétima Arte de tempos tão distantes: o cineasta Fred Zinnemann e o ator Gary Cooper. E, naturalmente, cairão de inveja diante da beleza singela de nossa atriz/princesa Grace Kelly. Mas, voltando a nossa era, quem não assistiu a "Matar ou Morrer" não sabe o que perdeu. Um filmaço! Gary Cooper é o xerife Will Kane, que acaba de se casar com a jovem Amy (Grace Kelly), uma quaker (membro de uma seita protestante, nada a ver com a aveia), e já vai partir em lua-de-mel, mas fica para enfrentar o assassino Frank Miller (Ian MacDonald), que prendeu anos antes e que chegará à cidade no trem do meio-dia, para se vingar. Os velhos amigos do xerife, além de o aconselharem a partir, recusam-se a ajudá-lo. O xerife vence Miller e seus capangas, deixa o distintivo jogado na poeira da rua, vira as costas à população que sempre defendera e que o abandonara e vai embora.

   Uma curiosidade que determina o ritmo do filme: a história se passa no exato tempo em que o filme se desenrola, com uma seqüência de relógios mostrando os minutos que faltam para o meio-dia. Gary Cooper ganhou o Oscar de melhor ator, prêmio que foi recebido por John Wayne, já que Gary estava filmando "Sangue da Terra", no México. Do elenco de "Matar ou Morrer" participam ainda ótimos atores, como Thomas Mitchell, Lloyd Bridges, Katy Jurado, Otto Kruger, Lon Chaney e Lee Van Cleef. Também ganharam o Oscar a montagem e a canção "High Noon", sucesso nas paradas com o cantor chorão Frankie Laine.

Fred Zinnemann


   Fred Zinnemann nasceu em 29 de abril de 1907, em Viena, na Áustria. Formou-se em Direito e, influenciado por Eric von Strohein ("Ouro Maldito"/1923), Sergei Eisenstein ("Encouraçado Potenkin"/1925) e King Vidor ("O Grande Desfile"/1925), cursou na França a École Technique de Photographie et de Cinématographie e foi trabalhar na Alemanha como assistente de câmera. Em 1929, mudou-se para Hollywood para estudar técnica de som. No ano seguinte, trabalhou como extra em "Sem Novidades no Front". A estréia na direção foi em "Redes"(1936), um documentário encomendado pelo governo mexicano. Depois de um ano no México, voltou aos Estados Unidos, sendo contratado pela Metro. Seus primeiros filmes de longa metragem foram "Um Assassino de Luvas" e "Olhos na Noite". Em 1948, foi indicado para o Oscar por "Perdidos na Tormenta", estrelado por Montgomery Clift. Em 1950, assinou contrato de três filmes com o produtor Stanley Krammer. O primeiro, "Espíritos Indômitos" (1950), marcou a estréia de Marlon Brando no cinema. O segundo, "Matar ou Morrer"(1952), proporcionou um Oscar a Gary Cooper. O terceiro, "Cruel Desengano" (1952), teve uma destacada atuação de Julie Harris (com 27 anos e fazendo uma menina de 12), ao lado de Ethel Waters e Brandon de Wilde (o menino de "Os Brutos Também Amam"). Zinnemann foi realizador de outros grandes sucessos como "Oklahoma" (1955), "O Homem que Não Vendeu Sua Alma" (1966), "A Um Passo da Eternidade" (1953) - ganhador de vários Oscars -, "Uma Cruz À Beira do Abismo" (1959), "O Dia do Chacal" (1973) e "Júlia" (1977). Humano sem ser sentimental, reunindo com maestria o realismo e o requinte visual, Fred Zinnemann construiu toda a sua obra em torno de uma premissa básica: agradar ao público sem se preocupar com mensagens pessoais, apenas fazendo bons filmes. Foi um admirável contador de histórias, da escola de William Wyler, David Lean e George Stevens.

Gary Cooper


   Gary Cooper, na verdade Frank James Cooper, nasceu em 7 de maio de 1901, em Helena, Montana, nos Estados Unidos. Quando menino, entretanto, viveu na Inglaterra. De volta à terra natal, ainda jovem, chegou a colaborar no jornal de sua cidade como caricaturista político. Um agente deu-lhe o nome de Gary e ele passou a figurar em alguns filmes menores. Seu papel de destaque veio com "O Beijo Ardente" (1926). Em 1927, participou de "Asas", o primeiro filme a ganhar o Oscar. Em 1929, foi contratado para atuar em seu primeiro filme totalmente falado: "Agora ou Nunca", dirigido por Victor Fleming. No ano seguinte, ao lado da atriz alemã Marlene Dietrich, ele faria o primeiro grande filme de sua carreira: "Marrocos", um sucesso só há pouco tempo redescoberto. Outros filmes famosos de que participou foram "Adeus Às Armas" (1932), indicado para o Oscar; "Lanceiros da Ïndia" (1935); "O Galante Mr. Deeds" (1936); "Beau Geste" (1939); "Adorável Vagabundo" (1941); "Vontade Indômita" (1949); "Vera Cruz" (1954) e "Sublime Tentação" (1956). Com esse currículo fabuloso, Gary Cooper morreu de câncer em 14 de maio de 1961, exatamente uma semana após completar 60 anos.




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