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O Sucesso das Megeras
Nélio Silva


Bette Davis


   Há muito tempo a mulher boazinha e sofredora perdeu o seu charme no cinema. Por mais que se esforçasse, Doris Day nunca conseguiu convencer como boa atriz, apesar de seus bons desempenhos em, por exemplo, "A Teia de Renda Negra" e "O Homem Que Sabia Demais". Doris era boazinha demais, muito engraçadinha e, por isso, marcou mais como boa cantora que era. No fundo, o público vibra mais é com as vilãs, as malvadas. As soberbas Bette Davis e Joan Crawford estão aí mesmo, como as grandes damas da maldade nas telas. E com um número apreciável de seguidoras. Se não fosse pelas músicas, Julie Andrews passaria despercebida em "A Noviça Rebelde" e, como a trilha sonora não era o forte de "Em Algum Lugar do Passado", ninguém se lembra mais de Jane Seymour como a estrela desse comovente filme. Mas quem pode esquecer de Faye Dunaway levando para as telas as maldades verdadeiras de Joan Crawford, em "Mamãezinha Querida", onde Faye, como Joan, espancava sem dó suas filhas? Pelo visto, chega-se à conclusão que ser má dá status, pelo menos no cinema.

Joan Crawford


   Quando se fala em mulher má no cinema, não há quem não cite, em primeiro lugar, os nomes de Bette Davis e Joan Crawford, como se elas só soubessem fazer esses papéis de mulheres odientas. No entanto, num filme marcante de La Davis, "A Malvada", ela é justamente quem sofre com as maldades de Anne Baxter, a quem procura ajudar, com toda dedicação, a ser estrela. Anne, porém, com sua carinha de anjo barroco, não hesita em passar para trás sua protetora, usando de todas as baixarias que tinha à mão. Mas, Bette, que na mocidade fez par romântico com muitos galãs famosos, tratou de administrar sua fama de má e conseguiu, assim, a consagração. Tanto que até em seu último filme (mesmo já sofrendo do câncer que a matou) interpretou uma velha perversa, no papel-título de "Minha Sogra Maldosa". Bette, no entanto, teve uma rival à altura em Joan Crawford. Esta, que também foi estrela de muitos filmes na mocidade (quem se lembra?), ajustou-se muito bem aos papéis de má e alcançou a glória. Curioso que Joan e Bette chegaram a atuar juntas em "O Que Terá Acontecido Com Baby Jane?", em 1962. Só que Bette era a irmã má de Joan, boazinha. Mas, dizem que fora de cena elas também eram rivais e, ainda fora de cena, foram espinafradas pelas próprias filhas por maldades reais. Foram até lançados livros em que as filhotas das duas relatavam os maus tratos recebidos. E, como não podia deixar de ser, os livros fizeram sucesso e engordaram o pé-de-meia das meninas.

Faye Dunaway


   São inúmeros os exemplos de atrizes que alcançaram a fama como mulheres perversas. A começar pela já citada Faye Dunaway que, além de viver Joan Crawford na tela, destacou-se em "Rede de Intrigas" como uma programadora de televisão pra lá de inescrupulosa. Outra má famosa foi Piper Laurie, mãe de Sissy Spacek em "Carrie, a Estranha" e, mais cruel, Glenn Close, a amante vingativa de "Atração Fatal". E, por falar em fatal, não podemos esquecer das famosas vamps, que seduziam homens e os levavam à ruína. Começando pela grande estrela do cinema mudo, Theda Bara, em "Vampiresca" (que deu origem ao adjetivo vamp), passando por Marlene Dietrich ("Lola-Lola"), Brigitte Bardot ("E Deus Criou a Mulher"), Lana Turner ("O Destino Bate à Porta"), Ava Gardner ("Os Assassinos"), Dorothy Dandridge ("Carmen Jones"), Rita Hayworth ("Gilda") e tantas outras. Marilyn Monroe não conta, pois suas personagens eram mais ingênuas que maldosas.

   Também na televisão, a mulher má fez escola, como Joan Collins na série "Dinastia" e Barbara Stanwyck em "Pacto de Sangue". Mas as televisivas tupiniquins não deixam por menos. Que o digam Beatriz Segall, a terrível Odete Roitman de "Vale Tudo"; Joanna Fomm, a megera Perpétua de "Tieta"; e Glória Pires, a gêmea perversa de "Mulheres de Areia". Maldade pura, pra ninguém botar defeito. Nem precisava.




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