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14.06.2004
O Último Caubói
Nélio Silva
Há vinte e cinco anos o cinema perdia um de seus maiores mitos. Seu nome de batismo era
Marion Michael Morrison. Os mais íntimos o chamavam de Duke, mas o mundo inteiro o conheceu como
John Wayne, o mais durão dos caubóis do cinema. Não era mais ator que Gary Cooper, Henry Fonda,
James Stewart ou Marlon Brando, mas foi, sem dúvida, um dos mais carismáticos atores de
Hollywood. O caubói dos caubóis. Não se pode falar de filmes de faroeste sem vir à lembrança, de
imediato, o nome de John Wayne.
Nascido no dia 26 de maio de 1907, em Winterset, no estado
norte-americano de Iowa, desde a infância estava predestinado a ser um vaqueiro. Aos cinco anos,
sua família mudou-se para a Califórnia, indo para um rancho próximo ao deserto de Mojava. Ali, o
pequeno Marion e seu irmão Bob se divertiam montando cavalos em pêlo. No ginásio, já com o
apelido de Duke, quis ser advogado, depois sonhou em ser oficial da Marinha. Acabou indo estudar
na Universidade do Sul da Califórnia.
Em 1928, conheceu o cineasta John Ford, que ficou sendo um de seus melhores amigos. Deixou
de lado o futebol americano que praticava na faculdade e foi trabalhar nos estúdios da Fox, onde
fez pequenos papéis em faroestes inexpressivos, com o nome de Duke Morrison. Em 1930, ganhou sua
primeira grande oportunidade, pelas mãos de outro grande diretor, Raoul Walsh, estrelando
A Grande Jornada, no papel que era destinado a Gary Cooper. Ainda inexperiente, ele não
soube aproveitar a boa chance e voltou aos faroestes classe B, agora na Republic, até que John
Ford, em 1939, requisitou-o para fazer o papel de Ringo Kid no filme No Tempo das
Diligências, que acabou ganhando o Oscar de melhor filme do ano.
Sua estrela começava a brilhar. No Tempo das Diligências foi o primeiro dos grandes
faroestes do cinema e o início do sucesso na carreira de John Wayne, o caubói por excelência,
com uma boa presença física e um grande carisma.
John Wayne passou a ser um astro e vieram outros clássicos do cinema com seu nome em
primeiro plano. E não foram só faroestes. Estrelou filmes de guerra, como Fomos os
Sacrificados(1945) e Iwo Jima, o Portal da Glória(1949); a trilogia de John Ford
sobre a cavalaria americana: Forte Apache (1948), Legião Invencível (1949) e Rio
Bravo (1950). Foi um ex-boxeador em Depois do Vendaval (1952), considerado um dos
melhores filmes de Ford, que ganhou um Oscar de direção. Em Hatari! (1962), Wayne liderou
um grupo de caçadores. Mas foi como o caubói invencível que ele ficou para a posteridade. Foi o
grande astro de O Anjo e o Malvado (1947), Rio Vermelho(1948), Rastros de
Ódio (1956), Onde Começa o Inferno (1959), O Homem que Matou o Facínora (1962),
El Dorado (1967) e Bravura Indômita (1968), que lhe deu o Oscar de melhor ator.
Por duas vezes tentou a direção, mas sem êxito. Primeiro com o filme O Álamo (1960)
e, depois, com Os Boinas Verdes (1968), quando tentou mostrar a guerra do Vietnã como um
conflito heróico, sem convencer ninguém. Em 1964, pôs à prova seu grande heroísmo - agora na
vida real - quando descobriu que tinha câncer. Extirpou um dos pulmões, deixou de fumar e voltou
aos estúdios. Em 1976, dirigido por Don Siegel, despediu-se do cinema em O Último
Pistoleiro, interpretando um pistoleiro que está morrendo de câncer, doença que o mataria
três anos depois. Coincidentemente, com a morte de John Wayne os filmes de faroeste nunca mais
foram os mesmos.
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