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25.07.2004
A Pantera Cor-de-Rosa: 40 anos de sucesso
Nélio Silva
Rir sempre foi o melhor remédio. E o cinema, desde os seus primórdios, levou ao pé da
letra essa máxima, levando para a telona situações hilariantes, proporcionando aos espectadores
momentos de descontração e bom-humor. Desde os silenciosos Buster Keaton e Carlitos, passando
pelos impagáveis O Gordo e O Magro e Os Três Patetas, até hoje não há quem resista a uma boa
comédia. Principalmente se o astro principal é Peter Sellers, extraordinário ator inglês que
imortalizou o desastrado Inspetor Jacques Clouseau na série de filmes da Pantera Cor-de-Rosa,
iniciada em 1964. Pois, para comemorar os quarenta anos de "A Pantera Cor-de-Rosa", a MGM
preparou uma intensa lista de festividades, a começar pelo lançamento de uma caixa com cinco
DVDs com os filmes da série e mais um disco extra, contando a história dos filmes. Lá estão:
"A Pantera Cor-de-Rosa" (1964), "Um Tiro no Escuro" (1964), "A Nova Transa da Pantera Cor-de-Rosa"
(1976), "A Vingança da Pantera Cor-de-Rosa" (1978) e "A Trilha da Pantera Cor-de-Rosa" (1982).
Mas, não pára por aí. Entre as promoções estão: a primeira loja dedicada à Pantera... em Xangai;
uma Pantera Cor-de-Rosa tridimensional gerada por computador e, para 2006, está cogitada uma
linha infantil. Já disponíveis selos postais com a imagem do maestro Henry Mancini, autor da
clássica e inesquecível trilha sonora exclusiva do simpático felino. Também um estilista, Thomas
Pink (?!), aderiu às comemorações e lançou a Pink Panther Collection, inspirada na personagem.
Curioso é que a Pantera Cor-de-Rosa do título do primeiro filme da série era o nome de um
diamante roubado por um refinado ladrão, interpretado pelo notável David Niven. Ainda mais
curioso é que, como o felino, Peter Sellers (como o atrapalhado Inspetor Clouseau) também não
era o principal protagonista, papel que estava a cargo de David Niven (como o ladrão grãfino),
então no auge da popularidade por sua atuação em "A Volta ao Mundo em 80 Dias". Com seu
inconfundível talento histriônico, Sellers roubou a cena e o Inspetor Clouseau tornou-se o
principal personagem dos demais filmes da série, a mais popular das décadas de 60 e 70.
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| Blake Edwards |
Ao filmar "A Pantera Cor-de-Rosa", Blake Edwards já vinha de outros trabalhos de sucesso,
como "Hienas do Pano Verde" (1957), "Bonequinha de Luxo"(1961), com a estrelíssima Audrey
Hepburn, e "Vício Maldito" (1963), com magnífica interpretação de Jack Lemmon. Seu talento para o
cinema ele herdou do pai e, principalmente, do avô, o também diretor J. Gordon Edwards, que
dirigiu filmes importantes na primeira fase do cinema mudo, estrelados por sua mulher, a "vamp"
Theda Bara. Mas Blake Edwards foi além e fez sucesso também no rádio, na televisão e no teatro.
No cinema, começou como ator em 1943, em "Dois no Céu", dirigido por Victor Flemming e
protagonizado por Spencer Tracy, Irene Dunne e Lionel Barrymore. Encerrou a carreira em 1993,
quando escreveu, dirigiu e produziu "O Filho da Pantera Cor-de-Rosa", com o italiano Roberto
Benigni como o herdeiro do saudoso Inspetor Clouseau. No teatro, seu sucesso maior foi
"Victor/Victoria", estrelado por sua mulher Julie Andrews e musicado por seu genial parceiro
Henry Mancini. Também sucesso no cinema. Em 1997, finalmente Blake Edwards recebeu sua maior
consagração internacional: o prêmio Maestri del Cinema, pelo conjunto de sua obra. Instituído
pela importante revista italiana Filmcritica, o prêmio tinha sido conferido antes a diretores
como Alfred Hitchcock, Billy Wilder, Vincent Minelli, Elia Kazan, Martin Scorsese e Roman
Polanski.
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| Henry Mancini |
Henry Mancini fez a trilha sonora de todos os filmes da Pantera Cor-de-Rosa, além de outros
filmes com seu parceiro Blake Edwards, que lhe proporcionaram quatro Oscars: melhor canção
("Moon River") e melhor trilha sonora com "Bonequinha de Luxo" (1961); melhor canção ("Days of
Wine and Roses") com "Vício Maldito" (1963) e melhor trilha sonora com "Victor/Victoria" (1981).
Com Blake Edwards, aliás, teve nada menos que dezoito indicações para o Oscar. Foi, ainda,
indicado setenta vezes (isso mesmo) para o Grammy de Disco do Ano, Canção do Ano, melhor
performance orquestral, melhor arranjo e melhor trilha sonora. Ganhou vinte. A Pantera ficou
com o prêmio de composição instrumental, performance instrumental e arranjo instrumental. Henry
Mancini iniciou sua carreira artística como pianista e arranjador da orquestra de Glenn Miller,
quando o band-leader já havia desaparecido misteriosamente. Começou a compor para o cinema em
1952, destacando-se com a trilha sonora de "A Marca da Maldade" (1958), com um moderno clima
jazzístico. Henry Mancini tornou-se, merecidamente, um dos maiores mitos da música de cinema,
com mais de 200 trilhas sonoras e mais de oitenta LPs gravados, tendo ganho sete Discos de
Ouro.
O Inspetor Jacques Clouseau não é, como pode parecer, um personagem cômico. Não há nele
nenhuma intenção de fazer humor; é um policial sério, um detetive extremamente dedicado à sua
profissão. E é tão sério que nem percebe o quanto é risível e patético tentando ser um grande
detetive. Tem atitudes hilárias sem se dar conta disso. Sem dúvida, a marca registrada do
talento de Peter Sellers, cujo nome real era Richard, tendo adotado o nome Peter de seu irmão,
que faleceu com poucos meses de vida. Seu talento para o humor no cinema foi reconhecido pela
primeira vez no filme "Quinteto da Morte" (1955). Pouco depois, ele demonstrava sua capacidade
invulgar para a caracterização, interpretando três personagens diferentes em "O Rato que Ruge"
(1961), repetindo o feito em 1964, no filme "Dr. Fantástico", de Stanley Kubrick. Ao interpretar
o Inspetor Clouseau pela primeira vez, em "A Pantera Cor-de-Rosa", roubou a cena e conseguiu sua
consagração internacional, proporcionando a sequência de filmes sobre a Pantera, nas décadas de
60 e 70, a mais bem-sucedida série de humor do cinema. Dos oito filmes da série, Sellers atuou
efetivamente nos cinco primeiros, já que no sexto, "Na Trilha da Pantera Cor-de-Rosa" (1982),
sua presença foi efeito de montagens dos filmes anteriores. Peter Sellers morreu em 1980, de um
ataque cardíaco, quando filmava "The Fiendish Plot of Dr. Fu Manchu". Com Blake Edwards, Sellers
ainda atuou em outro grande filme: "Um Convidado Bem Trapalhão" (1968). Sua última grande
atuação se deu em 1979, em "Muito Além do Jardim", quando recebeu sua segunda indicação para o
Oscar (perdeu para Dustin Hoffmann, por "Kramer vs. Kramer").
"O Filho da Pantera Cor-de-Rosa"
Em 1992, Blake Edwards resolveu relançar sua criação e realizou "O Filho da Pantera
Cor-de-Rosa", com um herdeiro do famoso detetive, ignorado por este. O filho de Clouseau no
filme é o italiano Roberto Benigni (de "A Vida É Bela"). Também no elenco a sempre bela Claudia
Cardinale, ainda exuberante aos 53 anos. Ela foi a princesa Dala em "A Pantera Cor-de-Rosa" e é,
na verdade, a mãe do filho de Clouseau. Ela havia escondido do detetive a existência do filho e
deste a identidade do pai. Neste filme, Blake Edwards procurou recriar o mesmo clima dos
anteriores, começando pela abertura, com a Pantera em desenho animado com o célebre tema musical
de Henry Mancini. Foi o último filme da carreira de Blake Edwards.
Um novo Inspetor Clouseau
Numa tentativa de manter viva a lembrança e o carisma do atrapalhado Inspetor Jacques
Clouseau, já está sendo anunciada para 2005 uma refilmagem de "A Pantera Cor-de-Rosa", sob a
direção de Shawn Levy, com Steve Martin no papel que imortalizou Peter Sellers e com a clássica
trilha sonora original de Henry Mancini. Segundo o diretor Shawn Levy, não será uma simples
refilmagem, será uma versão mais modernizada, com as ações transcorridas na época atual.
Filmografia da série
1964 - A Pantera Cor-de-Rosa
1965 - Um Tiro no Escuro
1975 - A Volta da Pantera Cor-de-Rosa
1976 - A Nova Transa da Pantera Cor-de-Rosa
1978 - A Vingança da Pantera Cor-de-Rosa
1982 - A Trilha da Pantera Cor-de-Rosa
1983 - A Maldição da Pantera Cor-de-Rosa (com Ted Wass)
1992 - O Filho da Pantera Cor-de-Rosa (com Roberto Benigni)
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