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22.08.2004
Mulheres em Série
Nélio Silva
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| Frances Gifford |
O assunto agora é mulheres em série. Calma, não se trata de nenhuma fórmula mágica.
Eu me refiro às mulheres que protagonizaram as heroínas dos seriados no cinema. Apesar do
machismo que sempre imperou em Hollywood, as mulheres estiveram em grande evidência nos filmes
em série já nos primeiros trabalhos desse gênero, no cinema mudo. Na que é considerada a
primeira fita em série do cinema americano, "What Happened to Mary?", no longínquo ano de 1912,
a atriz Mary Fuller emocionava os espectadores vivendo uma órfã que lutava contra muitas
adversidades e, um ano depois, era a vez de Kathlyn Williams, que desafiava bandidos que a
queriam fora de suas terras, em "As Aventuras de Kathlyn". Vieram depois, Pearl White e Ruth
Roland, consideradas as rainhas dos seriados na fase silenciosa. Mas, não ficou por aí. Ainda
vieram Helen Holmes, Eileen Sedgwick, Allene Ray, Grace Cunnard, Marie Walcamp, Helen Ferguson,
Anita Stewart, Louise Lorraine, Neva Gerber, Ethlyne Clair, Ann Little, Arline Pretty e outras
mais. Os machões acharam muita ousadia e foram tomando o lugar de destaque. Até que a Republic
achou por bem relançar uma bela jovem como heroína dos seus seriados.
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| Phyllis Coates |
Em 1941, surgiu "A Filha das Selvas", novela de Edgar Burroughs, o criador de Tarzan. A
Republic adquiriu os direitos do livro e atribuiu a seus roteiristas a tarefa de transformá-lo
em quinze emocionantes episódios. Na história de Burroughs havia um médico americano empenhado
em combater a desnutrição numa tribo perdida no Continente Negro. No cinema, o médico foi
substituído por um caçador branco que fazia o companheiro da mocinha, que era nada menos que
Nyoka, logo depois famosa em outros seriados e nas histórias em quadrinhos desenhadas por Al
Jetter. Nyoka era interpretada por Frances Gifford, uma morena escultural, com um vestido
curtinho de pele de leopardo e botas, só que nas cenas de ação era substituída pela eficiente
dublê Helen Thurston. Sob a direção de William Witney e John English, o seriado fez tanto
sucesso que teve uma continuação, "Os Perigos de Nyoka", agora só com direção de Witney e com
uma nova estrela, Kay Aldridge, e um novo coadjuvante, Clayton Moore (que seria, mais tarde, o
Lone Ranger, conhecido no Brasil como o caubói Zorro). Para dublar a mocinha nos momentos de
perigo foi escalado um homem, Davi Sharpe, que, embora desajeitado nas roupas de Nyoka, fazia
acrobacias dignas de Tarzan. Aqui, Nyoka enfrentava uma vilã, Vultura (Lorna Grey). No final, as
duas chegavam às vias de fato, deixando a garotada ouriçada. Nyoka chegou à TV, em longa
metragem: "Nyoka and Secrets of Hippocates" (1966).
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| Ruth Roman |
Em 1944, a bela Kay Aldridge saiu da Republic e o estúdio não perdeu tempo e tratou de
arranjar outra heroína. E foi então que surgiu Linda Stirling, que seria considerada, com muita
justiça, a rainha dos seriados sonoros. Realmente linda, estreou em "A Mulher-Tigre", dirigida
por Spencer Bennet e Wallace Grissell. A nova estrela brilhou bastante e apareceu em muitos
outros seriados. Veio a seguir, ainda pela Republic, Phyllis Coates em "A Mulher-Pantera"
(1955). Phyllis Coates viveria, mais tarde, a Lois Lane na série do Super-Homem na TV. Mas a
Universal, em 1945, lançava uma nova "Rainha das Selvas", com Ruth Roman no papel de Lother, que
tinha o poder de se tornar invisível, confundindo os inimigos. Mas, já na década de 50, Ruth
Roman apareceu e muito bem em papéis dramáticos em filmes de prestígio, como "Dallas"
(contracenando com o galã Gary Cooper), depois de uma participação em "Gilda" (1946), estrelado
por Rita Hayworth e Glenn Ford.
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