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26.09.2004

De Sombreros a Cartolas
Nélio Silva


Hopalong Cassidy


    Assistindo a um filme de faroeste, ocorreu-me o fato de nunca ter visto um mocinho sem chapéu. Mesmo nas cenas de luta com os fora-da-lei o seu chapéu nunca caía. Era uma marca registrada. Difícil imaginar um John Wayne, um Roy Rogers ou um Hopalong Cassidy de cabeça descoberta. O chapéu era tão importante quanto os revólveres (e o cavalo, é claro!). Engraçado, as mulheres não eram tão indispensáveis para os mocinhos... Bem, deixa pra lá. O assunto em pauta é o chapéu. Também os policiais do tempo da Lei Seca e os cangaceiros não ficavam sem o seu tapa-coco. Interessante, mesmo, são os vários tipos de chapéus usados pelos heróis (e vilões) através dos tempos. Chapéus de todos os tipos e para todos os gostos.

Tom Mix


    Nos faroestes, ficaram célebres os chapéus de alguns mocinhos. O de Hopalong Cassidy, por exemplo, de abas longas e todo preto; o de Tom Mix, de abas também longas e cocuruto lá no alto. O de John Wayne era tão estimado que ele o usou durante anos a fio, sempre o mesmo. De estimação como a pulseirinha que ele usava no pulso direito (repararam?). Engraçado era o chapéu do atrapalhado velhinho Gabby Hayes, com a aba da frente virada para cima. Uma figura. Nos velhos filmes policiais, Elliot Ness (de "Os Intocáveis"), os detetives Philip Marlowe e Sam Spade não prescindiam de seu indispensável adorno. Aliás, o chapéu era obrigatório em todo filme noir. Mas, os fora-da-lei também faziam questão de seu chapéu, como Al Capone, Scarface e Dillinger. É verdade que usar chapéu, na época, era moda. Mas uma moda que ajudava bastante a compor o tipo, uma autêntica marca registrada.

Humphrey Bogart


    Muitos chapéus marcaram para sempre seus donos e viraram moda através dos tempos. O sombrero de Wallace Beery em "Viva Villa"(1934) foi um sucesso tão grande que até hoje é difícil imaginar um mexicano sem aquele chapelão colorido. O chapeuzinho quadriculado de Sherlock Holmes; o gorro de castor de Davy Crockett; o chapelão espelhado de Lampião; o chapéu coco de Bat Masterson são inesquecíveis. Como inesquecíveis são o chapéu de Humphrey Bogart em "Casablanca" e a cartola de Fred Astaire em seus famosos musicais. E, se considerarmos o turbante de Carmen Miranda como chapéu, a nossa baianinha portuguesa também tem um lugar de destaque (e bota destaque nisso!) nessa galeria. Claro que não me esqueci da cartola de Carlitos, nem das cartolas da impagável dupla O Gordo e O Magro. São marcas inconfundíveis de gênios.

Harold Sakata


    Outros chapéus menos votados também são dignos de registro, como o palhinha de Maurice Chevalier e o chapéu de caipira (também de palha) de Mazzaropi. As estrelas também celebrizaram os seus chapéus, como Marlene Dietrich, em "A Vênus Loura"; Greta Garbo, em "Anna Christie"; Ingrid Bergman, em "Casablanca"; e Vivian Leigh, em "...E o Vento Levou". Famosas ficaram também as amarfanhadas cartolas de Fred Astaire e Judy Garland, no engraçadíssimo e antológico número musical dos mendigos, em "Desfile de Páscoa". A gracinha Leslie Caron também deixou seu chapéu na história, no balé de "Sinfonia de Paris". E os Irmãos Marx também estavam sempre de chapéu. Em 1986, o cinema brasileiro mostrou outro chapéu célebre, o de Tenório Cavalcanti, deputado pistoleiro de Duque de Caxias (RJ), em "O Homem da Capa Preta", bem interpretado por José Wilker. Mas, o chapéu também pode se transformar numa arma perigosa. Pelo menos nas mãos de Harold Sakata, ator que fazia o vilão japonês Oddjob, que usava sua cartola como um bumerangue mortal, enfrentando James Bond (Sean Connery), em "007 Contra Goldfinger".




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