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New York, New York


New York, New York,
EUA, 1977.


Com LIZA MINNELLI, ROBERT DE NIRO, LIONEL STANDER, BARRY PRIMUS, MARY KAY PLACE, GEORGIE AULD, CLARENCE CLEMONS, GEORGE MEMMOLI, DIAHNNE ABBOTT, LEONARD GAINES, BILL BALDWIN, DON CALFA, BERNIE KUBY, LOUIE GUSS, GENE CASTLE, DICK MILLER.

Montagem: TOM ROLF, B. LOVITT. Figurino: THEADORA VAN RUNKLE. Supervisão musical e regência: RALPH BURNS. Canções originais: JOHN KANDER e FRED EBB. Produtor associado: GENE KIRKWOOD. Desenho de produção: BORIS LEVEN. Fotografia: LASZLO KOVACS. Roteiro: EARL MacRAUCH e MARDIK MARTIN. História: EARL MacRAUCH. Produção: IRWIN WINKLER e ROBERT CHARTOFF. Direção: MARTIN SCORSESE.

Estréia no RJ:




Sinopse e comentário.



    Drama / musical. 1945. No dia da vitória aliada na 2ª Guerra Mundial, a cidade de Nova York é toda festa. E é numa dessas festas que, fazendo-se passar por ex-combatente, o trambiqueiro e mulherengo Jimmy Doyle conhece Francine Evans, a quem tenta de todas as formas conquistar e acaba vencendo pela insistência, principalmente depois que ela, uma cantora, descobre ser ele um talentoso saxofonista em busca de trabalho. Graças ao que ele chama de "acorde perfeito" (a forma com se dão bem), os dois acabam indo trabalhar juntos, na orquestra de Frankie Harte, embora o mau gênio dele, contrastando com a doçura dela, seja um sério entrave na harmonia do casal, ainda que ele, da forma mais grosseira possível, a peça em casamento. A falta de público e a queda no número de apresentações acabará fazendo com que Harte abandone a orquestra, cujo comando será assumido por Jimmy, que por sua vez não verá com bons olhos a forma como a esposa vem se sobressaindo. O relacionamento já abalado piora quando ela, grávida, decide voltar para Nova York enquanto ele continua em excursão, agora com nova cantora. Mas o cancelamento de shows acaba fazendo com que Jimmy acabe com a orquestra, indo tocar com músicos negros no bairro do Harlem. O passar dos anos, e o nascimento do filho, acabará fazendo com que os dois escolham rumos diferentes para suas vidas.


    Ainda que não faltem cenas alegres e bem humoradas, pode-se notar que mesmo o amor, aos olhos do diretor Martin Scorsese, foge do convencional. Seu protagonista nada tem do herói romântico, ou mesmo do anti-herói frágil que por isso mesmo conquista a simpatia do público. Arrogante, grosseiro e egoísta, Jimmy Doyle é um tipo insuportável, incapaz de lidar com o sucesso da esposa e definido por um dos personagens como "chato demais", gerando até dificuldade para o espectador entender como uma criatura dessas pode provocar tanta paixão na personagem de Liza Minnelli. Esta, por sua vez, é uma beleza em todos os sentidos. Cantando, vai da suavidade à explosão com tal desembaraço que o ato de cantar bem até fica parecendo fácil. Interpretando, cria uma Francine delicada e comovente, que sofre o diabo na mão do marido e nem assim perde o brilho. Seqüências como a do beijo no táxi, na chuva, os vários olhares e sorrisos, e os números musicais que culminam com a vigorosa canção título (que se tornaria clássica), ultrapassam a linha do suficiente para quem porventura queira entender por que Liza Minnelli é uma estrela.


    Mas New York, New York não é só Liza Minnelli. Superprodução deslumbrante e pretensiosa, quis resgatar os grandes musicais de Hollywood, homenageados na seqüência final de "Happy Endings", o filme de que Francine termina sendo a estrela. Para isso, conta uma história com ares de saga, a saga dos músicos americanos nas décadas de 1940/50, exibindo com admiração as apresentações pelos bares, os detalhes das excursões e dos ensaios, as crises e o cotidiano dos clubes (não faltando uma rápida referência ao consumo de drogas). Verdade que tanta pretensão deu ao filme uma metragem que vai além do necessário, mas os bons momentos, como a seqüência do casamento de madrugada (onde Jimmy tenta até se matar debaixo de um carro), a briga no bar, o abandono no hospital (logo após o nascimento do bebê), os ótimos diálogos e cenários, não tiram de New York, New York o seu mérito, nem distanciam os realizadores do objetivo pretendido. A história de amor que Scorsese quis contar acaba não sendo entre um homem e uma mulher, mas dos dois pela música, que é quem acaba falando mais alto, e é quem de fato protagoniza o filme. (M.L.)










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