The Recruit,
EUA, 2003.
Com COLIN FARRELL, AL PACINO, BRIDGET MOYNAHAN,
GABRIEL MACHT, MIKE REALBA, DOMENICO FIORE, KARL PRUNER, RON LEA, JEANIE CALLEJA,
JESSICA GRECO, ANGELO TSAROUCHAS, VERONICA HURNICK, EUGENE LIPINSKI, STEVE LUCESCU.
Música: KLAUS BADELT.
Co-produção: MEGAN WOLPERT.
Fotografia: STUART DRYBURGH.
Montagem: DAVID ROSENBLOOM.
Desenho de produção: ANDREW McALPINE.
Produção executiva: JONATHAN GLICKMAN, RIC KIDNEY.
Produção: JEFF APPLE, GARY BARBER, ROGER BIRNBAUM.
Escrito por ROGER TOWNE, KURT WIMMER e MITCH GLAZER.
Direção: ROGER DONALDSON.
Estréia no RJ: 04.04.2003.
Sinopse e comentário.
Suspense / espionagem. Obcecado com a mal explicada morte do pai,
ex-agente da CIA, James Clayton é um jovem programador especializado em invasões de sistemas de
computador. Durante uma feira de informática, é procurado pelo misterioso Walter Burke, agente
da CIA cuja função é recrutar jovens promissores após um período de intensa observação. Ainda
que com relutância e pensando mais na possibilidade de obter informações sobre o pai
desaparecido, Clayton aceita a proposta de Burke e se submete a uma longa e rigorosa série de
testes físicos e intelectuais, junto com uma turma de outros recrutas. Destacando-se tanto pela
forma física quanto pela rapidez de raciocínio, Clayton receberá de Burke uma missão real e
sigilosa, e esta será justamente a de investigar a aluna Layla Moore, com quem Clayton vinha se
envolvendo, suspeita de estar roubando valiosas informações sobre um certo programa Ice 9,
espécie de vírus que, em mãos inimigas, poria em risco toda a rede elétrica do planeta.
O Novato deveria ser um jogo intrincado de verdades e mentiras,
onde a atenção aos (muitos) detalhes é que faz a diferença. Deveria, mas não chega a tanto. O
roteiro de Roger Towne, Kurt Wimmer e Mitch Glazer, ainda que proporcione momentos de
inteligência e segure até o fim a atenção do espectador, causa muito mais entusiasmo durante as
aulas e as provas dos recrutas do que na hora em que a trama - previsível - de fato tem início.
É dentro da "Fazenda" (o lugar onde são treinados os recrutas, e que Burke chama de "o outro
lado do espelho") que ocorrem as maiores surpresas, os melhores diálogos, e as saborosas
seqüências do aprendizado, onde se acompanha com certo detalhismo a formação de um espião.
A direção elegante de Roger Donaldson (que, desde o ótimo Sem
Saída, de 1987, com Kevin Costner, não fazia nada que prestasse) mantém o filme nas rédeas e
evita os excessos, apoiado numa fotografia granulada, numa discreta trilha sonora eletrônica e
num ótimo trabalho do elenco. Colin Farrell e Bridget Moynahan, além de ficarem bonitos juntos,
têm a atuação correta e fazem bem o jogo de gato e rato do roteiro, principalmente na deliciosa
seqüência na Fazenda, onde revelam, um para o outro, seus sentimentos. Mas obviamente é Al
Pacino quem se sobressai, em cada instante que surge na tela. Sua presença forte, cínica e
envolvente, mais a interpretação vigorosa que atinge o clímax não na explosão final (que,
infelizmente, parece estar se tornando elemento obrigatório e repetitivo no trabalho do ator),
mas minutos antes, quando conta a um aturdido Clayton a história do padre que foi procurar o
Papa porque perdeu a fé. O momento, além de antológico, remete diretamente ao caso brasileiro,
onde a polícia, devido justamente aos baixos salários de que Burke por mais de uma vez se queixa
no filme, cada vez mais se vende para o outro lado. Dá até para pensar: se ganhando o que eles
ganham por lá já é assim, imagine como seria se recebessem os salários daqui.
(M.L.)
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