A Nova Transa da Pantera Cor-de-Rosa
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The Pink Panther Strikes Again,
Inglaterra / EUA, 1976.
Com PETER SELLERS, HERBERT LOM, LESLEY-ANNE DOWN,
HOWARD K. SMITH, LEONARD ROSSITER, COLIN BLAKELY, GRAHAM STARK, BYRON KANE, DICK CROCKETT,
RICHARD VERNON, BRIONY McROBERTS, BURT KWOUK, ANDRE MARANNE, PAUL MAXWELL.
Desenho de produção: PETER MULLINS.
Montagem: ALAN JONES.
Fotografia: HARRY WAXMAN.
Animação e abertura: RICHARD WILLIAMS STUDIO.
Música: HENRY MANCINI.
Until You Love Me e Come to Me, letras de
DON BLACK.
Come to Me interpretada por TOM JONES.
Produtor associado: TONY ADAMS.
Roteiro: FRANK WALDMAN e BLAKE EDWARDS.
Produção e direção: BLAKE EDWARDS.
Estréia no RJ:
Sinopse e comentário.
Comédia, 4° filme da série com o Inspetor Clouseau. Após três anos de
sua internação, o ex-Inspetor Chefe Dreyfuss, da Sûreté Nationale, consegue escapar do manicômio
penitenciário. Obcecado em vingar-se daquele que seria o responsável por seu estado de demência,
e que o sucedeu na polícia, Dreyfuss elabora um plano mirabolante para matar o atual inspetor
chefe, o atrapalhado Jacques Clouseau. Reúne então os maiores bandidos do mundo e, formando uma
terrível organização criminosa, seqüestra o físico Dr. Fassbender, obrigando-o a construir uma
arma poderosíssima capaz de destruir uma cidade inteira em minutos. Enquanto Clouseau é enviado
para a Inglaterra a fim de auxiliar a Scotland Yard no seqüestro de Fassbender, Dreyfuss
chantageia o governo dos EUA, exigindo Clouseau em troca da vida de milhões de seres humanos.
Tem início, então, uma verdadeira caçada ao Inspetor, com os governos dos mais diferentes países
enviando agentes para matar Clouseau.
Após uma aparente crise de má vontade, que o levou a realizar o
fraquíssimo A Volta da Pantera Cor-de-Rosa, o diretor-produtor-autor Blake Edwards
pareceu enfim retomar o gosto pela coisa e fez um filme que, se não se compara à Pantera
Cor-de-Rosa original, pode ser considerado tão divertido quanto o segundo, Um Tiro no
Escuro. Mesmo que o diamante que dá nome à série sequer seja citado, não havia como não
manter o título famoso, colocando o felino dos desenhos animados novamente como estrela nos
créditos iniciais e finais. Não se brinca com tradição, e é seguindo a tradição que o roteiro
(novamente co-escrito por Frank Waldman) procura criar oportunidades para o protagonista Peter
Sellers dar mostras de seu incomparável talento. Aqui, Clouseau disfarça-se de corcunda, dança
tango com um travesti, exercita-se em barras paralelas antes de interrogar os empregados de
Fassbender, cai seguidas vezes num fosso tentando invadir o castelo de Dreyfuss, aspira um gás
hilariante junto com seu arqui-inimigo e seduz sem querer a bela agente russa que planejava
matá-lo (graças à atuação de Omar Shariff, fazendo uma ponta não creditada como assassino
egípcio). É impressionante a capacidade de Sellers em fazer rir mesmo quando é previsível, como
no momento em que atrapalha-se todo para tirar a roupa, no final.
Mas desta vez o filme não largou tudo nas costas do astro Sellers.
Novamente como Dreyfuss, Herbert Lom repete os ótimos tiques nervosos e sofre o diabo por causa
de Clouseau, mas, como seu nome nos créditos, também o seu espaço foi ampliado. Alucinado, Lom
transforma-se numa espécie de Fantasma da Ópera tocando órgão num cenário gótico, sofre de dor
de dente e é co-responsável pela engraçadíssima cena do gás hilariante. O filme, embora longo,
também reserva algumas boas piadas como a do presidente americano que só pensa em futebol e tem
um assessor que é a cara de Henry Kissinger. E, graças à trama internacional com um vilão maluco
tentando dominar o mundo, fica com cara de paródia aos filmes de James Bond. Na trilha sonora,
Henry Mancini repete o tema clássico, sem no entanto acrescentar composições interessantes à
ação. Como curiosidade, vê-se novamente o ator Graham Stark no elenco interpretando personagens
diversos, e que não apareceram nos filmes anteriores. E aqui são logo dois: os dois porteiros
dos hotéis onde Clouseau se hospeda, sendo o segundo um velhinho debochado.
(M.L.)