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Nus


Nickt,
Alemanha, 2002.


Com HEIKE MAKATSCH, BENNO FÜRMANN, ALEXANDRA MARIA LARA, JÜRGEN VOGEL, NINA HOSS, MEHMET KURTULUS.

Música: IVAN HAJEK. Co-produção: FRANZ X. GERNSTL, FIDELIS MAGER. Fotografia: FRANK GRIEBE. Montagem: FRANK C. MÜLLER, INEZ REGNIER. Desenho de produção: BERND LEPEL. Produção: NORBERT PREUSS. Escrito e dirigido por DORIS DÖRRIE.

Exibido no Festival do Rio em Setembro/Outubro de 2003.






Sinopse e comentário.



    Drama. Rompidos recentemente após um casamento de anos, Emília e Félix reencontram-se no apartamento desta. Logo mais, à noite, estarão no jantar oferecido por outro casal, Charlotte e Dylan, amigos de longa data há muito não vistos. Insatisfeito tanto com o rompimento quanto com o jantar, Félix vê seu humor ir de mal a pior quando Emília confessa o caso que teve com Dylan. Um terceiro casal, Annette e Bóris, também se prepara para o reencontro enquanto também revêem suas diferenças, principalmente o fato de ela ganhar mais do que ele, e a falta de comunicação que sempre o impede de pedi-la em casamento. Por sua vez, na casa dos ricos anfitriões, o clima não é menos tenso. Cansada das aparências que tem de manter por sua condição social (Dylan enriqueceu com o mercado de ações), Charlotte sente-se ignorada pelo marido, a quem tudo faz para agradar. O jantar, que deveria ser uma ocasião festiva, torna-se então um campo de batalha e acertos de contas, até Félix propor um desafio, na verdade uma aposta: que os dois casais ainda juntos provem seu amor e felicidade num jogo onde, nus e vendados, terão de reconhecer o corpo de seu parceiro apenas pelo toque. O resultado poderá mudar a vida de todos os presentes.


    Há uma cena em Nus onde Félix diz que "a boa história de amor é curta". A diretora e roteirista Doris Dörrie deve ser radicalmente contra a frase, pois seu filme passa a impressão de querer se estender para além dos limites suportáveis pelo espectador. Na ambição de discutir os relacionamentos amorosos em toda a sua profundidade, o roteiro tenta abordar, de uma tacada só, a falta de comunicação entre os casais, o desgaste, o esgotamento, a rotina, o dinheiro, a essência do amor, a importância dos detalhes no cotidiano, a liberdade, o ciúme, a inveja, a condição humana. Não há quem agüente. Os personagens, quase todos de uma surpreendente antipatia, passam a maior parte do tempo numa interminável lavagem de roupa suja e discutindo relação, problema que o roteiro julgou resolver forjando a tensão sexual da aposta. Na verdade, o filme parece ter sido construído unicamente em cima dessa idéia, como se ela por si própria bastasse e o restante da trama fosse desnecessário. Nus não consegue imprimir uma intimidade entre os casais, juntando atores que não apresentam uma química entre si e dando-lhes traços de um passado que não convence, ainda que mostrado de forma interessante através de "flash backs" filmados em vídeo.


    O formato sofisticado do filme, com cenários requintados onde os personagens alternam-se atrás de portas de vidro ora vermelhas, ora azuis, embalados por trilha sonora jazzística, bem como os "closes" quase publicitários dos corpos nus, acabam sendo mais um desacerto da diretora, por melhor que sejam suas boas intenções estéticas. O resultado é que aquilo que deveria ser sensual e envolvente acaba frio e artificial, mais pose do que sentimento. Tanto que tudo se resolve, ao final, como num passe de mágica. Como se todo o blablablá que veio antes não fosse mais do que passa-tempo para fugir do tédio. E qual a necessidade de botar só os homens para cantar? (M.L.)





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