Blue Crush,
EUA, 2002.
Com KATE BOSWORTH, MATTHEW DAVIS, MICHELLE RODRIGUEZ, SANOE
LAKE, MIKA BOOREM, CHRIS TALOA, KALA ALEXANDER, RUBEN TEJADA, KAUPENA MIRANDA, ASA AQUINO,
FAIZON LOVE, GEORGE VEIKOSO, SHAUN ROBINSON.
Co-produção: SUZY BARBIERI, RICK DALLAGO.
Música: PAUL HASLINGER.
Fotografia: DAVID HENNINGS.
Montagem: EMMA E. HICKOX.
Produção executiva: LOUIS G. FRIEDMAN, KATHY JONES,
BUFFY SHUTT.
Produção: BRIAN GRAZER, KAREN KEHELA.
Baseado em artigo da revista Surf Magazine, Surf Girls of Maui,
de SUSAN ORLEAN.
História: LIZZY WEISS.
Roteiro: LIZZY WEISS & JOHN STOCKWELL.
Direção: JOHN STOCKWELL.
Estréia no RJ: 17.01.2003.
Sítio oficial:
www.blue-crush.com
Sinopse e comentário.
Filme de surf. Faltando uma semana para o campeonato em Pipeline, a
surfista Anne Marie Chadwick começa a sentir dificuldade em superar um trauma de infância (ainda
criança, bateu com a cabeça num recife ao cair de uma onda). Morando com as amigas Lena e Eden,
mais a irmã caçula Penny, numa casa na praia, Anne Marie é camareira num hotel, de onde tira
seu sustento enquanto sonha em vencer no surf e obter patrocínio. Mas, junto com o medo de
falhar, com o envolvimento de Penny (a quem deveria cuidar desde que ambas foram abandonadas
pela mãe) com uma turma barra-pesada, e com a recente demissão do hotel, Anne Marie acaba de se
envolver com Matt, rico jogador de futebol americano e por quem vem deixando de lado o
treinamento para o campeonato.
Ainda que o espectador ignore o significado de termos como "rabear",
"crowd", "cutback", ou jamais tenha "levado uma vaca"; ainda que a história da necessidade de
superação, o romance menina pobre/moço rico e o final feliz grandiloqüente já tenham sido vistos
em quase todos os filmes americanos para adolescentes, é remota a possibilidade de se ficar
alheio a este A Onda dos Sonhos. A razão é a mesma que torna interessantes documentários
como The Endless Summer ou o brasileiro Surf Adventures: imagens impressionantes
de atletas fazendo coisas que só se acredita vendo, e momentos de arrepiar os cabelos pela
beleza e pela ousadia. E nisto A Onda dos Sonhos consegue ser ainda superior a seus
antecessores, pois além das manobras dos surfistas focalizadas de tudo quanto é ângulo pelas
bem posicionadas câmeras, o filme ainda esmera-se em mostrar seqüências submarinas de encher os
olhos: seja a linda protagonista treinando (caminhando no fundo segurando uma pedra, enquanto
puxa as duas amigas), ou se arrebentando debaixo dágua, a câmera a segue, mostrando as ondas
quebrando lá em cima. Não é um espetáculo qualquer.
O filme obviamente perde quando leva a ação para fora dágua. Mesmo
assim, arranjaram uma menina tão agradável de se ver (Kate Bosworth é uma graça e uma simpatia),
que o espectador releva, e acaba descobrindo bons momentos na narrativa não tão convencional
(muitas vezes o diretor John Stockwell prefere utilizar o recurso simples da câmera na mão, no
lugar das facilidades moderninhas das câmeras lentas e cortes bruscos, praga que se alastrou
pelo cinema americano desde Matrix). Por isso é até estranho o efeito especial inserido
ao fim do filme, totalmente desnecessário e nada condizente com o que A Onda dos Sonhos
vinha sendo até então. Destaque para o momento em que Anne Marie cai de uma onda, fica presa em
um recife e quando consegue voltar à superfície dá de cara com uma onda ainda maior.
(M.L.)