El Otro Lado de la Cama,
Espanha, 2002.
Com ERNESTO ALTERIO, PAZ VEGA, GUILLERMO TOLEDO,
NATALIA VERBEKE, ALBERTO SAN JUAN, MARÍA ESTEVE, RAMÓN BAREA, NATHALIE POZA, SECUN DE LA ROSA,
CAROL SALVADOR, GELI ALBALADEJO.
Música: ROQUE BAÑOS.
Produtores associados: GHISLAIN BARROIS, IGNACIO SALAZAR.
Fotografia: JUAN MOLINA TEMBOURY.
Montagem: ÁNGEL HERNÁNDEZ ZOIDO.
Produção: TOMÁS CIMADEVILLA, JOSÉ ANTONIO SÁINZ DE VICUÑA.
Escrito por DAVID SERRANO.
Direção: EMILIO MARTÍNEZ-LÁZARO.
Exibido no Festival do Rio em Setembro / Outubro de 2003.
Sinopse e comentário.
Comédia romântica com música. Quando Pedro vai visitar o casal de
amigos Javier e Sonia, é para dizer que acaba de ser abandonado pela namorada Paula, que teria
se apaixonado por outro homem. A fim de tirar o amigo da fossa, Javier procura apresentá-lo a
outras mulheres, como a tagarela Pilar, sendo que sua verdadeira intenção é demovê-lo da idéia
de descobrir quem é o outro homem, pois este é o próprio Javier. Mas Pedro, que vem seguindo
Paula pelas ruas, já pensa até em contratar um detetive particular para descobrir com quem Paula
o traiu. Essa, por sua vez, começa a cansar-se das promessas de Javier de deixar Sonia para
viver com ela, e ameaça contar a todos a relação que vêm mantendo em segredo.
O público feminino em sua maioria irá se divertir com o sem número de
bobagens ditas pelos homens a respeito do sexo oposto. Para o masculino, só a visão da bela Paz
Vega já deverá valer a ida ao cinema, por mais que ela aqui não se mostre tanto quanto em
Lucia e o Sexo. Seqüências como o jogo de tênis que termina em pancadaria, ou as teorias
conspiratórias do detetive Antonio Sagaz (para quem o presidente Kennedy teria na verdade
cometido suicídio), ou a peça de teatro moderninha, deverão atingir seu objetivo, que é fazer
rir. A dúvida fica em torno dos números musicais que interrompem a narrativa: a quem poderão
agradar? Entende-se a intenção do diretor Emilio Martínez-Lázaro em proporcionar momentos de
graça e leveza num filme bonitinho e despretensioso, onde todos os elementos são criados
unicamente para se encaixarem posteriormente, mesmo que o encaixe seja forçado. A música seria
um bom recurso, do qual o cinema vem há tempos sentindo falta.
E pelo visto vai continuar sentindo. Canções enjoadas, mal interpretadas
e inseridas em seqüências de pouca inspiração só conseguem irritar o espectador, que tem de
esperar terminar a musiquinha para prosseguir a narrativa, visto que os comentários musicais
pouco acrescentam à história. Desperdiça-se boas piadas com a repetição das mesmas, como a idéia
de que "todos somos um pouco homossexuais", dita sabe-se lá quantas vezes durante o filme,
talvez na tentativa de torná-la um bordão. No elenco, os homens se sobressaem graças ao roteiro
(a história é contada do ponto de vista masculino, e quase todas as boas falas saem da boca dos
rapazes, sejam os protagonistas ou o motorista de táxi metido a conquistador), sobrando às
mulheres a função de serem lindas. Também falta ao filme a sensualidade do título, que
enriqueceria a cena de sedução protagonizada por Sonia.
(M.L.)
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