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A Pantera Cor-de-Rosa


The Pink Panther,
Inglaterra / EUA, 1964.




Clique abaixo para ouvir o tema musical.



Com DAVID NIVEN, PETER SELLERS, ROBERT WAGNER, CAPUCINE, CLAUDIA CARDINALE, BRENDA DE BANZIE, COLIN GORDON, JOHN LeMESURIER, JAMES LANPHIER, GUY THOMAJAN, MICHAEL TRUBSHAWE, RICCARDO BILLI, MERI WELLS, MARTIN MILLER, FRAN JEFFRIES.

Música: HENRY MANCINI. Fotografia: PHILIP LATHROP. Figurino de Claudia Cardinale e Capucine: YVES ST. LAURENT. Direção de arte: FERNANDO CARRERE. Montagem: RALPH E. WINTERS. Abertura: DE PATIE - FRELENG ENTERPRISES, INC. Canção It had better be tonight, música de HENRY MANCINI, letras de JOHNNY MERCER (inglês), FRANCO MIGLIACCI (italiano), interpretada por FRAN JEFFRIES. Produtor associado: DICK CROCKETT. Roteiro: MAURICE RICHLIN e BLAKE EDWARDS. Produção: MARTIN JUROW. Direção: BLAKE EDWARDS.

Estréia no RJ:






Sinopse e comentário.



    Comédia. A presença em Roma da princesa Dala, portadora do maior diamante do mundo, a Pantera Cor-de-Rosa, gera temores quanto à possibilidade do ladrão conhecido como Fantasma tentar roubá-lo. Criminoso que vem agindo há anos sem ser capturado, o Fantasma é na verdade Sir Charles Lytton, espécie de "Don Juan" influente e poderoso, que também está em Roma e participará da festa a ser dada pela princesa. Ao local chegam ainda o Inspetor Clouseau, desastrado detetive francês que vem perseguindo sem sucesso o Fantasma, e sua esposa Simone, que é secretamente amante e cúmplice de Lytton. Além destes, surge o jovem George Lytton, sobrinho de Charles com as mesmas tendências desonestas do tio, e o mesmo interesse pela Sra. Clouseau. Quanto ao Fantasma, após forjar o seqüestro do cãozinho real, consegue aproximar-se de Dala e, utilizando-se de seu charme, seduzi-la.


    A Pantera Cor-de-Rosa é desses fenômenos cinematográficos que entram para a história por mais de uma via. O tema musical de Henry Mancini é peça obrigatória em qualquer antologia do gênero, e não é possível dissociá-lo do debochado clima de suspense oferecido pelo filme, bastando para isso ouvir os primeiros acordes. A abertura em desenho animado de David H. DePatie e Friz Freleng originou uma série até hoje popular, não faltando quem pense que os desenhos vieram antes do filme. E por fim tem-se o personagem chave da história, o Inspetor Clouseau, que mesmo sem ser o protagonista sobressaiu-se tanto que virou titular das seqüências que Blake Edwards escreveria, produziria e dirigiria, num total de oito filmes (houve ainda um Inspetor Clouseu, filme inglês realizado em 1968 com Alan Arkin vivendo o detetive francês).


    O filme é uma comédia luxuosa, superproduzida, elegante, como outras que o cinema americano realizou nos anos 60. Mistura tanto o pastelão quanto o humor fino, e criou inusitados momentos que seriam fartamente copiados, como o clímax na festa a fantasia, onde Clouseu explode uma caixa de fogos de artifício dentro do salão e o pandemônio vai terminar na hilária seqüência do velhinho que tenta atravessar uma rua onde passam carros dirigidos por gorilas e zebras correndo. Momentos de comédia italiana, onde o marido (Clouseau, de novo) ignora a presença de outros homens dentro de seu quarto, um debaixo da cama e outro no banheiro, também são utilizados com precisão e ritmo. Em nenhum momento perde-se o tempo da piada, não há excessos ou apelações. Ver A Pantera Cor-de-Rosa é etapa obrigatória para quem deseja se aventurar pela arte de fazer rir.


    E ainda há o elenco. típico cavalheiro, charmoso, talentoso e com postura de lorde, David Niven também navega com desenvoltura pela seara do humor, compondo com sutileza um vilão que não só vence o mocinho, como fica com todas as mulheres do filme. Destas, não há como não destacar Claudia Cardinale, linda, na cena em que, de pileque, deitadinha sobre a pele de um tigre, se deixa seduzir. Só mesmo um gentleman como David Niven não partiu de imediato pra cima dela, após seus biquinhos e carinhas de menina sapeca. Correndo por fora, mas destacando-se mais do que os demais, está Peter Sellers. Estabanado, desastrado, um completo idiota que ainda se acha o tal, Sellers é impagável sem precisar cair no exagero infantilóide, que caracterizaria o humor no cinema 40 anos depois. (M.L.)











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