Brasil, 1969.
Com REGINALDO FARIAS, WALTER FORSTER, IRENE STEFÂNIA,
FREGOLENTE, DARLENE GLÓRIA, JOSÉ LEWGOY, LEILA DINIZ, ARY FONTOURA, ADRIANA PRIETO,
FRANCES KHAN, CRISTINA WAGNER, IRMA ALVARES, SONIA DUTRA, MARIA POMPEU, LICIA MAGNA,
FERNANDO RESKY, VALENTINA GODOY, DIVA HELENA, SUSANA FAINI, JANE DE ABREU.
Argumento: REGINALDO FARIAS.
Colaboração: ANDRÉ JOSÉ ADLER, XAVIER DE OLIVEIRA,
ROBERTO FARIAS.
Direção de produção: IVAN DE SOUZA.
Fotografia: JOSÉ MEDEIROS.
Montagem: RAIMUNDO HIGINO.
Produção executiva: RIVA FARIAS.
Direção: REGINALDO FARIAS.
Estréia no RJ:
Sinopse e comentário.
Comédia carioca. Avesso ao trabalho e aos estudos (razão pela qual
está sempre brigando com o pai), Nonô é um jovem de 25 anos que vive de aventuras amorosas,
geralmente com o apoio do amigo Toledo, um fotógrafo quase cinqüentão que volta e meia não
apenas empresta-lhe o apartamento e o carro, mas com quem também compartilha as mulheres.
Cínico e malandro, Nonô aproveita-se tanto sexual quanto financeiramente das mulheres que
conhece, e não raro tem de fugir por janelas e esconder-se de armários para escapar de maridos
traídos. Isso até o dia em que conhece a estudante Margareth, por quem se apaixona, ignorando
que a mesma é filha de Toledo, o que porá em risco a amizade dos dois.
Esse filme foi feito depois de Toda donzela tem um pai que é uma
fera (que, além da temática semelhante, traz ainda no elenco os atores Reginaldo Farias e
Walter Forster), e antes de começar a onda das pornochanchadas no cinema brasileiro. Mas já
apresenta sinais do que estaria por vir. O apuro técnico encontrado no filme anterior (dirigido
pelo irmão do protagonista, o cineasta Roberto Farias) quase não se vê nesse Os Paqueras,
e o desfile de diálogos fracos com referências sexuais e as fartas cenas de nudez já não têm a
mesma ingenuidade, embora hoje qualquer novela das sete mostre bem mais.
Realizado imediatamente antes do estabelecimento do Ato Institucional
N° 5, decreto presidencial que punha abaixo as liberdades políticas no país, certamente não
mostraria no roteiro os comentários, ainda que breves, da engajada personagem Margareth sobre o
movimento estudantil, caso fosse feito alguns meses depois. No entanto, em termos políticos
pouco haveria o que censurar aqui: Os Paqueras segue a tendência de mostrar uma cultura
de praia, desvinculada de tudo o que não seja a diversão sem compromisso. Não deixa, no entanto,
de refletir a visão de uma sociedade durante um período de transformações, no caso a sexual,
onde a liberalização dos costumes é aqui vista com o olhar puramente masculino, exibindo a
mulher como nada além de um objeto de prazer. Em filmes dessa época, o destaque é sempre a
paisagem, e, principalmente, a comparação entre o Rio de Janeiro que é visto na tela e o Rio de
Janeiro que é visto na janela: além de uma breve cena numa Urca quase irreconhecível, fica a
constatação de que a Avenida Atlântica aumentou na mesma proporção que o tamanho dos biquínis
diminuiu. Destaque também para a pequena ponta de Leila Diniz, cuja aparição, por mais tempo
que lhe dessem, deixava sempre o espectador querendo mais.
(M.L.)
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