Out of Time,
EUA, 2003.
Com DENZEL WASHINGTON, EVA MENDES, SANAA LATHAN, DEAN CAIN,
JOHN BILLINGSLEY, ROBERT BAKER, ALEX CARTER, ANTONI CORONE, TERRY LOUGHLIN, NORA DUNN,
JAMES MURTAUGH, PEGGY SHEFFIELD, EVELYN BROOKS, ERIC HISSOM.
Música: GRAEME REVELL.
Fotografia: THEO VAN DE SANDE.
Produtores associados: DAN GENETTI, STEPHEN TRAXLER,
GINA WHITE.
Montagem: CAROLE KRAVETZ.
Desenho de produção: PAUL PETERS.
Produção executiva: JON BERG, ALEX GARTNER, KEVIN REIDY,
DAMIEN SACCANI.
Produção: JESSE B. FRANKLIN, STOKELY CHAFFIN, NEAL H. MORITZ.
Escrito por DAVID COLLARD.
Direção: CARL FRANKLIN.
Estréia no RJ: 05.03.2004.
Sinopse e comentário.
Suspense. Miami. Apesar de festejado por recuperar uma fortuna em
dinheiro das mãos do narcotráfico, o chefe de polícia de um pequeno balneário, Mathias Whitlock,
atravessa um período de turbulência. Abandonado pela esposa Alex, que ainda ama e que também é
policial, Mathias acaba de receber a notícia de que Ann-Marei Harrison, mulher exuberante com
quem tem um caso, sofre de câncer e só tem seis meses de vida. Depois de tentar em vão fraudar
uma apólice de seguro de vida para ela, e ao presenciar Ann-Marei ser espancada pelo marido
Chris, Mathias decide roubar o dinheiro do narcotráfico, guardado no cofre da delegacia à espera
da Divisão de Narcóticos vir buscá-lo, para fugir com a amante e custear-lhe um tratamento
médico. No entanto, na noite da fuga, Ann-Marei e Chris são encontrados mortos num incêndio
criminoso, e o dinheiro desaparece. Tem início então uma investigação que Mathias, embora seja
inocente e vítima de uma armadilha, sabe que não pode ir adiante, pois o primeiro nome a surgir
como suspeito será o seu.
O ritmo ágil, e a série de momentos de tensão que vão fechando cada vez
mais os caminhos do protagonista, fariam deste Por um Triz um grande filme... não fosse
o fato de que ele já foi feito, e se chama Sem Saída. Seja na prova que a qualquer
instante será fatalmente revelada (aqui, o nome do beneficiário na apólice de seguro de vida),
ou na busca aos registros telefônicos, ou na presença de um amigo providencial, ou ainda na
chegada de alguma testemunha para identificar o suspeito, há semelhanças demais com o filme que
Roger Donaldson dirigiu e Kevin Costner protagonizou em 1987. Não há, no entanto, o charme que
ajudou a fazer de Sem Saída um filme esperto e atraente. O diretor deste, Carl Franklin
(o mesmo que dirigiu O Diabo Veste Azul, também com Denzel Washington), optou por
carregar na sensualidade através de ritmos latinos na trilha sonora, tons quentes na fotografia
e duas protagonistas exuberantes e deliciosas.
Não é filme recomendado para quem está atrás de novidade. Por um
Triz segue toda uma cartilha do cinema americano, da apresentação dos personagens e suas
funções na trama às reviravoltas do roteiro. Os diálogos iniciais para mostrar a situação de
Mathias com a ex, as aparições do amigo Chae (cuja incumbência é servir de contraponto
humorístico à tensão da história) e a atuação caricata do marido traído chegam a incomodar mesmo
no espectador de boa vontade. Para resolver tal problema a direção procurou dar à narrativa um
fôlego de maratonista, criando o máximo de situações de perigo para ver se acerta em alguma
delas. E, de fato, é ótimo ver o protagonista tendo que se virar para atrasar o recebimento de
um fax, ou de uma ligação telefônica, e ainda tendo que enrolar a Divisão de Narcóticos, que
está vindo buscar um dinheiro que ele perdeu. São momentos bem mais empolgantes do que a
previsível luta na sacada do hotel, com o mocinho obrigatoriamente pendurado do lado de fora, ou
a "surpresa" final. Deve ser sintomático o fato de que nem a atuação de Denzel Washington (que,
como Jack Nicholson, vem carregando nas costas os seus últimos filmes) corresponda ao que se
esperava, merecendo o adjetivo "preguiçosa" de um crítico carioca. Houvesse um pouco mais de
disposição para elaborar um roteiro, e menos para as concessões comerciais, e Por um Triz
poderia ser um filme acima da média. Como está, ficou no trivial.
(M.L.)
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